{"id":103438,"date":"2026-04-03T16:15:00","date_gmt":"2026-04-03T19:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=103438"},"modified":"2026-04-03T04:15:48","modified_gmt":"2026-04-03T07:15:48","slug":"cientistas-descongelam-microbios-do-alasca-com-40-000-anos-e-descobrem-que-eles-se-reorganizam-e-liberam-gases","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/03\/cientistas-descongelam-microbios-do-alasca-com-40-000-anos-e-descobrem-que-eles-se-reorganizam-e-liberam-gases\/","title":{"rendered":"Cientistas descongelam micr\u00f3bios do Alasca com 40.000 anos e descobrem que eles se reorganizam e liberam gases"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou que o solo congelado do <strong>\u00c1rtico<\/strong> poderia esconder vida antiga capaz de acordar e mudar o clima do planeta? Pesquisadores da <strong>Universidade do Colorado Boulder<\/strong> fizeram exatamente isso: reativaram <strong>micr\u00f3bios<\/strong> aprisionados no <strong>permafrost<\/strong> do <strong>Alasca<\/strong> por cerca de <strong>40.000 anos<\/strong> e descobriram que, ao descongelar, esses organismos se reorganizam, metabolizam carbono e emitem gases de efeito estufa com uma efici\u00eancia que ningu\u00e9m esperava.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 o permafrost e por que ele era considerado uma reserva segura de carbono?<\/h2>\n\n\n\n<p>O <strong>permafrost<\/strong> \u00e9 o solo que permanece congelado por pelo menos dois anos consecutivos. Por muito tempo, as camadas mais profundas foram tratadas pela ci\u00eancia como uma reserva est\u00e1vel e inerte, um cofre natural que mantinha trilh\u00f5es de toneladas de carbono org\u00e2nico trancadas sem risco de libera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa vis\u00e3o come\u00e7a a mudar. O que os experimentos da <strong>CU Boulder<\/strong> mostram \u00e9 que o congelamento n\u00e3o mata esses organismos. Ele apenas os coloca em espera, e a diferen\u00e7a entre os dois estados pode ser menor do que os modelos clim\u00e1ticos atuais assumem.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Permafrost_melting_with_202604030414-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103552\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Permafrost_melting_with_202604030414-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Permafrost_melting_with_202604030414-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Permafrost_melting_with_202604030414-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Permafrost_melting_with_202604030414-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Permafrost_melting_with_202604030414-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Permafrost_melting_with_202604030414.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O permafrost \u00e9 o solo que permanece congelado por pelo menos dois anos consecutivos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/02\/o-citroen-guardado-num-celeiro-por-38-anos-pelo-engenheiro-que-ajudou-a-bater-um-recorde-mundial-de-velocidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Citro\u00ebn guardado num celeiro por 38 anos pelo engenheiro que ajudou a bater um recorde mundial de velocidade<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os micr\u00f3bios foram coletados e onde estavam aprisionados?<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2024JG008330\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Segundo o estudo publicado em setembro de 2025 no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences<\/strong><\/a>, liderado pelo doutorando <strong>Tristan Caro<\/strong>, os micro-organismos foram coletados em uma instala\u00e7\u00e3o \u00fanica no mundo. As amostras vieram das paredes do <strong>T\u00fanel de Permafrost do Corpo de Engenheiros do Ex\u00e9rcito dos EUA<\/strong>, uma estrutura de pesquisa que se estende <strong>107 metros abaixo do solo<\/strong>, pr\u00f3ximo a <strong>Fairbanks<\/strong>, no <strong>Alasca<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse t\u00fanel permite acesso direto a camadas de permafrost com dezenas de milhares de anos de idade, algo imposs\u00edvel de replicar em superf\u00edcie. Foi ali que os pesquisadores retiraram amostras contendo <strong>micr\u00f3bios<\/strong> que n\u00e3o tinham contato com o mundo exterior desde a \u00faltima era glacial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que aconteceu quando os micr\u00f3bios foram descongelados em laborat\u00f3rio?<\/h2>\n\n\n\n<p>O processo de reativa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi imediato, mas foi consistente. Ap\u00f3s o descongelamento, os organismos levaram algumas semanas para emergir da dorm\u00eancia. Seis meses depois, as comunidades microbianas haviam passado por uma transforma\u00e7\u00e3o profunda:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Reestrutura\u00e7\u00e3o das comunidades<\/strong>: os grupos de micro-organismos se reorganizaram de forma aut\u00f4noma, assumindo composi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 das comunidades microbianas modernas encontradas na superf\u00edcie do solo<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Forma\u00e7\u00e3o de biofilmes vis\u00edveis<\/strong>: as col\u00f4nias chegaram a formar estruturas vis\u00edveis a olho nu, sinal claro de metabolismo ativo e coopera\u00e7\u00e3o entre organismos<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Metabolismo do carbono em plena atividade<\/strong>: os micr\u00f3bios passaram a decompor a mat\u00e9ria org\u00e2nica presa no solo congelado, liberando di\u00f3xido de carbono e metano como subprodutos do processo<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u201cEstas amostras n\u00e3o est\u00e3o mortas de forma alguma\u201d, afirmou <strong>Tristan Caro<\/strong>. \u201cAinda s\u00e3o perfeitamente capazes de abrigar vida robusta, capaz de decompor mat\u00e9ria org\u00e2nica e liber\u00e1-la como di\u00f3xido de carbono.