{"id":102783,"date":"2026-04-02T18:35:00","date_gmt":"2026-04-02T21:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=102783"},"modified":"2026-04-02T05:29:38","modified_gmt":"2026-04-02T08:29:38","slug":"o-supervulcao-submarino-japones-que-ficou-7-300-anos-dormindo-e-esta-sendo-recarregado-com-magma-fresco-do-manto-terrestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/02\/o-supervulcao-submarino-japones-que-ficou-7-300-anos-dormindo-e-esta-sendo-recarregado-com-magma-fresco-do-manto-terrestre\/","title":{"rendered":"O supervulc\u00e3o submarino japon\u00eas que ficou 7.300 anos dormindo e est\u00e1 sendo recarregado com magma fresco do manto terrestre"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 estruturas no planeta que dormem por mil\u00eanios sem que ningu\u00e9m perceba o que acontece l\u00e1 dentro. O <strong>supervulc\u00e3o<\/strong> conhecido como <strong>Caldeira de Kikai<\/strong>, parcialmente submerso ao sul do <strong>Jap\u00e3o<\/strong>, \u00e9 uma delas: um novo estudo publicado em mar\u00e7o de <strong>2026<\/strong> confirmou que seu reservat\u00f3rio de magma est\u00e1 sendo recarregado com material rec\u00e9m-injetado do manto terrestre, pela primeira vez desde a maior erup\u00e7\u00e3o do per\u00edodo <strong>Holoceno<\/strong>, ocorrida h\u00e1 <strong>7.300 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 a Caldeira de Kikai e por que ela \u00e9 classificada como supervulc\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A <strong>Caldeira de Kikai<\/strong> \u00e9 uma depress\u00e3o circular com cerca de <strong>20 quil\u00f4metros de di\u00e2metro<\/strong>, formada pelo colapso da estrutura vulc\u00e2nica ap\u00f3s uma erup\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica. Fica parcialmente submersa no <strong>Mar da China Oriental<\/strong>, ao sul do arquip\u00e9lago japon\u00eas, e \u00e9 classificada como supervulc\u00e3o por sua capacidade de liberar volumes de magma superiores a <strong>1.000 km\u00b3<\/strong> em eventos de grande escala.<\/p>\n\n\n\n<p>A ilha de <strong>Satsuma-Iojima<\/strong> ocupa a borda noroeste da caldeira e serve como refer\u00eancia vis\u00edvel de um sistema que, em sua maior parte, permanece oculto abaixo da superf\u00edcie do oceano. A <strong>Ag\u00eancia Meteorol\u00f3gica do Jap\u00e3o<\/strong> mant\u00e9m o local no <strong>N\u00edvel de Alerta 2<\/strong>, com uma zona de exclus\u00e3o ativa de <strong>500 metros<\/strong> ao redor do cume do vulc\u00e3o Iodake.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_rock_with_202604020528-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103144\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_rock_with_202604020528-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_rock_with_202604020528-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_rock_with_202604020528-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_rock_with_202604020528-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_rock_with_202604020528-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_rock_with_202604020528.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Caldeira de Kikai \u00e9 uma depress\u00e3o circular com cerca de 20 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, formada pelo colapso da estrutura vulc\u00e2nica ap\u00f3s uma erup\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/01\/o-animal-que-todo-mundo-tem-em-casa-e-um-dos-predadores-mais-nocivos-do-planeta-e-ja-causou-25-das-extincoes-de-vertebrados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O animal que todo mundo tem em casa \u00e9 um dos predadores mais nocivos do planeta e j\u00e1 causou 25% das extin\u00e7\u00f5es de vertebrados<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A erup\u00e7\u00e3o de 7.300 anos atr\u00e1s que moldou o Holoceno<\/h2>\n\n\n\n<p>A \u00faltima grande erup\u00e7\u00e3o da <strong>Caldeira de Kikai<\/strong>, chamada de erup\u00e7\u00e3o <strong>Kikai-Akahoya<\/strong>, foi classificada como <strong>VEI 7<\/strong> no \u00cdndice de Explosividade Vulc\u00e2nica e liberou entre <strong>133 e 183 km\u00b3<\/strong> de rocha em volume equivalente. O evento \u00e9 considerado a maior erup\u00e7\u00e3o do Holoceno, a \u00e9poca geol\u00f3gica que abrange os \u00faltimos <strong>11.700 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fluxos pirocl\u00e1sticos, avalanches de cinzas e gases a centenas de graus, cruzaram mais de <strong>100 quil\u00f4metros<\/strong> de oceano aberto e atingiram o sul da ilha de <strong>Kyushu<\/strong>. Cinzas foram detectadas at\u00e9 <strong>Hokkaido<\/strong>, a <strong>1.700 km<\/strong> de dist\u00e2ncia ao norte, e o colapso subsequente da estrutura formou a caldeira que existe at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_ash_cliffs_202604020528-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103145\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_ash_cliffs_202604020528-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_ash_cliffs_202604020528-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_ash_cliffs_202604020528-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_ash_cliffs_202604020528-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_ash_cliffs_202604020528-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Volcanic_ash_cliffs_202604020528.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cinzas foram detectadas at\u00e9 Hokkaido, a 1.700 km de dist\u00e2ncia ao norte, e o colapso subsequente da estrutura formou a caldeira que existe at\u00e9 hoje<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os geof\u00edsicos mapearam o reservat\u00f3rio do supervulc\u00e3o a 6 km de profundidade<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi liderada pelo geof\u00edsico <strong>Akihiro Nagaya<\/strong> e pelo professor <strong>Nobukazu Seama<\/strong>, da <strong>Universidade de Kobe<\/strong>, e publicada em <strong>27 de mar\u00e7o de 2026<\/strong> na revista <em>Communications Earth &amp; Environment<\/em>. A equipe utilizou arrays de canh\u00f5es de ar comprimido combinados com sism\u00f4metros de fundo oce\u00e2nico para realizar um imageamento s\u00edsmico detalhado sob a caldeira.