{"id":118431,"date":"2026-05-05T17:15:00","date_gmt":"2026-05-05T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=118431"},"modified":"2026-05-04T18:49:53","modified_gmt":"2026-05-04T21:49:53","slug":"a-proteina-nos-olhos-da-libelula-que-permite-enxergar-tons-de-vermelho-quase-invisiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/05\/05\/a-proteina-nos-olhos-da-libelula-que-permite-enxergar-tons-de-vermelho-quase-invisiveis\/","title":{"rendered":"A prote\u00edna nos olhos da lib\u00e9lula que permite enxergar tons de vermelho quase invis\u00edveis"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c0 primeira vista, uma <strong>lib\u00e9lula<\/strong> parece apenas um inseto \u00e1gil de olhos enormes. Mas dentro desses olhos, pesquisadores encontraram uma prote\u00edna ligada \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do vermelho profundo, revelando um mecanismo visual que se aproxima de uma solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m usada por mam\u00edferos, incluindo os humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A prote\u00edna que coloca a lib\u00e9lula no mesmo n\u00edvel visual dos humanos<\/h2>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o colorida depende de prote\u00ednas especializadas que captam a luz no olho. Nos mam\u00edferos, a capacidade de enxergar o vermelho existe porque uma parte muito espec\u00edfica dessas prote\u00ednas tem uma configura\u00e7\u00e3o particular, como uma pe\u00e7a de encaixe no lugar certo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/41559344\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>O estudo publicado no peri\u00f3dico Cellular and Molecular Life Sciences<\/strong><\/a> identificou que a prote\u00edna respons\u00e1vel pela vis\u00e3o vermelha da <strong>lib\u00e9lula<\/strong> tem exatamente essa mesma configura\u00e7\u00e3o. Com ela, o inseto consegue enxergar comprimentos de onda ao redor de <strong>720 nan\u00f4metros<\/strong>, o equivalente ao vermelho mais profundo que existe, al\u00e9m do que a maioria dos insetos consegue perceber.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3._IMAGEM_202604170514-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-110488\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3._IMAGEM_202604170514-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3._IMAGEM_202604170514-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3._IMAGEM_202604170514-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3._IMAGEM_202604170514-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3._IMAGEM_202604170514-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3._IMAGEM_202604170514.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A vis\u00e3o colorida depende de opsinas, prote\u00ednas receptoras de luz presentes nas c\u00e9lulas da retina<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/05\/02\/a-4-000-metros-de-profundidade-no-pacifico-pesquisadores-acharam-24-animais-que-a-ciencia-nunca-tinha-visto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A 4.000 metros de profundidade no Pac\u00edfico, pesquisadores acharam 24 animais que a ci\u00eancia nunca tinha visto<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a lib\u00e9lula enxerga que outros insetos n\u00e3o conseguem?<\/h2>\n\n\n\n<p>A equipe foi al\u00e9m da an\u00e1lise da prote\u00edna e testou uma hip\u00f3tese pr\u00e1tica: medindo a <strong>luz refletida pela superf\u00edcie do corpo<\/strong> das lib\u00e9lulas, os pesquisadores encontraram diferen\u00e7as n\u00edtidas entre machos e f\u00eameas nas faixas vermelha e quase infravermelha do espectro, algo invis\u00edvel para a maioria dos insetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o comunicado oficial da <a href=\"https:\/\/www.omu.ac.jp\/en\/info\/research-news\/entry-108239.