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Microbial_biofilm_on_202604030414-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103553\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Microbial_biofilm_on_202604030414-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Microbial_biofilm_on_202604030414-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Microbial_biofilm_on_202604030414-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Microbial_biofilm_on_202604030414-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Microbial_biofilm_on_202604030414-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Microbial_biofilm_on_202604030414.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Forma\u00e7\u00e3o de biofilmes vis\u00edveis: as col\u00f4nias chegaram a formar estruturas vis\u00edveis a olho nu, sinal claro de metabolismo ativo e coopera\u00e7\u00e3o entre organismos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a libera\u00e7\u00e3o de gases por esses micr\u00f3bios \u00e9 um alerta clim\u00e1tico?<\/h2>\n\n\n\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 em um punhado de micro-organismos reativados em laborat\u00f3rio. Est\u00e1 no que essa reativa\u00e7\u00e3o representa em escala planet\u00e1ria. <a href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2025\/09\/10\/researchers-awaken-microbes-trapped-permafrost-thousands-years\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Conforme destacado pela Universidade do Colorado Boulder<\/strong><\/a>, o <strong>permafrost<\/strong> do <strong>\u00c1rtico<\/strong> armazena mais carbono org\u00e2nico do que atualmente existe na atmosfera na forma de CO\u2082.<\/p>\n\n\n\n<p>Se as camadas mais profundas e antigas forem atingidas pelo degelo em larga escala, o ciclo que se forma \u00e9 preocupante:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O aquecimento descongela o permafrost<\/strong>, expondo bilh\u00f5es de micr\u00f3bios adormecidos \u00e0s temperaturas mais altas<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Os micr\u00f3bios se reativam e metabolizam o carbono<\/strong> org\u00e2nico acumulado por mil\u00eanios no solo congelado<\/li>\n\n\n\n<li><strong>A libera\u00e7\u00e3o de CO\u2082 e metano intensifica o aquecimento<\/strong>, acelerando ainda mais o degelo das camadas seguintes<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esse ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o, se confirmado em escala real, pode tornar os modelos clim\u00e1ticos atuais significativamente mais otimistas do que a realidade permitiria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o \u00c1rtico \u00e9 o epicentro dessa preocupa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/h2>\n\n\n\n<p>O <strong>\u00c1rtico<\/strong> aquece de duas a quatro vezes mais r\u00e1pido do que o restante do planeta, tornando a regi\u00e3o o primeiro laborat\u00f3rio natural onde esse processo pode ser observado em tempo real. O <strong>permafrost<\/strong> da \u00e1rea abrange vastas extens\u00f5es da <strong>Sib\u00e9ria<\/strong>, do <strong>Canad\u00e1<\/strong> e do <strong>Alasca<\/strong>, e boa parte dessas camadas nunca foi considerada vulner\u00e1vel ao degelo dentro dos horizontes clim\u00e1ticos projetados.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta de que camadas com <strong>40.000 anos<\/strong> de idade ainda abrigam <strong>micr\u00f3bios<\/strong> funcionais muda essa equa\u00e7\u00e3o. O que era tratado como zona segura passa a ser encarado como uma vari\u00e1vel ativa nos modelos de emiss\u00e3o, e isso exige revis\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es usadas para orientar pol\u00edticas clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arctic_permafrost_landscape_202604030415-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103554\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arctic_permafrost_landscape_202604030415-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arctic_permafrost_landscape_202604030415-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arctic_permafrost_landscape_202604030415-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arctic_permafrost_landscape_202604030415-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arctic_permafrost_landscape_202604030415-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Arctic_permafrost_landscape_202604030415.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O \u00c1rtico aquece de duas a quatro vezes mais r\u00e1pido do que o restante do planeta<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que essa descoberta muda na forma como a ci\u00eancia entende o permafrost antigo<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, a maioria dos estudos sobre emiss\u00f5es de carbono do <strong>permafrost<\/strong> se concentrava nas camadas superficiais e mais recentes, consideradas as mais vulner\u00e1veis ao degelo. A pesquisa da <strong>CU Boulder<\/strong> abre uma nova frente: as camadas profundas, antes vistas como inertes, tamb\u00e9m precisam ser monitoradas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que <strong>Tristan Caro<\/strong> e sua equipe demonstraram \u00e9 que a idade do congelamento n\u00e3o determina a capacidade de resposta dos <strong>micr\u00f3bios<\/strong>. Quarenta mil anos de espera n\u00e3o apagaram nem enfraqueceram esses organismos. Quando as condi\u00e7\u00f5es mudaram, eles simplesmente retomaram o trabalho de onde pararam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou que o solo congelado do \u00c1rtico poderia esconder vida antiga capaz de acordar e mudar o clima do planeta? 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