{"id":109587,"date":"2026-04-16T13:35:00","date_gmt":"2026-04-16T16:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=109587"},"modified":"2026-04-15T00:29:44","modified_gmt":"2026-04-15T03:29:44","slug":"citroen-parado-em-um-celeiro-por-38-anos-pertence-ao-engenheiro-que-ajudou-a-bater-o-recorde-mundial-de-velocidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/16\/citroen-parado-em-um-celeiro-por-38-anos-pertence-ao-engenheiro-que-ajudou-a-bater-o-recorde-mundial-de-velocidade\/","title":{"rendered":"Citro\u00ebn parado em um celeiro por 38 anos pertence ao engenheiro que ajudou a bater o recorde mundial de velocidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Em outubro de <strong>1983<\/strong>, o engenheiro <strong>John Watkins<\/strong> ajudou a colocar o <strong>Thrust 2<\/strong> no livro dos recordes com <strong>1.019 km\/h<\/strong> no deserto de Nevada. No mesmo m\u00eas, comprou um <strong>Citro\u00ebn<\/strong> modesto para o dia a dia. Cinco anos depois, guardou o carro num celeiro em <strong>Lincolnshire<\/strong> para uma restaura\u00e7\u00e3o que nunca aconteceu e a porta s\u00f3 foi aberta <strong>38 anos depois<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem era John Watkins e qual \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o com o recorde mundial?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>John Watkins<\/strong> era engenheiro da <strong>For\u00e7a A\u00e9rea Real Brit\u00e2nica (RAF)<\/strong> e trabalhou diretamente no <strong>Thrust 2<\/strong>, o ve\u00edculo a jato que estabeleceu o recorde mundial de velocidade terrestre em <strong>outubro de 1983<\/strong>. Pilotado por <strong>Richard Noble<\/strong> no deserto de <strong>Black Rock<\/strong>, em <strong>Nevada<\/strong>, o Thrust 2 atingiu <strong>633,468 mph<\/strong> (cerca de <strong>1.019 km\/h<\/strong>) em velocidade oficial, com picos de at\u00e9 <strong>650,88 mph<\/strong> nas passagens mais r\u00e1pidas.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo m\u00eas em que ajudou a colocar o <strong>Thrust 2<\/strong> nos livros do <strong><a href=\"https:\/\/www.guinnessworldrecords.com\/news\/2018\/10\/meet-the-fastest-cars-in-the-world-20-years-after-thrust-sscs-land-speed-record-544103\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Guinness World Records<\/a><\/strong>, Watkins comprou seu carro pessoal: um simples hatchback de fam\u00edlia com motor de <strong>1,6 litro<\/strong> e velocidade m\u00e1xima de <strong>109 km\/h<\/strong>. A diferen\u00e7a entre os dois ve\u00edculos era de quase dez vezes. O homem que trabalhou no carro mais r\u00e1pido sobre a Terra escolheu, para o dia a dia, um dos modelos mais modestos do mercado europeu da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Abandoned_car_growing_202604020514-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103111\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Abandoned_car_growing_202604020514-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Abandoned_car_growing_202604020514-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Abandoned_car_growing_202604020514-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Abandoned_car_growing_202604020514-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Abandoned_car_growing_202604020514-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Abandoned_car_growing_202604020514.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">John Watkins era engenheiro da For\u00e7a A\u00e9rea Real Brit\u00e2nica (RAF) e trabalhou diretamente no Thrust 2, o ve\u00edculo a jato que estabeleceu o recorde mundial de velocidade terrestre em outubro de 1983<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/14\/o-que-significa-a-placa-de-transito-com-triangulo-de-borda-vermelha-e-circulo-preto-no-meio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que significa a placa de tr\u00e2nsito com tri\u00e2ngulo de borda vermelha e c\u00edrculo preto no meio?<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o Citro\u00ebn BX ficou 38 anos guardado sem ser tocado?<\/h2>\n\n\n\n<p>Watkins usou o <strong>Citro\u00ebn BX 16RS<\/strong> por cinco anos e o guardou no celeiro em <strong>1988<\/strong> com a inten\u00e7\u00e3o de fazer uma restaura\u00e7\u00e3o. A porta nunca mais foi aberta. Com o passar das d\u00e9cadas, o carro foi sendo incorporado \u00e0 paisagem do galp\u00e3o, cercado por ferramentas, caixas e objetos dom\u00e9sticos acumulados ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria s\u00f3 veio a p\u00fablico em <strong>janeiro de 2026<\/strong>, quando a fam\u00edlia chamou <strong>Jonny Smith<\/strong>, apresentador do canal brit\u00e2nico <strong>The Late Brake Show<\/strong>, especializado em autom\u00f3veis cl\u00e1ssicos e barn finds, para inspecionar o ve\u00edculo. O que ele encontrou era o retrato fiel de <strong>38 anos de abandono<\/strong>: camada grossa de poeira cobrindo toda a carroceria, ferrugem em v\u00e1rios pontos, danos de roedores na estofagem e na fia\u00e7\u00e3o, uma roda faltando e o motor recusando a partir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que ainda estava preservado no interior do carro?