{"id":107290,"date":"2026-04-11T23:45:00","date_gmt":"2026-04-12T02:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=107290"},"modified":"2026-04-11T04:14:20","modified_gmt":"2026-04-11T07:14:20","slug":"o-mar-do-norte-do-chile-comecou-seu-resfriamento-definitivo-ha-tres-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/11\/o-mar-do-norte-do-chile-comecou-seu-resfriamento-definitivo-ha-tres-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"O Mar do Norte do Chile come\u00e7ou seu resfriamento definitivo h\u00e1 tr\u00eas milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"\n<p>As costas de Coquimbo, no norte do Chile, guardam nas suas rochas marinhas uma esp\u00e9cie de arquivo natural sobre a hist\u00f3ria do&nbsp;<strong>oceano Pac\u00edfico<\/strong>&nbsp;naquela regi\u00e3o, permitindo entender como o ambiente marinho local deixou de ser predominantemente quente para adquirir as caracter\u00edsticas mais frias e produtivas atuais, um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ocorrido no&nbsp;<strong>Plioceno<\/strong>&nbsp;que hoje serve como refer\u00eancia para compreender cen\u00e1rios de&nbsp;<strong>aquecimento global<\/strong>&nbsp;projetados at\u00e9 o fim do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o mar de Coquimbo ganhou sua fauna moderna?<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa publicada na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S089598112500029X?via%3Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Journal of South American Earth Sciences<\/a> usou t\u00e9cnicas de\u00a0<strong>data\u00e7\u00e3o de alta precis\u00e3o<\/strong>\u00a0e compara\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis para reconstituir a fauna marinha antiga da regi\u00e3o.\u00a0Com isso, foi poss\u00edvel identificar quais grupos de animais marinhos desapareceram com o resfriamento e quais linhagens se estabeleceram nas novas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As evid\u00eancias apontam que, aproximadamente&nbsp;<strong>3 milh\u00f5es de anos<\/strong>&nbsp;atr\u00e1s, teve in\u00edcio um resfriamento cont\u00ednuo que modificou de forma profunda a composi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies que habitavam o litoral de Coquimbo e de outras \u00e1reas do norte chileno.&nbsp;Essa transforma\u00e7\u00e3o marca o momento em que o sistema costeiro come\u00e7ou a se aproximar do cen\u00e1rio atual.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Quando-o-mar-de-Coquimbo-ganhou-sua-fauna-moderna-1024x576.jpg\" alt=\"O Mar do Norte do Chile come\u00e7ou seu resfriamento definitivo h\u00e1 tr\u00eas milh\u00f5es de anos\" class=\"wp-image-107603\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Quando-o-mar-de-Coquimbo-ganhou-sua-fauna-moderna-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Quando-o-mar-de-Coquimbo-ganhou-sua-fauna-moderna-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Quando-o-mar-de-Coquimbo-ganhou-sua-fauna-moderna-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Quando-o-mar-de-Coquimbo-ganhou-sua-fauna-moderna-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Quando-o-mar-de-Coquimbo-ganhou-sua-fauna-moderna-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Quando-o-mar-de-Coquimbo-ganhou-sua-fauna-moderna.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um resfriamento iniciado h\u00e1 3 milh\u00f5es de anos remodelou a fauna marinha chilena para o cen\u00e1rio atual.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/08\/cientistas-descobrem-que-a-tromba-do-elefante-abriga-um-sistema-sensorial-unico-1-000-vibrissas-com-inteligencia-material-que-funcionam-como-um-mapa-tatil-integrado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cientistas descobrem que a tromba do elefante abriga um sistema sensorial \u00fanico: 1.000 vibrissas com \u201cintelig\u00eancia material\u201d que funcionam como um mapa t\u00e1til integrado<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o Plioceno ajuda a entender o aquecimento global?<\/h2>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>Plioceno<\/strong>&nbsp;\u00e9 uma \u00e9poca geol\u00f3gica do Neogeno compreendida entre cerca de 5,33 e 2,58 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, caracterizada por temperaturas m\u00e9dias globais mais altas que as atuais e concentra\u00e7\u00f5es elevadas de&nbsp;<strong>gases de efeito estufa<\/strong>. Essas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0s projetadas para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas caso n\u00e3o haja forte redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, esse intervalo de tempo \u00e9 visto como um&nbsp;<strong>an\u00e1logo clim\u00e1tico<\/strong>&nbsp;valioso para entender como oceanos, faunas marinhas e ecossistemas costeiros podem responder ao aquecimento em curso.&nbsp;Ao estudar o Plioceno, cientistas avaliam padr\u00f5es de extin\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e surgimento de novas comunidades para antecipar poss\u00edveis impactos futuros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual o papel da Corrente de Humboldt no resfriamento do Pac\u00edfico chileno?<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de cerca de 3 milh\u00f5es de anos, o mar ao largo de Coquimbo era mais quente e lembrava, em termos de temperatura superficial, a costa do Peru, com valores em torno de 17 \u00b0C.