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Universidade Metropolitana de Osaka<\/strong><\/a>, o pesquisador <strong>Ryu Sato<\/strong> afirmou que o resultado foi inesperado e sugere que o mesmo processo evolutivo ocorreu de forma independente em grupos muito distantes. Essa capacidade visual serve para ao menos tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Distinguir machos de f\u00eameas em fra\u00e7\u00f5es de segundo durante o voo a alta velocidade<\/li>\n\n\n\n<li>Detectar presas e rivais em ambientes com pouca luz ou vegeta\u00e7\u00e3o densa<\/li>\n\n\n\n<li>Perceber diferen\u00e7as na superf\u00edcie do corpo de outros animais que a vis\u00e3o humana n\u00e3o capta<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Olhos que cobrem quase 360 graus e nunca perdem uma presa<\/h2>\n\n\n\n<p>Os olhos das lib\u00e9lulas ocupam a maior parte da cabe\u00e7a e proporcionam um campo de vis\u00e3o de quase <strong>360 graus<\/strong>. Esse sistema j\u00e1 era reconhecido como um dos mais eficientes do reino animal, capaz de detectar e interceptar presas em movimento a partir de m\u00faltiplos \u00e2ngulos ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O canal <strong>TV C\u00e2mara Caraguatatuba<\/strong>, com mais de <strong>7 mil inscritos<\/strong>, dedicou um epis\u00f3dio inteiro ao sistema visual desses insetos. No v\u00eddeo a seguir, as curiosidades sobre os olhos da lib\u00e9lula ganham uma dimens\u00e3o visual dif\u00edcil de ignorar:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"1095\" height=\"616\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j_ttrU2F_3A\" title=\"VOC\u00ca SABIA LIB\u00c9LULA.\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma \u00fanica mudan\u00e7a molecular que resintoniza toda a vis\u00e3o do inseto<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores usaram uma t\u00e9cnica de laborat\u00f3rio que altera pontos espec\u00edficos de uma prote\u00edna para confirmar qual parte dela define o alcance da vis\u00e3o. O resultado foi direto: <strong>uma ou duas trocas m\u00ednimas<\/strong> na estrutura da prote\u00edna s\u00e3o suficientes para mudar completamente a faixa de cores que o animal consegue enxergar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra fam\u00edlia de lib\u00e9lulas, uma varia\u00e7\u00e3o diferente na mesma prote\u00edna empurra a vis\u00e3o ainda mais al\u00e9m do vermelho, entrando na faixa da <strong>luz infravermelha<\/strong>, aquela que os humanos n\u00e3o conseguem ver de forma alguma. As implica\u00e7\u00f5es para a ci\u00eancia evolutiva s\u00e3o significativas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A evolu\u00e7\u00e3o pode repetir as mesmas solu\u00e7\u00f5es moleculares quando dois grupos enfrentam os mesmos desafios<\/li>\n\n\n\n<li>Prote\u00ednas com essa flexibilidade t\u00eam alto potencial de uso em biotecnologia<\/li>\n\n\n\n<li>O padr\u00e3o ajuda a prever como a vis\u00e3o colorida pode evoluir em outros animais<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que dois animais t\u00e3o diferentes chegaram \u00e0 mesma solu\u00e7\u00e3o visual?<\/h2>\n\n\n\n<p>O que torna este caso not\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 apenas a fun\u00e7\u00e3o que convergiu, mas o mecanismo exato: a mesma posi\u00e7\u00e3o, na mesma fam\u00edlia de prote\u00ednas, em dois grupos de animais sem nenhum parentesco pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2026-04-dragonflies-humans-red-wavelengths-nm.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Segundo a cobertura do Phys.org<\/strong><\/a>, isso indica que essa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o eficiente que a evolu\u00e7\u00e3o a \u201cdescobriu\u201d mais de uma vez, de forma completamente independente, ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A descoberta abre caminho para uma nova gera\u00e7\u00e3o de ferramentas m\u00e9dicas<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma \u00e1rea da medicina chamada <strong>optogen\u00e9tica<\/strong> usa prote\u00ednas sens\u00edveis \u00e0 luz para ativar ou monitorar c\u00e9lulas espec\u00edficas no corpo. O problema \u00e9 que a luz comum n\u00e3o penetra fundo nos tecidos, limitando muito esse tipo de tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A prote\u00edna da <strong>lib\u00e9lula<\/strong>, justamente por reagir a comprimentos de onda mais profundos, consegue ser ativada por luz que atravessa camadas de tecido onde a luz convencional n\u00e3o chega. O professor <strong>Mitsumasa Koyanagi<\/strong> afirmou que a prote\u00edna \u00e9 \u201cuma ferramenta promissora, capaz de detectar luz mesmo nas profundezas de organismos vivos\u201d. As aplica\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o em fase de testes e n\u00e3o constituem nenhuma terapia aprovada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 primeira vista, uma lib\u00e9lula parece apenas um inseto \u00e1gil de olhos enormes. 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