<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do estado deteriorado, o <strong>Citro\u00ebn<\/strong> guardou elementos que surpreenderam os especialistas. A carroceria mantinha a estrutura b\u00e1sica intacta, os vidros estavam inteiros e os componentes originais de f\u00e1brica seguiam presentes. Entre os destaques estavam:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A <strong>suspens\u00e3o hidroneum\u00e1tica<\/strong> caracter\u00edstica da Citro\u00ebn, sistema exclusivo da marca que usa esferas de g\u00e1s para absor\u00e7\u00e3o de impactos.<\/li>\n\n\n\n<li>O <strong>painel original<\/strong> da \u00e9poca, com todos os instrumentos no lugar.<\/li>\n\n\n\n<li>Os <strong>tecidos dos bancos<\/strong> dos anos 1980, deteriorados, mas reconhec\u00edveis.<\/li>\n\n\n\n<li>Os <strong>componentes mec\u00e2nicos originais de f\u00e1brica<\/strong>, sem substitui\u00e7\u00f5es posteriores.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>No jardim da propriedade, a equipe encontrou ainda um <strong>Triumph 2000<\/strong> cl\u00e1ssico parado desde <strong>1983<\/strong>, com uma \u00e1rvore crescendo atrav\u00e9s do banco, transformado em pe\u00e7a quase escultural pela natureza.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Suspension_sphere_caked_202604020515-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103114\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Suspension_sphere_caked_202604020515-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Suspension_sphere_caked_202604020515-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Suspension_sphere_caked_202604020515-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Suspension_sphere_caked_202604020515-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Suspension_sphere_caked_202604020515-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Suspension_sphere_caked_202604020515.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Apesar do estado deteriorado, o Citro\u00ebn guardou elementos que surpreenderam os especialistas<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que um Citro\u00ebn BX comum virou raridade?<\/h2>\n\n\n\n<p>O <strong>Citro\u00ebn BX<\/strong> foi produzido entre <strong>1982 e 1994<\/strong>, com mais de <strong>2,3 milh\u00f5es de unidades<\/strong> fabricadas. O paradoxo \u00e9 que, justamente por n\u00e3o ser caro o suficiente para ser preservado, mas \u00fatil o suficiente para ser rodado at\u00e9 o fim, a maioria dos exemplares desapareceu nas sucatas antes de atingir o status de cl\u00e1ssico.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do registro brit\u00e2nico de ve\u00edculos mostram que apenas <strong>194 unidades<\/strong> do BX ainda circulam no <strong>Reino Unido<\/strong>, com outras <strong>1.083 declaradas fora de circula\u00e7\u00e3o<\/strong>. O exemplar de <strong>Lincolnshire<\/strong> se destaca n\u00e3o pelo valor de mercado, mas pela hist\u00f3ria documentada e verific\u00e1vel que carrega, com pe\u00e7as originais intactas e proveni\u00eancia diretamente ligada a um dos momentos mais marcantes da engenharia automotiva do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>O canal <strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@TheLateBrakeShow\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Late Brake Show<\/a><\/strong>, com mais de <strong>787 mil inscritos<\/strong> especializados em autom\u00f3veis cl\u00e1ssicos e descobertas raras, acompanhou toda a inspe\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo e a tentativa de reativa\u00e7\u00e3o do motor, documentando cada detalhe do barn find de <strong>Lincolnshire<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"957\" height=\"538\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zs3azSaMfvE\" title=\"Barn Find 80s Classic Parked When it was 5 years old (By Thrust 2\u2019s World Record Engineer)\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 um barn find e por que esse caso \u00e9 especial?<\/h2>\n\n\n\n<p>O termo barn find, literalmente \u201cachado de celeiro\u201d, descreve a descoberta de um ve\u00edculo cl\u00e1ssico esquecido em propriedades rurais, garagens ou galp\u00f5es por d\u00e9cadas. \u00c9 o sonho dos colecionadores: um ve\u00edculo que escapou das sucatas, dos acidentes e das reformas mal feitas justamente por ser esquecido no momento certo.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Citro\u00ebn<\/strong> de <strong>John Watkins<\/strong> \u00e9 um exemplo quase perfeito do g\u00eanero, n\u00e3o pelo valor financeiro, mas pela narrativa que carrega. Um engenheiro que ajudou a quebrar o recorde de velocidade terrestre no mesmo m\u00eas em que comprou um carro de fam\u00edlia modesto, guardou o ve\u00edculo cinco anos depois e nunca voltou. Trinta e oito anos de sil\u00eancio num celeiro ingl\u00eas transformaram um hatchback comum em um objeto com hist\u00f3ria imposs\u00edvel de reproduzir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro de 1983, o engenheiro John Watkins ajudou a colocar o Thrust 2 no livro dos recordes com 1.019 km\/h no deserto de Nevada. No mesmo m\u00eas, comprou um Citro\u00ebn modesto para o dia a dia. 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