&nbsp;Esse cen\u00e1rio mais morno sustentava uma fauna distinta da atual, com presen\u00e7a de&nbsp;<strong>esp\u00e9cies t\u00edpicas de \u00e1guas quentes<\/strong>&nbsp;que hoje n\u00e3o s\u00e3o encontradas nessas latitudes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados paleontol\u00f3gicos mostram que, ao longo do resfriamento, parte importante da chamada&nbsp;<strong>fauna de \u00e1guas quentes<\/strong>&nbsp;foi sendo substitu\u00edda por organismos adaptados a \u00e1guas frias e ricas em nutrientes.&nbsp;Em dep\u00f3sitos como os de Lomas del Sauce, foram encontrados restos de&nbsp;<em>tubar\u00f5es serra<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>tubar\u00f5es cornudos<\/em>, grupos hoje ausentes na costa chilena moderna, mas presentes em regi\u00f5es como o Caribe e o litoral peruano.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Redu\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;das esp\u00e9cies t\u00edpicas de \u00e1guas quentes.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Expans\u00e3o<\/strong>&nbsp;de moluscos e peixes adaptados ao frio.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Maior disponibilidade<\/strong>&nbsp;de nutrientes na coluna d\u2019\u00e1gua.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Estabelecimento<\/strong>&nbsp;de aves e mam\u00edferos marinhos dependentes de alta produtividade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/08\/o-gelo-na-antartida-tem-mais-de-2-000-metros-de-espessura-nao-e-nada-comparado-com-o-que-temos-aqui\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O gelo na Ant\u00e1rtida tem mais de 2.000 metros de espessura. N\u00e3o \u00e9 nada comparado com o que temos aqui<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a Corrente de Humboldt mudou a fauna marinha de Coquimbo?<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo ressalta que o estabelecimento da&nbsp;<strong>Corrente de Humboldt<\/strong>&nbsp;com caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s atuais foi um dos motores principais do resfriamento das \u00e1guas do Pac\u00edfico junto \u00e0 costa chilena.&nbsp;O fechamento do istmo do Panam\u00e1, cerca de 4 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, alterou a circula\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica global e fortaleceu essa corrente fria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo antes dessa configura\u00e7\u00e3o moderna, j\u00e1 existiam zonas de&nbsp;<strong>surg\u00eancia costeira<\/strong>, em que ventos empurram a \u00e1gua superficial e permitem a subida de \u00e1gua fria do fundo, rica em nutrientes.&nbsp;Durante o Plioceno, a intensidade desse processo aumentou, consolidando um ambiente temperado frio na costa chilena e favorecendo um profundo&nbsp;<strong>rec\u00e2mbio ecol\u00f3gico<\/strong>&nbsp;nas comunidades marinhas.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Aves marinhas<\/strong>&nbsp;e mam\u00edferos filtradores se tornaram mais abundantes.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Moluscos de \u00e1guas frias<\/strong>, como machas e grandes mexilh\u00f5es, passaram a dominar.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Megalodonte<\/strong>&nbsp;e outras grandes esp\u00e9cies desapareceram da regi\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Baleias filtradoras<\/strong>&nbsp;cresceram em tamanho com a alta oferta de krill.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Como-a-Corrente-de-Humboldt-mudou-a-fauna-marinha-de-Coquimbo-1024x576.jpg\" alt=\"O Mar do Norte do Chile come\u00e7ou seu resfriamento definitivo h\u00e1 tr\u00eas milh\u00f5es de 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\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O fortalecimento da Corrente de Humboldt e da surg\u00eancia costeira remodelou a fauna chilena, favorecendo esp\u00e9cies de \u00e1guas frias.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que o passado de Coquimbo revela sobre o clima futuro?<\/h2>\n\n\n\n<p>Os cientistas aplicaram m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o baseados em&nbsp;<strong>is\u00f3topos de estr\u00f4ncio<\/strong>&nbsp;em conchas f\u00f3sseis, o que permitiu calibrar com precis\u00e3o a idade dos dep\u00f3sitos e montar um calend\u00e1rio das mudan\u00e7as.&nbsp;Os resultados indicam que, aproximadamente 300 mil anos atr\u00e1s, o sistema oceanogr\u00e1fico moderno j\u00e1 estava essencialmente instalado em Coquimbo, com fauna e condi\u00e7\u00f5es ambientais compar\u00e1veis \u00e0s atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar como o oceano respondeu no Plioceno, com extin\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies, migra\u00e7\u00e3o de outras e forma\u00e7\u00e3o de novas comunidades, os pesquisadores buscam pistas sobre cen\u00e1rios poss\u00edveis para o final do s\u00e9culo XXI.&nbsp;A principal mensagem \u00e9 que mudan\u00e7as na&nbsp;<strong>temperatura do mar<\/strong>&nbsp;tendem a provocar fortes reconfigura\u00e7\u00f5es na fauna costeira, sem eliminar toda a vida marinha, e que compreender o passado ajuda a planejar respostas mais eficazes no presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As costas de Coquimbo, no norte do Chile, guardam nas suas rochas marinhas uma esp\u00e9cie de arquivo natural sobre a hist\u00f3ria do&nbsp;oceano Pac\u00edfico&nbsp;naquela regi\u00e3o, permitindo entender como o ambiente marinho local deixou de ser predominantemente quente para adquirir as caracter\u00edsticas mais frias e produtivas atuais, um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ocorrido no&nbsp;Plioceno&nbsp;que hoje serve como 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