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapeamento revelou uma anomalia de baixa velocidade s\u00edsmica diretamente sob a estrutura, a uma profundidade entre <strong>2,5 e 6 km<\/strong>. Os dados indicam:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Fra\u00e7\u00e3o de fus\u00e3o estimada entre <strong>3% e 10%<\/strong>, confirmando presen\u00e7a direta de magma.<\/li>\n\n\n\n<li>Volume total do reservat\u00f3rio estimado em <strong>220 km\u00b3<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>Posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica coincidente com o sistema que alimentou a erup\u00e7\u00e3o de <strong>7.300 anos atr\u00e1s<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li>Taxa de crescimento da c\u00fapula de lava central superior a <strong>8,2 km\u00b3 por mil\u00eanio<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u201cDevido \u00e0 sua extens\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro que este \u00e9 de fato o mesmo reservat\u00f3rio de magma da erup\u00e7\u00e3o anterior\u201d, afirmou <strong>Seama<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o magma encontrado \u00e9 fresco e n\u00e3o sobra da erup\u00e7\u00e3o antiga<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta mais relevante do estudo n\u00e3o \u00e9 apenas a presen\u00e7a de magma, mas a sua origem. An\u00e1lises qu\u00edmicas da composi\u00e7\u00e3o da <strong>c\u00fapula de lava<\/strong> que cresce no centro da caldeira h\u00e1 pelo menos <strong>3.900 anos<\/strong> revelaram que o material tem composi\u00e7\u00e3o distinta do magma da erup\u00e7\u00e3o de 7.300 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso descarta a hip\u00f3tese de que o reservat\u00f3rio estaria apenas retendo calor residual de um evento passado. O <strong>supervulc\u00e3o<\/strong> est\u00e1 recebendo magma recentemente injetado vindo do <strong>manto subjacente<\/strong>, em um processo ativo e cont\u00ednuo, confirmado pela composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica distinta do material novo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/POV_looking_into_202604020529-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103146\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/POV_looking_into_202604020529-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/POV_looking_into_202604020529-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/POV_looking_into_202604020529-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/POV_looking_into_202604020529-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/POV_looking_into_202604020529-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/POV_looking_into_202604020529.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A descoberta mais relevante do estudo n\u00e3o \u00e9 apenas a presen\u00e7a de magma, mas a sua origem<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O supervulc\u00e3o de Kikai representa risco iminente?<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores s\u00e3o expl\u00edcitos sobre esse ponto: a descoberta n\u00e3o indica que uma erup\u00e7\u00e3o \u00e9 iminente. <a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2026-03-japan-giant-caldera-volcano-refilling.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Segundo o portal Phys.org<\/strong><\/a>, o objetivo central do estudo \u00e9 compreender como grandes reservat\u00f3rios magm\u00e1ticos se recarregam ao longo de mil\u00eanios, conhecimento que pode melhorar a previs\u00e3o de comportamento de outros supervulc\u00f5es como <strong>Yellowstone<\/strong> (EUA) e <strong>Toba<\/strong> (Indon\u00e9sia).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o sistema est\u00e1 longe de ser inativo. Em <strong>29 de dezembro de 2025<\/strong>, ocorreu uma erup\u00e7\u00e3o na ilha de Satsuma-Iojima, a primeira desde setembro de 2024, com penachos de vapor registrados a at\u00e9 <strong>600 metros<\/strong> acima da cratera <strong>Iodake<\/strong>. O monitoramento ativo continua:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A <strong>Ag\u00eancia Meteorol\u00f3gica do Jap\u00e3o<\/strong> mant\u00e9m alerta permanente sobre a regi\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>O <strong>N\u00edvel de Alerta 2<\/strong> restringe acesso ao entorno do cume do vulc\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Penachos de vapor e atividade s\u00edsmica s\u00e3o registrados de forma cont\u00ednua.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que Kikai revela sobre o ciclo de vida dos supervulc\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>A <strong>Caldeira de Kikai<\/strong> oferece uma janela rara para entender como os maiores sistemas vulc\u00e2nicos do planeta se comportam entre erup\u00e7\u00f5es. A reinje\u00e7\u00e3o lenta e constante de magma ao longo de mil\u00eanios sugere que supervulc\u00f5es n\u00e3o ficam inativos ap\u00f3s grandes eventos, mas atravessam ciclos cont\u00ednuos de recarga que podem durar dezenas de s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento muda a forma como a ci\u00eancia avalia o risco de sistemas similares ao redor do mundo. Um <strong>supervulc\u00e3o<\/strong> em sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 necessariamente um supervulc\u00e3o em repouso, e o caso de <strong>Kikai<\/strong> \u00e9 a evid\u00eancia mais direta j\u00e1 obtida de que as engrenagens continuam girando, l\u00e1 embaixo, muito depois que a superf\u00edcie esfriou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 estruturas no planeta que dormem por mil\u00eanios sem que ningu\u00e9m perceba o que acontece l\u00e1 dentro. 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