{"id":103002,"date":"2026-04-02T17:15:00","date_gmt":"2026-04-02T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=103002"},"modified":"2026-04-02T04:46:20","modified_gmt":"2026-04-02T07:46:20","slug":"a-evidencia-genetica-mais-antiga-registrada-mostra-que-caes-viviam-com-humanos-5-000-anos-antes-do-que-se-sabia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/02\/a-evidencia-genetica-mais-antiga-registrada-mostra-que-caes-viviam-com-humanos-5-000-anos-antes-do-que-se-sabia\/","title":{"rendered":"A evid\u00eancia gen\u00e9tica mais antiga registrada mostra que c\u00e3es viviam com humanos 5.000 anos antes do que se sabia"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 ouviu que os <strong>c\u00e3es<\/strong> s\u00e3o os melhores amigos do homem h\u00e1 milhares de anos, mas a ci\u00eancia acaba de mostrar que essa amizade \u00e9 ainda mais antiga do que qualquer estimativa anterior. Dois estudos identificaram a evid\u00eancia gen\u00e9tica mais antiga j\u00e1 registrada de c\u00e3es dom\u00e9sticos, confirmando a presen\u00e7a desses animais ao lado de grupos humanos h\u00e1 pelo menos <strong>15.800 anos<\/strong>, em plena era dos ca\u00e7adores-coletores n\u00f4mades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os pesquisadores chegaram a essa descoberta sobre os c\u00e3es?<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi liderada por cientistas das <strong>Universidades de Liverpool e Oxford<\/strong>, com participa\u00e7\u00e3o de especialistas de <strong>17 institui\u00e7\u00f5es internacionais<\/strong>. A equipe analisou genomas completos extra\u00eddos de <strong>216 esqueletos de can\u00eddeos<\/strong>, sendo pelo menos <strong>181 anteriores ao Neol\u00edtico<\/strong>, ou seja, de antes do surgimento da agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>As amostras vieram de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da <strong>Europa<\/strong> e foram processadas com uma t\u00e9cnica chamada <strong>captura por hibridiza\u00e7\u00e3o<\/strong>, que aumenta a quantidade de DNA recuper\u00e1vel de ossos muito antigos. Os resultados foram ent\u00e3o comparados a mais de <strong>1.000 genomas<\/strong> de c\u00e3es modernos e antigos de todo o mundo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103038\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As amostras vieram de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da Europa e foram processadas com uma t\u00e9cnica chamada captura por hibridiza\u00e7\u00e3o, que aumenta a quantidade de DNA recuper\u00e1vel de ossos muito antigos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/01\/o-animal-que-todo-mundo-tem-em-casa-e-um-dos-predadores-mais-nocivos-do-planeta-e-ja-causou-25-das-extincoes-de-vertebrados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O animal que todo mundo tem em casa \u00e9 um dos predadores mais nocivos do planeta e j\u00e1 causou 25% das extin\u00e7\u00f5es de vertebrados<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a evid\u00eancia mais antiga encontrada e onde ela foi descoberta?<\/h2>\n\n\n\n<p>O esp\u00e9cime mais antigo confirmado \u00e9 uma <strong>f\u00eamea filhote<\/strong> encontrada no s\u00edtio arqueol\u00f3gico de <strong>P\u0131narba\u015f\u0131<\/strong>, na atual <strong>Turquia<\/strong>, datada de <strong>15.800 anos atr\u00e1s<\/strong>. O segundo mais antigo vem da <strong>Caverna de Gough<\/strong>, na <strong>Inglaterra<\/strong>, com <strong>14.300 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de separados por mais de <strong>4.000 km<\/strong>, os genomas dos dois animais eram notavelmente semelhantes. Isso indica que c\u00e3es dom\u00e9sticos j\u00e1 estavam amplamente dispersos pelo oeste da <strong>Eur\u00e1sia<\/strong> nesse per\u00edodo, muito antes do que qualquer registro anterior sugeria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que essa descoberta muda no que se sabia sobre a domestica\u00e7\u00e3o dos c\u00e3es?