{"id":104623,"date":"2026-04-05T17:15:00","date_gmt":"2026-04-05T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=104623"},"modified":"2026-04-05T13:50:25","modified_gmt":"2026-04-05T16:50:25","slug":"o-tubarao-que-pode-viver-392-anos-foi-flagrado-pela-primeira-vez-nas-profundezas-congeladas-da-antartida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/05\/o-tubarao-que-pode-viver-392-anos-foi-flagrado-pela-primeira-vez-nas-profundezas-congeladas-da-antartida\/","title":{"rendered":"O tubar\u00e3o que pode viver 392 anos foi flagrado pela primeira vez nas profundezas congeladas da Ant\u00e1rtida"},"content":{"rendered":"\n<p>Imagine um animal que j\u00e1 estava vivo quando o <strong>Brasil<\/strong> ainda era col\u00f4nia portuguesa e continua nadando hoje nas profundezas do oceano. O <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> foi registrado pela primeira vez nas \u00e1guas quase congeladas da <strong>Ant\u00e1rtida<\/strong>, a <strong>490 metros de profundidade<\/strong>, desafiando tudo o que a ci\u00eancia acreditava sobre os limites da vida marinha nos polos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o tubar\u00e3o-dorminhoco foi flagrado nas profundezas da Ant\u00e1rtida?<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta ocorreu nas proximidades das <strong>Ilhas Shetland do Sul<\/strong>, onde c\u00e2meras submarinas registraram um exemplar com cerca de <strong>4 metros de comprimento<\/strong>. At\u00e9 ent\u00e3o, a ci\u00eancia considerava o continente ant\u00e1rtico hostil demais para qualquer esp\u00e9cie de tubar\u00e3o devido \u00e0s temperaturas extremas.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor <strong>Alan Jamieson<\/strong>, diretor do <strong>Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica Minderoo-UWA<\/strong>, relatou que a observa\u00e7\u00e3o foi feita em \u00e1guas a <strong>1,27 \u00b0C<\/strong>, pr\u00f3ximas do ponto de congelamento. O animal estava em uma camada ligeiramente mais quente, o que pode indicar a exist\u00eancia de corredores t\u00e9rmicos que permitem sua penetra\u00e7\u00e3o mais ao sul.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88201\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O animal, identificado como um tubar\u00e3o-dorminhoco, estava em uma camada de \u00e1gua ligeiramente mais quente, o que pode indicar a exist\u00eancia de corredores t\u00e9rmicos que permitem sua penetra\u00e7\u00e3o mais ao sul<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/03\/06\/cientistas-capturam-imagens-raras-de-um-tubarao-dorminhoco-em-aguas-gelidas-da-antartida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cientistas capturam imagens raras de um tubar\u00e3o-dorminhoco em \u00e1guas g\u00e9lidas da Ant\u00e1rtida<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os superpoderes de sobreviv\u00eancia do tubar\u00e3o-dorminhoco em \u00e1guas congeladas?<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicla.com\/animales\/2026\/03\/un-tiburon-descubierto-en-aguas-antarticas-tiene-superpoderes-de-supervivencia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Segundo a National Geographic<\/strong><\/a>, as imagens publicadas em <strong>fevereiro de 2026<\/strong> confirmam que esses animais s\u00e3o aut\u00eanticos tubar\u00f5es polares. A resist\u00eancia deles reside em uma constitui\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00fanica, desenvolvida para economizar energia em condi\u00e7\u00f5es severas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente de predadores velozes, o <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> adota um estilo de vida lento, crescendo menos de <strong>1 cent\u00edmetro por ano<\/strong> e nadando em velocidades reduzidas. Essa rotina pausada permite que o corpo conserve o calor necess\u00e1rio para manter as fun\u00e7\u00f5es vitais em funcionamento constante.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88200\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para evitar o congelamento interno, os tecidos desses animais s\u00e3o carregados com altas concentra\u00e7\u00f5es de ureia e N-\u00f3xido de trimetilamina (TMAO)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o tubar\u00e3o-dorminhoco pode viver at\u00e9 392 anos?<\/h2>\n\n\n\n<p>O grupo do g\u00eanero <strong>Somniosus<\/strong> inclui o famoso <strong>tubar\u00e3o-da-groenl\u00e2ndia<\/strong>, reconhecido como o <strong>vertebrado com a vida mais longa do planeta<\/strong>. Estudos realizados em <strong>2016<\/strong> indicaram que indiv\u00edduos dessa linhagem podem atingir <strong>392 anos<\/strong>, estabelecendo recordes absolutos de longevidade na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas gen\u00e9ticas recentes revelaram os mecanismos por tr\u00e1s dessa longevidade extrema. Os fatores gen\u00e9ticos que sustentam essa sobreviv\u00eancia incluem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>81 genes espec\u00edficos<\/strong> voltados para a repara\u00e7\u00e3o constante do DNA celular<\/li>\n\n\n\n<li>Vers\u00e3o alterada do gene <strong>TP53<\/strong>, respons\u00e1vel por suprimir tumores e proteger o genoma<\/li>\n\n\n\n<li>Via de sinaliza\u00e7\u00e3o <strong>NF-\u03baB duplicada<\/strong> para fortalecer o sistema imunit\u00e1rio<\/li>\n\n\n\n<li>Altas dosagens de <strong>TMAO<\/strong> para estabilizar enzimas em ambientes de frio intenso<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a ureia e o TMAO funcionam como anticongelante no corpo do tubar\u00e3o-dorminhoco?