{"id":112052,"date":"2026-04-22T10:45:00","date_gmt":"2026-04-22T13:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=112052"},"modified":"2026-04-21T14:54:15","modified_gmt":"2026-04-21T17:54:15","slug":"antes-podiamos-ir-para-a-inglaterra-agora-o-dna-revela-novas-informacoes-sobre-o-pais-pre-historico-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/22\/antes-podiamos-ir-para-a-inglaterra-agora-o-dna-revela-novas-informacoes-sobre-o-pais-pre-historico-perdido\/","title":{"rendered":"Antes pod\u00edamos ir para a Inglaterra: agora o DNA revela novas informa\u00e7\u00f5es sobre o pa\u00eds pr\u00e9-hist\u00f3rico perdido"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Doggerland<\/strong> \u00e9 o nome dado a uma extensa faixa de terra que, h\u00e1 milhares de anos, ligava a Gr\u00e3-Bretanha ao continente europeu, onde hoje se encontra o fundo do <strong>mar do Norte<\/strong>. Durante a fase mais fria da \u00faltima era do gelo, grandes volumes de \u00e1gua estavam presos em imensas calotas de gelo, fazendo com que o n\u00edvel do mar ficasse muito mais baixo do que o atual, formando <strong>plan\u00edcies, vales e florestas<\/strong> que criavam um ambiente cont\u00ednuo entre o atual Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 Doggerland e por que esse \u201ccontinente perdido\u201d interessa \u00e0 ci\u00eancia?<\/h2>\n\n\n\n<p>A palavra-chave central \u00e9 <strong>Doggerland<\/strong>, usada pelos pesquisadores para descrever o antigo territ\u00f3rio que ficou submerso entre cerca de 10.000 e 6.000 anos atr\u00e1s, durante o aumento do n\u00edvel do mar no Holoceno inicial. O interesse cient\u00edfico cresceu porque a \u00e1rea funciona como um laborat\u00f3rio natural para entender como ecossistemas e popula\u00e7\u00f5es humanas responderam a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas r\u00e1pidas e \u00e0 subida do mar.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de Doggerland tamb\u00e9m ajuda a reconstruir a hist\u00f3ria do <em>mar do Norte<\/em> e a evolu\u00e7\u00e3o da paisagem europeia ap\u00f3s a \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o. A regi\u00e3o ainda permite comparar transforma\u00e7\u00f5es passadas com processos atuais de eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, relevantes para zonas costeiras modernas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-rich is-provider-pinterest wp-block-embed-pinterest\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Doggerland - Europe&#039;s Lost Land\" src=\"https:\/\/assets.pinterest.com\/ext\/embed.html?id=4011087159086696&#038;src=oembed\" height=\"636\" width=\"450\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" ><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que paisagem existia antes de o mar ocupar a regi\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>Descri\u00e7\u00f5es baseadas em novos dados de DNA sedimentar indicam que <strong>Doggerland<\/strong> abrigava um mosaico de ambientes, com florestas, zonas pantanosas e campos abertos. \u00c1rvores t\u00edpicas de zonas temperadas, como carvalhos, aveleiras, olmos e amieiros, j\u00e1 ocupavam a \u00e1rea pouco tempo depois do auge da era do gelo, formando uma cobertura vegetal densa e diversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas recentes apontam que esp\u00e9cies como t\u00edlias, b\u00e9tulas e pinheiros tamb\u00e9m faziam parte da vegeta\u00e7\u00e3o local, sugerindo um ambiente relativamente ameno, com ampla disponibilidade de \u00e1gua doce. Em etapas posteriores, o aumento de vest\u00edgios de plantas marinhas nos sedimentos revela o avan\u00e7o progressivo do mar e a transforma\u00e7\u00e3o da antiga plan\u00edcie em fundo marinho.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paisagem-de-Doggerland-1024x576.jpg\" alt=\"Doggerland \" class=\"wp-image-112055\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paisagem-de-Doggerland-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paisagem-de-Doggerland-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paisagem-de-Doggerland-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paisagem-de-Doggerland-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paisagem-de-Doggerland-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paisagem-de-Doggerland.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Descri\u00e7\u00f5es baseadas em novos dados de DNA sedimentar indicam que Doggerland abrigava um mosaico de ambientes, com florestas, zonas pantanosas e campos abertos.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que animais e ecossistemas caracterizavam a fauna de Doggerland?<\/h2>\n\n\n\n<p>An\u00e1lises de DNA preservado no fundo do <strong>mar do Norte<\/strong> mostram que <strong>Doggerland<\/strong> sustentava uma fauna variada, t\u00edpica de paisagens florestadas e zonas \u00famidas. Entre os mam\u00edferos identificados, aparecem javalis, veados, ursos, lobos, grandes bovinos selvagens e diferentes roedores, indicando cadeias alimentares complexas e bem estruturadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o tamb\u00e9m abrigava aves aqu\u00e1ticas, passeriformes e r\u00e9pteis, como tartarugas de \u00e1reas pantanosas, associados a margens de rios, p\u00e2ntanos e lagos continentais. Com o passar dos mil\u00eanios, a substitui\u00e7\u00e3o gradual de registros de esp\u00e9cies terrestres por organismos marinhos nos sedimentos refor\u00e7a a ideia de uma transi\u00e7\u00e3o lenta at\u00e9 a inunda\u00e7\u00e3o definitiva, h\u00e1 cerca de 6.000 a 7.000 anos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/animais-de-Doggerland-1024x576.jpg\" alt=\"Doggerland \" class=\"wp-image-112056\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/animais-de-Doggerland-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/animais-de-Doggerland-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/animais-de-Doggerland-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/animais-de-Doggerland-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/animais-de-Doggerland-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/animais-de-Doggerland.