{"id":111273,"date":"2026-04-19T17:15:00","date_gmt":"2026-04-19T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=111273"},"modified":"2026-04-19T03:20:46","modified_gmt":"2026-04-19T06:20:46","slug":"pela-primeira-vez-cientistas-conseguem-isolar-rna-de-um-animal-extinto-guardado-em-museu-desde-1891","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/19\/pela-primeira-vez-cientistas-conseguem-isolar-rna-de-um-animal-extinto-guardado-em-museu-desde-1891\/","title":{"rendered":"Pela primeira vez, cientistas conseguem isolar RNA de um animal extinto guardado em museu desde 1891"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou que um bicho empalhado h\u00e1 mais de um s\u00e9culo ainda pudesse guardar instru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas vivas? Cientistas da <strong>Su\u00e9cia<\/strong> conseguiram, pela primeira vez, recuperar <strong>RNA de um animal extinto<\/strong>. As amostras vieram de um <strong>tigre-da-Tasm\u00e2nia<\/strong> guardado desde <strong>1891<\/strong> no <strong>Museu Sueco de Hist\u00f3ria Natural<\/strong>, revelando como as c\u00e9lulas do predador realmente funcionavam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde o material gen\u00e9tico do tigre-da-Tasm\u00e2nia estava escondido?<\/h2>\n\n\n\n<p>O pesquisador <strong>Emilio M\u00e1rmol S\u00e1nchez<\/strong> e sua equipe da <strong>Universidade de Estocolmo<\/strong> realizaram um feito hist\u00f3rico com uma pe\u00e7a esquecida nas gavetas. O tecido celular analisado pertencia a um <strong>tilacino<\/strong>, o inconfund\u00edvel <strong>tigre-da-Tasm\u00e2nia<\/strong>, armazenado desde <strong>1891<\/strong> no acervo cient\u00edfico do <strong>Museu Sueco de Hist\u00f3ria Natural<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC10552650\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>A pesquisa oficial publicada na revista Genome Research<\/strong><\/a> em <strong>19 de setembro de 2023<\/strong> revelou que a carca\u00e7a permaneceu em temperatura ambiente por mais de <strong>130 anos<\/strong>, sem refrigera\u00e7\u00e3o especial. Para a surpresa do grupo laboratorial, as amostras de pele e de m\u00fasculo esquel\u00e9tico mantinham uma qualidade assombrosa, permitindo reconstruir pela primeira vez os transcriptomas complexos da criatura.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Archive_room_museum_202604190319-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111300\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Archive_room_museum_202604190319-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Archive_room_museum_202604190319-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Archive_room_museum_202604190319-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Archive_room_museum_202604190319-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Archive_room_museum_202604190319-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Archive_room_museum_202604190319.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O tecido celular analisado pertencia a um tilacino, o inconfund\u00edvel tigre-da-Tasm\u00e2nia, armazenado desde 1891 no acervo cient\u00edfico do Museu Sueco de Hist\u00f3ria Natural<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/18\/uma-minhoca-siberiana-ficou-congelada-desde-a-era-dos-neandertais-e-ao-ser-descongelada-em-laboratorio-simplesmente-voltou-a-vida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma minhoca siberiana ficou congelada desde a era dos neandertais e, ao ser descongelada em laborat\u00f3rio, simplesmente voltou \u00e0 vida<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que extrair o RNA de um animal extinto parecia imposs\u00edvel na biologia?<\/h2>\n\n\n\n<p>O resgate de DNA antigo j\u00e1 ocorreu em f\u00f3sseis com mais de <strong>2 milh\u00f5es de anos<\/strong>, mas tentar replicar o processo com a fita de \u00e1cido ribonucleico era considerado um desperd\u00edcio de tempo. A comunidade cient\u00edfica sempre esbarrou na instabilidade natural dessa mol\u00e9cula, que se degrada aceleradamente logo ap\u00f3s a fal\u00eancia m\u00faltipla dos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>O fracasso constante nos laborat\u00f3rios mundiais ocorria por conta da fragilidade da estrutura perante a a\u00e7\u00e3o feroz das enzimas naturais. As chamadas <strong>ribonucleases<\/strong>, que est\u00e3o ativas na imensa maioria dos tecidos vivos, destroem rapidamente os filamentos gen\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2023\/09\/230919153758.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>A fa\u00e7anha celebrada na cidade de Estocolmo quebra essa barreira biol\u00f3gica<\/strong><\/a> e altera definitivamente os rumos pr\u00e1ticos da <strong>paleogen\u00f4mica<\/strong>, viabilizando o estudo de organismos milenares com uma riqueza de detalhes in\u00e9dita.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Glass_jar_with_202604190319-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111302\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Glass_jar_with_202604190319-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Glass_jar_with_202604190319-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Glass_jar_with_202604190319-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Glass_jar_with_202604190319-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Glass_jar_with_202604190319-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Glass_jar_with_202604190319.