{"id":114556,"date":"2026-04-26T17:15:00","date_gmt":"2026-04-26T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=114556"},"modified":"2026-04-25T23:41:35","modified_gmt":"2026-04-26T02:41:35","slug":"caes-ja-acompanhavam-humanos-5-000-anos-antes-do-que-a-ciencia-sabia-revela-o-dna-mais-antigo-ja-registrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/26\/caes-ja-acompanhavam-humanos-5-000-anos-antes-do-que-a-ciencia-sabia-revela-o-dna-mais-antigo-ja-registrado\/","title":{"rendered":"C\u00e3es\u00a0j\u00e1 acompanhavam humanos 5.000 anos antes do que a ci\u00eancia sabia, revela o DNA mais antigo j\u00e1 registrado"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu que os <strong>c\u00e3es<\/strong> s\u00e3o os melhores amigos do homem h\u00e1 milhares de anos? A ci\u00eancia acaba de descobrir que essa amizade \u00e9 muito mais antiga do que se pensava. Um filhote encontrado na <strong>Turquia <\/strong>revelou que os c\u00e3es j\u00e1 acompanhavam grupos humanos h\u00e1 quase <strong>16.000 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os pesquisadores chegaram a essa descoberta sobre os c\u00e3es?<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi liderada por cientistas das <strong>Universidades de Liverpool e Oxford<\/strong>, com participa\u00e7\u00e3o de especialistas de <strong>17 institui\u00e7\u00f5es internacionais<\/strong>. A equipe analisou genomas completos extra\u00eddos de <strong>216 esqueletos de can\u00eddeos<\/strong>, sendo pelo menos <strong>181 anteriores ao Neol\u00edtico<\/strong>, ou seja, de antes do surgimento da agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>As amostras vieram de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da <strong>Europa<\/strong> e foram processadas com uma t\u00e9cnica chamada <strong>captura por hibridiza\u00e7\u00e3o<\/strong>, que aumenta a quantidade de DNA recuper\u00e1vel de ossos muito antigos. Os resultados foram ent\u00e3o comparados a mais de <strong>1.000 genomas<\/strong> de c\u00e3es modernos e antigos de todo o mundo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103038\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Puppy_skeleton_buried_202604020445.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As amostras vieram de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da Europa e foram processadas com uma t\u00e9cnica chamada captura por hibridiza\u00e7\u00e3o, que aumenta a quantidade de DNA recuper\u00e1vel de ossos muito antigos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/25\/os-cupins-devoram-a-madeira-em-silencio-e-so-aparecem-quando-o-estrago-esta-feito-aprenda-como-elimina-los\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Os cupins devoram a\u00a0madeira\u00a0em sil\u00eancio e s\u00f3 aparecem quando o estrago est\u00e1 feito: aprenda como elimin\u00e1-los<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a evid\u00eancia mais antiga encontrada e onde ela foi descoberta?<\/h2>\n\n\n\n<p>O esp\u00e9cime mais antigo confirmado \u00e9 uma <strong>f\u00eamea filhote<\/strong> encontrada no s\u00edtio arqueol\u00f3gico de <strong>P\u0131narba\u015f\u0131<\/strong>, na atual <strong>Turquia<\/strong>, datada de <strong>15.800 anos atr\u00e1s<\/strong>. O segundo mais antigo vem da <strong>Caverna de Gough<\/strong>, na <strong>Inglaterra<\/strong>, com <strong>14.300 anos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de separados por mais de <strong>4.000 km<\/strong>, os genomas dos dois animais eram notavelmente semelhantes. Isso indica que c\u00e3es dom\u00e9sticos j\u00e1 estavam amplamente dispersos pelo oeste da <strong>Eur\u00e1sia<\/strong> nesse per\u00edodo, muito antes do que qualquer registro anterior sugeria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que essa descoberta muda no que se sabia sobre a domestica\u00e7\u00e3o dos c\u00e3es?