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entre os mam\u00edferos identificados, aparecem javalis, veados, ursos, lobos, grandes bovinos selvagens e diferentes roedores, indicando cadeias alimentares complexas e bem estruturadas.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/21\/uma-descoberta-misteriosa-nas-profundezas-do-polo-um-submarino-autonomo-revelou-estruturas-desconhecidas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma descoberta misteriosa nas profundezas do polo: um submarino aut\u00f4nomo revelou estruturas desconhecidas.<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Este territ\u00f3rio era habit\u00e1vel para grupos humanos pr\u00e9-hist\u00f3ricos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Evid\u00eancias indiretas indicam que <strong>Doggerland<\/strong> oferecia boas condi\u00e7\u00f5es para grupos humanos de ca\u00e7adores-coletores, com abund\u00e2ncia de recursos alimentares e mat\u00e9rias-primas. Florestas ricas em frutos, zonas alagadas com aves e peixes e mam\u00edferos de m\u00e9dio e grande porte garantiam uma base variada de subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade de plantas sugere a disponibilidade de madeira e fibras para abrigos, ferramentas e combust\u00e3o, favorecendo ocupa\u00e7\u00f5es sazonais ou duradouras. Alguns pesquisadores prop\u00f5em que partes da \u00e1rea funcionaram como ref\u00fagios durante fases mais frias, facilitando a circula\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e de grupos humanos entre a Gr\u00e3-Bretanha e o continente, antes da forma\u00e7\u00e3o definitiva do <em>mar do Norte<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Confira as informa\u00e7\u00f5es do canal &#8220;<strong>VidaOn Fatos<\/strong>&#8221; <strong>no YouTube<\/strong>, explicando mais sobre Doggerland:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/phZzZ9_xaw0?si=XjbyEU2z50o0fQ9U\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a ci\u00eancia investiga Doggerland atualmente?<\/h2>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o desse antigo territ\u00f3rio submerso combina geologia marinha, arqueologia, paleontologia e biologia molecular, integradas em projetos de grande escala. Um dos avan\u00e7os mais citados \u00e9 o uso de <strong>DNA sedimentar<\/strong>, ou seja, fragmentos de material gen\u00e9tico preservados em camadas de lama e areia no fundo do mar, que revelam quais esp\u00e9cies viveram ali em diferentes per\u00edodos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para interpretar esses dados, equipes de pesquisa analisam a granulometria dos sedimentos para entender a din\u00e2mica de deposi\u00e7\u00e3o e a origem do material. A partir da\u00ed, v\u00e1rios procedimentos s\u00e3o articulados de forma sistem\u00e1tica, formando uma sequ\u00eancia de etapas de trabalho cient\u00edfico:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Coleta de n\u00facleos de sedimento em pontos espec\u00edficos de bancos e vales submersos.<\/li>\n\n\n\n<li>Data\u00e7\u00e3o das camadas para estabelecer uma linha do tempo ambiental confi\u00e1vel.<\/li>\n\n\n\n<li>An\u00e1lise de DNA antigo para identificar plantas, animais terrestres e organismos marinhos.<\/li>\n\n\n\n<li>Integra\u00e7\u00e3o com mapas geof\u00edsicos do fundo do <strong>mar do Norte<\/strong> para reconstruir a paisagem.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/investigacao-do-territorio-1024x576.jpg\" alt=\"Doggerland \" class=\"wp-image-112059\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/investigacao-do-territorio-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/investigacao-do-territorio-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/investigacao-do-territorio-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/investigacao-do-territorio-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/investigacao-do-territorio-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/investigacao-do-territorio.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A investiga\u00e7\u00e3o desse antigo territ\u00f3rio submerso combina geologia marinha, arqueologia, paleontologia e biologia molecular, integradas em projetos de grande escala.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que Doggerland revela sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e eleva\u00e7\u00e3o do mar?<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo de <strong>Doggerland<\/strong> oferece um exemplo hist\u00f3rico de como o aumento do n\u00edvel do mar pode transformar por completo uma paisagem habit\u00e1vel em \u00e1rea submersa. Em poucos milhares de anos, florestas, rios e campos foram substitu\u00eddos por ecossistemas marinhos, em um processo gradual com fases de alagamento parcial e forma\u00e7\u00e3o de ilhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa trajet\u00f3ria \u00e9 usada como refer\u00eancia para entender impactos futuros de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em zonas costeiras atuais, ainda que o contexto moderno seja diferente. O registro de <strong>Doggerland<\/strong> mostra como sociedades humanas e ambientes naturais podem ser afetados pela eleva\u00e7\u00e3o do mar em escalas de tempo relativamente curtas, tornando esse \u201ccontinente perdido\u201d um cap\u00edtulo fundamental da hist\u00f3ria ambiental europeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doggerland \u00e9 o nome dado a uma extensa faixa de terra que, h\u00e1 milhares de anos, ligava a Gr\u00e3-Bretanha ao continente europeu, onde hoje se encontra o fundo do mar do Norte. 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