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O resgate de DNA antigo j\u00e1 ocorreu em f\u00f3sseis com mais de 2 milh\u00f5es de anos, mas tentar replicar o processo com a fita de \u00e1cido ribonucleico era considerado um desperd\u00edcio de tempo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os microRNAs exclusivos que o predador australiano guardou por um s\u00e9culo<\/h2>\n\n\n\n<p>A decodifica\u00e7\u00e3o dos dados entregou informa\u00e7\u00f5es que as antigas montagens baseadas apenas em DNA jamais conseguiram fornecer. A equipe conseguiu identificar c\u00f3digos que constroem prote\u00ednas musculares e anotar genes de processamento riboss\u00f4mico totalmente ausentes nos bancos de dados atuais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.sci.news\/genetics\/tasmanian-tiger-rna-12279.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>O professor associado Marc R. Friedl\u00e4nder confirmou aos ve\u00edculos de ci\u00eancia<\/strong><\/a> a detec\u00e7\u00e3o de <strong>microRNAs exclusivos<\/strong> da esp\u00e9cie, que s\u00e3o pequenas mol\u00e9culas regulat\u00f3rias fundamentais para a express\u00e3o celular. O especialista celebrou publicamente a oportunidade \u00fanica de vislumbrar essas engrenagens biol\u00f3gicas que sumiram da face da Terra h\u00e1 mais de cem anos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Hands_holding_naturalist_202604190319-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111303\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Hands_holding_naturalist_202604190319-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Hands_holding_naturalist_202604190319-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Hands_holding_naturalist_202604190319-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Hands_holding_naturalist_202604190319-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Hands_holding_naturalist_202604190319-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Hands_holding_naturalist_202604190319.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A decodifica\u00e7\u00e3o dos dados entregou informa\u00e7\u00f5es que as antigas montagens baseadas apenas em DNA jamais conseguiram fornecer<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impressionante avan\u00e7o laboratorial no sequenciamento do tecido cerebral<\/h2>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o investigativa n\u00e3o parou nas amostras musculares e atingiu o sistema nervoso central no m\u00eas de <strong>outubro de 2024<\/strong>. A empresa americana de biotecnologia <strong>Colossal Biosciences<\/strong> isolou filamentos de longa cadeia a partir de uma cabe\u00e7a conservada submersa em etanol por exatos <strong>110 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa raridade histol\u00f3gica entregou fragmentos essenciais para montar o transcriptoma cerebral da fera. A leitura moderna revelou exatamente como os \u00f3rg\u00e3os sensoriais do predador processavam as informa\u00e7\u00f5es durante a ca\u00e7a nas florestas fechadas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cavidade nasal:<\/strong> decifrando os receptores que rastreavam o cheiro das presas ocultas na escurid\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tecido ocular:<\/strong> detalhando o funcionamento gen\u00e9tico da vis\u00e3o noturna e percep\u00e7\u00e3o de contrastes.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>M\u00fasculo da l\u00edngua:<\/strong> mapeando a sensibilidade gustativa e as prefer\u00eancias de alimenta\u00e7\u00e3o do carn\u00edvoro.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Para aprofundar os detalhes tecnol\u00f3gicos desse mapeamento ambicioso, selecionamos o conte\u00fado do canal <strong>Olhar Digital<\/strong>, que conta com mais de <strong>947 mil inscritos<\/strong> acompanhando as inova\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. No v\u00eddeo a seguir, a equipe de jornalismo pontua como a leitura do genoma completo pavimenta a longa estrada para a desextin\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"957\" height=\"538\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pzTyTP3dj0Y\" title=\"O Tigre-da-tasm\u00e2nia pode voltar \u00e0 vida!\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A chave biol\u00f3gica definitiva para trazer o animal de volta \u00e0 vida<\/h2>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo exemplar vivo respirou pela \u00faltima vez nas jaulas do <strong>Zool\u00f3gico de Beaumaris<\/strong>, situado na g\u00e9lida cidade de <strong>Hobart<\/strong>, no dia <strong>7 de setembro de 1936<\/strong>. Embora a curiosidade hist\u00f3rica fosse o motor da pesquisa, a leitura dessas mol\u00e9culas acelera consideravelmente os projetos bilion\u00e1rios focados na ressurrei\u00e7\u00e3o deste animal e do imponente mamute-lanoso.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a crucial do processo \u00e9 que a fita dupla tradicional funciona apenas como uma planta arquitet\u00f4nica est\u00e1tica, enquanto a fita simples recuperada mostra exatamente os interruptores que ligam e desligam os comandos nas c\u00e9lulas vitais. Essa instru\u00e7\u00e3o de funcionamento \u00e9 a pe\u00e7a essencial que faltava para gerar um embri\u00e3o funcional e vi\u00e1vel, nutrindo o sonho palp\u00e1vel de ver o ca\u00e7ador listrado retornando ao ecossistema da <strong>Tasm\u00e2nia<\/strong> muito em breve.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou que um bicho empalhado h\u00e1 mais de um s\u00e9culo ainda pudesse guardar instru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas vivas? 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