{"id":114485,"date":"2026-04-28T16:05:00","date_gmt":"2026-04-28T19:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=114485"},"modified":"2026-04-27T17:41:35","modified_gmt":"2026-04-27T20:41:35","slug":"a-expressao-derramar-lagrimas-de-crocodilo-tem-origens-medievais-curiosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/28\/a-expressao-derramar-lagrimas-de-crocodilo-tem-origens-medievais-curiosas\/","title":{"rendered":"A express\u00e3o &#8220;derramar l\u00e1grimas de crocodilo&#8221; tem origens medievais curiosas"},"content":{"rendered":"\n<p>Express\u00f5es populares carregam hist\u00f3rias curiosas, e poucas s\u00e3o t\u00e3o intrigantes quanto \u201cl\u00e1grimas de crocodilo\u201d. Usada at\u00e9 hoje para descrever um choro falso ou manipulador, essa frase tem ra\u00edzes em um imagin\u00e1rio medieval repleto de exageros e narrativas fant\u00e1sticas que moldaram a comunica\u00e7\u00e3o ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como surgiu a express\u00e3o l\u00e1grimas de crocodilo?<\/h2>\n\n\n\n<p>A origem da express\u00e3o remonta ao s\u00e9culo XIV, com a obra The Travels of Sir John Mandeville, um relato de viagens repleto de descri\u00e7\u00f5es ex\u00f3ticas e, muitas vezes, fantasiosas. Nesse texto, crocodilos eram retratados como criaturas que choravam enquanto devoravam suas presas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa imagem contradit\u00f3ria, de um predador que aparenta tristeza ao mesmo tempo em que ataca, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos leitores da \u00e9poca. Mesmo sendo cientificamente incorreta, a ideia se espalhou e passou a simbolizar a falsidade emocional.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lagrimas-1-1-1024x576.jpg\" alt=\"l\u00e1grimas de crocodilo\" class=\"wp-image-114486\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lagrimas-1-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lagrimas-1-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lagrimas-1-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lagrimas-1-1-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lagrimas-1-1-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lagrimas-1-1.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma caricatura de Bernhard Gillam retratando Ulysses S. Grant cortejando eleitores judeus ao derramar &#8220;l\u00e1grimas de crocodilo&#8221; pela persegui\u00e7\u00e3o aos judeus na R\u00fassia. \/ Dom\u00ednio p\u00fablico.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que essa hist\u00f3ria medieval ganhou tanta for\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p>No contexto medieval, relatos de viagem misturavam observa\u00e7\u00e3o com imagina\u00e7\u00e3o. A aus\u00eancia de conhecimento cient\u00edfico detalhado permitia que hist\u00f3rias como essa fossem aceitas e replicadas sem grandes questionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns fatores explicam a populariza\u00e7\u00e3o dessa narrativa:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Fasc\u00ednio por criaturas ex\u00f3ticas e desconhecidas<\/li>\n\n\n\n<li>Falta de comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na \u00e9poca<\/li>\n\n\n\n<li>Interesse por hist\u00f3rias que misturavam moralidade e fantasia<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/25\/para-a-jabuticabeira-produzir-frutos-o-ano-todo-o-segredo-esta-em-um-cuidado-que-quase-ninguem-faz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Para a\u00a0jabuticabeira\u00a0produzir frutos o ano todo, o segredo est\u00e1 em um cuidado que quase ningu\u00e9m faz<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como Shakespeare ajudou a popularizar o termo?<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi no per\u00edodo renascentista que a express\u00e3o ganhou for\u00e7a definitiva. O dramaturgo William Shakespeare incorporou a ideia em suas obras, ajudando a consolidar o significado simb\u00f3lico da express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pe\u00e7a Othello, o termo aparece associado \u00e0 falsidade emocional e manipula\u00e7\u00e3o. A partir desse momento, \u201cl\u00e1grimas de crocodilo\u201d passou a ser amplamente reconhecida como uma met\u00e1fora para sentimentos fingidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Saiba mais no v\u00eddeo de @<strong>LeandroLima<\/strong> em seu canal no <strong>Youtube:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"951\" height=\"535\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0z8lHdus35A\" title=\"Como surgiu a express\u00e3o l\u00e1grimas de CROCODILO? - Fique Sabendo, fatos desconhecidos e hist\u00f3rias\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a ci\u00eancia diz sobre os crocodilos chorarem?<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora crocodilos realmente possam produzir l\u00e1grimas, isso n\u00e3o est\u00e1 ligado a emo\u00e7\u00f5es como tristeza ou arrependimento. Trata-se de um processo fisiol\u00f3gico relacionado \u00e0 lubrifica\u00e7\u00e3o dos olhos e \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa diferen\u00e7a entre mito e realidade pode ser resumida em alguns pontos importantes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Crocodilos possuem gl\u00e2ndulas lacrimais funcionais<\/li>\n\n\n\n<li>As l\u00e1grimas t\u00eam fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, n\u00e3o emocional<\/li>\n\n\n\n<li>O comportamento descrito na Idade M\u00e9dia \u00e9 um equ\u00edvoco interpretativo<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/preza-1-1-1024x576.jpg\" alt=\"l\u00e1grimas de crocodilo\" class=\"wp-image-114487\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/preza-1-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/preza-1-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/preza-1-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/preza-1-1-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/preza-1-1-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/preza-1-1.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">sentimentos fingidos e mostra como narrativas antigas moldam a linguagem moderna.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/25\/a-maneira-como-as-pessoas-dormiam-ha-300-anos-e-de-assustar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A maneira como as pessoas dormiam h\u00e1 300 anos \u00e9 de assustar<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a express\u00e3o continua sendo usada at\u00e9 hoje?<\/h2>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a dessa express\u00e3o est\u00e1 na sua capacidade de transmitir uma ideia complexa de forma simples e visual. A imagem de algu\u00e9m chorando sem sentir de fato cria uma met\u00e1fora poderosa, facilmente compreendida em diferentes contextos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo s\u00e9culos depois, \u201cl\u00e1grimas de crocodilo\u201d permanece relevante, mostrando como narrativas antigas podem moldar a linguagem moderna. \u00c9 um exemplo claro de como mitos e literatura influenciam a forma como interpretamos comportamentos humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Express\u00f5es populares carregam hist\u00f3rias curiosas, e poucas s\u00e3o t\u00e3o intrigantes quanto \u201cl\u00e1grimas de crocodilo\u201d. Usada at\u00e9 hoje para descrever um choro falso ou manipulador, essa frase tem ra\u00edzes em um imagin\u00e1rio medieval repleto de exageros e narrativas fant\u00e1sticas que moldaram a comunica\u00e7\u00e3o ao longo dos s\u00e9culos. Como surgiu a express\u00e3o l\u00e1grimas de crocodilo? 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