<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes desses estudos, o registro gen\u00e9tico mais antigo de c\u00e3o dom\u00e9stico datava de aproximadamente <strong>10.900 anos<\/strong>, proveniente do noroeste da <strong>R\u00fassia<\/strong>. A nova descoberta empurra esse limite em mais de <strong>cinco mil\u00eanios<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a an\u00e1lise gen\u00f4mica descartou uma hip\u00f3tese importante: a de que os c\u00e3es europeus teriam sido domesticados de forma independente a partir de lobos locais. Todos os esp\u00e9cimes analisados compartilham uma <strong>ancestralidade comum<\/strong> que se expandiu rapidamente pela regi\u00e3o entre <strong>18.500 e 14.000 anos atr\u00e1s<\/strong>. Entre as descobertas que reorganizam o que se sabia sobre a esp\u00e9cie:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Os c\u00e3es paleol\u00edticos europeus mostraram maior parentesco gen\u00e9tico com ra\u00e7as como o <strong>b\u00f3xer<\/strong> e o <strong>saluki<\/strong> do que com ra\u00e7as \u00e1rticas como o <strong>husky<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>A domestica\u00e7\u00e3o ocorreu pelo menos <strong>10.000 anos antes<\/strong> de qualquer outra planta ou animal ser domesticado<\/li>\n\n\n\n<li>A dispers\u00e3o pela Eur\u00e1sia foi r\u00e1pida e ampla, sugerindo que os c\u00e3es acompanhavam grupos humanos em movimento<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103039\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Antes desses estudos, o registro gen\u00e9tico mais antigo de c\u00e3o dom\u00e9stico datava de aproximadamente 10.900 anos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que os enterramentos em P\u0131narba\u015f\u0131 revelam sobre o v\u00ednculo entre humanos e c\u00e3es?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em <strong>P\u0131narba\u015f\u0131<\/strong>, filhotes foram encontrados enterrados sobre sepulturas humanas. Esse dado \u00e9 significativo: embora n\u00e3o fossem animais de companhia no sentido atual, j\u00e1 existia um v\u00ednculo estreito entre as esp\u00e9cies muito antes de qualquer estrutura social sedent\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.archaeology.org\/news\/2026\/03\/dog-domestication-europe-14000-years\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Conforme noticiado pela revista Archaeology<\/strong><\/a>, a descoberta confirma que os c\u00e3es acompanharam os primeiros humanos enquanto eles ainda viviam como ca\u00e7adores-coletores n\u00f4mades, sem territ\u00f3rios fixos ou agricultura estabelecida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a gen\u00e9tica revela sobre a origem comum de todos os c\u00e3es dom\u00e9sticos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos resultados mais relevantes dos estudos \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o houve m\u00faltiplos eventos independentes de domestica\u00e7\u00e3o na Europa. <a href=\"https:\/\/www.science.org\/content\/article\/who-let-wolves-in-genetic-record-domestic-dogs-pushed-back-5-000-years\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Segundo an\u00e1lise publicada sobre os estudos<\/strong><\/a>, todos os c\u00e3es dom\u00e9sticos europeus do per\u00edodo analisado compartilham uma linhagem gen\u00e9tica \u00fanica, que se expandiu pelo continente de forma cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador <strong>Anders Bergstr\u00f6m<\/strong>, da <strong>Universidade de East Anglia<\/strong> e coautor do estudo, a descoberta refor\u00e7a que a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e c\u00e3es n\u00e3o foi um evento isolado, mas um processo que se consolidou e se espalhou com as pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es humanas do per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os cachorros eram companheiros humanos muito antes de qualquer civiliza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O que ambos os estudos mostram, em conjunto, \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e <strong>c\u00e3es<\/strong> n\u00e3o come\u00e7ou com a sedentariza\u00e7\u00e3o, com a agricultura ou com as primeiras cidades. Ela j\u00e1 estava estabelecida quando os humanos ainda seguiam manadas e dormiam ao relento.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada novo fragmento de DNA recuperado de ossos com milhares de anos reposiciona essa hist\u00f3ria. E o filhote de <strong>P\u0131narba\u015f\u0131<\/strong>, enterrado sobre uma sepultura humana h\u00e1 quase 16 mil anos, \u00e9 at\u00e9 agora o registro mais antigo de uma liga\u00e7\u00e3o que ainda existe em bilh\u00f5es de lares ao redor do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 ouviu que os c\u00e3es s\u00e3o os melhores amigos do homem h\u00e1 milhares de anos, mas a ci\u00eancia acaba de mostrar que essa amizade \u00e9 ainda mais antiga do que qualquer estimativa anterior. 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