<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes desses estudos, o registro gen\u00e9tico mais antigo de c\u00e3o dom\u00e9stico datava de aproximadamente <strong>10.900 anos<\/strong>, proveniente do noroeste da <strong>R\u00fassia<\/strong>. A nova descoberta empurra esse limite em mais de <strong>cinco mil\u00eanios<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a an\u00e1lise gen\u00f4mica descartou uma hip\u00f3tese importante: a de que os c\u00e3es europeus teriam sido domesticados de forma independente a partir de lobos locais. Todos os esp\u00e9cimes analisados compartilham uma <strong>ancestralidade comum<\/strong> que se expandiu rapidamente pela regi\u00e3o entre <strong>18.500 e 14.000 anos atr\u00e1s<\/strong>. Entre as descobertas que reorganizam o que se sabia sobre a esp\u00e9cie:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Os c\u00e3es paleol\u00edticos europeus mostraram maior parentesco gen\u00e9tico com ra\u00e7as como o <strong>b\u00f3xer<\/strong> e o <strong>saluki<\/strong> do que com ra\u00e7as \u00e1rticas como o <strong>husky<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>A domestica\u00e7\u00e3o ocorreu pelo menos <strong>10.000 anos antes<\/strong> de qualquer outra planta ou animal ser domesticado<\/li>\n\n\n\n<li>A dispers\u00e3o pela Eur\u00e1sia foi r\u00e1pida e ampla, sugerindo que os c\u00e3es acompanhavam grupos humanos em movimento<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103039\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Human_and_dog_202604020445.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Antes desses estudos, o registro gen\u00e9tico mais antigo de c\u00e3o dom\u00e9stico datava de aproximadamente 10.900 anos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que os enterramentos em P\u0131narba\u015f\u0131 revelam sobre o v\u00ednculo entre humanos e c\u00e3es?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em <strong>P\u0131narba\u015f\u0131<\/strong>, filhotes foram encontrados enterrados sobre sepulturas humanas. Esse dado \u00e9 significativo: embora n\u00e3o fossem animais de companhia no sentido atual, j\u00e1 existia um v\u00ednculo estreito entre as esp\u00e9cies muito antes de qualquer estrutura social sedent\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.archaeology.org\/news\/2026\/03\/dog-domestication-europe-14000-years\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Conforme noticiado pela revista Archaeology<\/strong><\/a>, a descoberta confirma que os c\u00e3es acompanharam os primeiros humanos enquanto eles ainda viviam como ca\u00e7adores-coletores n\u00f4mades, sem territ\u00f3rios fixos ou agricultura estabelecida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a gen\u00e9tica revela sobre a origem comum de todos os c\u00e3es dom\u00e9sticos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos resultados mais relevantes dos estudos \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o houve m\u00faltiplos eventos independentes de domestica\u00e7\u00e3o na Europa. <a href=\"https:\/\/www.science.org\/content\/article\/who-let-wolves-in-genetic-record-domestic-dogs-pushed-back-5-000-years\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Segundo an\u00e1lise publicada sobre os estudos<\/strong><\/a>, todos os c\u00e3es dom\u00e9sticos europeus do per\u00edodo analisado compartilham uma linhagem gen\u00e9tica \u00fanica, que se expandiu pelo continente de forma cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador <strong>Anders Bergstr\u00f6m<\/strong>, da <strong>Universidade de East Anglia<\/strong> e coautor do estudo, a descoberta refor\u00e7a que a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e c\u00e3es n\u00e3o foi um evento isolado, mas um processo que se consolidou e se espalhou com as pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es humanas do per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os cachorros eram companheiros humanos muito antes de qualquer civiliza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O que ambos os estudos mostram, em conjunto, \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e <strong>c\u00e3es<\/strong> n\u00e3o come\u00e7ou com a sedentariza\u00e7\u00e3o, com a agricultura ou com as primeiras cidades. Ela j\u00e1 estava estabelecida quando os humanos ainda seguiam manadas e dormiam ao relento.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada novo fragmento de DNA recuperado de ossos com milhares de anos reposiciona essa hist\u00f3ria. E o filhote de <strong>P\u0131narba\u015f\u0131<\/strong>, enterrado sobre uma sepultura humana h\u00e1 quase 16 mil anos, \u00e9 at\u00e9 agora o registro mais antigo de uma liga\u00e7\u00e3o que ainda existe em bilh\u00f5es de lares ao redor do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu que os c\u00e3es s\u00e3o os melhores amigos do homem h\u00e1 milhares de anos? A ci\u00eancia acaba de descobrir que essa amizade \u00e9 muito mais antiga do que se pensava. Um filhote encontrado na Turquia revelou que os c\u00e3es j\u00e1 acompanhavam grupos humanos h\u00e1 quase 16.000 anos. 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