<\/h2>\n\n\n\n<p>Para evitar o congelamento interno, os tecidos desses animais carregam altas concentra\u00e7\u00f5es de dois compostos qu\u00edmicos que trabalham em conjunto. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de precis\u00e3o que a evolu\u00e7\u00e3o levou milh\u00f5es de anos para desenvolver:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ureia:<\/strong> auxilia no equil\u00edbrio osm\u00f3tico com a \u00e1gua salgada, permitindo a vida em ambientes de alta salinidade, mas desestabiliza as prote\u00ednas do corpo como efeito colateral<\/li>\n\n\n\n<li><strong>TMAO (N-\u00f3xido de trimetilamina):<\/strong> age como estabilizador qu\u00edmico que contrabalan\u00e7a o efeito da ureia, permitindo o funcionamento enzim\u00e1tico em temperaturas pr\u00f3ximas ao ponto de congelamento<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a simult\u00e2nea dos dois compostos em alta concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 o que permite ao <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> manter a sa\u00fade celular em \u00e1guas a <strong>1,27 \u00b0C<\/strong>, onde qualquer outro vertebrado simplesmente n\u00e3o sobreviveria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aprofundar essa descoberta hist\u00f3rica nas profundezas, selecionamos o conte\u00fado do canal <strong>Firstpost<\/strong>, com mais de <strong>9,36 milh\u00f5es de inscritos<\/strong>. No v\u00eddeo a seguir, as imagens capturadas mostram o exemplar de <strong>4 metros<\/strong> nadando calmamente em temperaturas pr\u00f3ximas do congelamento:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"982\" height=\"552\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LPsH--Bog-U\" title=\"Massive Sleeper Shark Filmed in Antarctic Waters for First Time | Spotlight | N18G\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a presen\u00e7a desse animal revela sobre o futuro dos oceanos polares?<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com a ocean\u00f3grafa <strong>Jessica Kolbusz<\/strong>, este \u00e9 o primeiro registro in situ de um elasmobr\u00e2nquio no <strong>oceano Austral<\/strong>. A possibilidade de existir um corredor de \u00e1gua quente permitindo essa migra\u00e7\u00e3o para o sul levanta novas quest\u00f5es sobre o impacto ambiental e a movimenta\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p>O registro refor\u00e7a a necessidade de novos estudos para mapear se o <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> \u00e9 um residente permanente ou um visitante ocasional da <strong>Ant\u00e1rtida<\/strong>. Entender como esses predadores operam nas sombras do gelo ajuda a proteger ecossistemas sob constante press\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88199\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O registro refor\u00e7a a necessidade de novos estudos para mapear se o tubar\u00e3o-dorminhoco \u00e9 um residente permanente ou um visitante ocasional da Ant\u00e1rtida<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma criatura de s\u00e9culos que reescreve os limites da vida nos oceanos<\/h2>\n\n\n\n<p>Um animal que cresce menos de <strong>1 cent\u00edmetro por ano<\/strong>, carrega um arsenal gen\u00e9tico contra o envelhecimento e sobrevive em \u00e1guas a <strong>1,27 \u00b0C<\/strong> n\u00e3o \u00e9 apenas uma raridade biol\u00f3gica. \u00c9 a prova de que os oceanos ainda guardam formas de vida que desafiam qualquer limite que a ci\u00eancia julgava definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada nova imagem capturada nas profundezas polares amplia o mapa do que \u00e9 poss\u00edvel na natureza. O <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> da <strong>Ant\u00e1rtida<\/strong> n\u00e3o \u00e9 um visitante improv\u00e1vel do fundo do mar, \u00e9 um lembrete de que o planeta ainda tem muito mais a revelar do que j\u00e1 foi registrado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine um animal que j\u00e1 estava vivo quando o Brasil ainda era col\u00f4nia portuguesa e continua nadando hoje nas profundezas do oceano. O tubar\u00e3o-dorminhoco foi registrado pela primeira vez nas \u00e1guas quase congeladas da Ant\u00e1rtida, a 490 metros de profundidade, desafiando tudo o que a ci\u00eancia acreditava sobre os limites da vida marinha nos polos. 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