{"id":120577,"date":"2026-05-10T17:15:00","date_gmt":"2026-05-10T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=120577"},"modified":"2026-05-10T01:23:01","modified_gmt":"2026-05-10T04:23:01","slug":"o-tubarao-que-pode-viver-400-anos-cresce-1-centimetro-por-ano-e-intriga-cientistas-contra-o-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/05\/10\/o-tubarao-que-pode-viver-400-anos-cresce-1-centimetro-por-ano-e-intriga-cientistas-contra-o-cancer\/","title":{"rendered":"O tubar\u00e3o que pode viver 400 anos, cresce 1 cent\u00edmetro por ano e intriga cientistas contra o c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 dif\u00edcil imaginar um <strong>tubar\u00e3o<\/strong> vivo desde uma \u00e9poca em que o Brasil ainda era col\u00f4nia portuguesa. O <strong>tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia<\/strong> pode atravessar cerca de quatro s\u00e9culos nas \u00e1guas geladas do \u00c1rtico, crescendo quase nada por ano e chamando a aten\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia por sua resist\u00eancia ao envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 o estudo que revelou a impressionante longevidade desse tubar\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta foi consolidada por uma pesquisa internacional liderada pelo bi\u00f3logo marinho <strong>Julius Nielsen<\/strong>, da <strong>Universidade de Copenhague<\/strong>, <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aaf1703\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>publicada em agosto de 2016 na revista Science<\/strong><\/a>. O estudo analisou <strong>28 f\u00eameas de tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia<\/strong> capturadas acidentalmente por pescadores nas \u00e1guas do <strong>Oceano \u00c1rtico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para determinar a idade dos animais, os cientistas usaram a <strong>data\u00e7\u00e3o por radiocarbono nas lentes oculares<\/strong>, tecido que se forma antes do nascimento e n\u00e3o se regenera ao longo da vida. Os resultados foram surpreendentes: o maior esp\u00e9cime, com <strong>502 cm de comprimento<\/strong>, teria aproximadamente <strong>392 \u00b1 120 anos<\/strong> na \u00e9poca do estudo, o que significa que nasceu por volta de <strong>1624<\/strong>, com margem de erro que pode coloc\u00e1-lo entre <strong>272 e 512 anos de idade<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Greenland_shark_gliding_Arctic_w\u2026_202605100122-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-120592\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Greenland_shark_gliding_Arctic_w\u2026_202605100122-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Greenland_shark_gliding_Arctic_w\u2026_202605100122-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Greenland_shark_gliding_Arctic_w\u2026_202605100122-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Greenland_shark_gliding_Arctic_w\u2026_202605100122-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Greenland_shark_gliding_Arctic_w\u2026_202605100122-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Greenland_shark_gliding_Arctic_w\u2026_202605100122.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia avan\u00e7a lentamente no fundo frio do oceano \u00c1rtico<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/05\/09\/escorpioes-podem-entrar-nas-casas-por-tres-motivos-e-um-deles-costuma-passar-despercebido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Escorpi\u00f5es podem entrar nas casas por tr\u00eas motivos, e um deles costuma passar despercebido<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que esse tubar\u00e3o consegue viver quatro s\u00e9culos?<\/h2>\n\n\n\n<p>A longevidade extrema do <strong>tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia<\/strong> resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores biol\u00f3gicos e ambientais que poucos animais re\u00fanem ao mesmo tempo. Os principais s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Crescimento de apenas 1 cm por ano<\/strong>: um dos ritmos mais lentos j\u00e1 registrados entre vertebrados<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Maturidade sexual muito tardia<\/strong>: o estudo aponta que atingem a fase adulta em torno dos <strong>156 \u00b1 22 anos<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Metabolismo adaptado ao frio extremo<\/strong>: habitam \u00e1guas que chegam a <strong>-2&nbsp;\u00b0C<\/strong>, com profundidades que podem superar <strong>2.000 metros<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mecanismos gen\u00e9ticos de reparo do DNA<\/strong>: pesquisas recentes sugerem que possuem m\u00faltiplas c\u00f3pias de genes respons\u00e1veis pela repara\u00e7\u00e3o celular<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O canal <strong>Ci\u00eancia News<\/strong>, com mais de <strong>118 mil inscritos<\/strong>, explora em profundidade a data\u00e7\u00e3o por radiocarbono, o crescimento de 1 cm por ano, o genoma duas vezes maior que o humano e os genes de reparo do DNA do <strong>tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia<\/strong> com base no estudo da Science de 2016:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"957\" height=\"538\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/L_z6wTxf0lg\" title=\"TUBAR\u00c3O QUE VIVE 400 ANOS PODE CONTER OS SEGREDOS DO COMBATE AO C\u00c2NCER\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que o genoma desse tubar\u00e3o revela sobre resist\u00eancia ao c\u00e2ncer?<\/h2>\n\n\n\n<p>Mapeamentos gen\u00e9ticos recentes revelaram que o genoma do <strong>tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia<\/strong> \u00e9 o <strong>dobro da dimens\u00e3o do genoma humano<\/strong>, com mais de <strong>70% composto por genes saltadores<\/strong>, segmentos m\u00f3veis que podem alterar a forma como os genes se expressam e evoluem.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois achados se destacam especialmente. O primeiro \u00e9 a presen\u00e7a de <strong>m\u00faltiplas c\u00f3pias de genes de reparo celular<\/strong>, tornando suas c\u00e9lulas mais resistentes a muta\u00e7\u00f5es que causam c\u00e2ncer. O segundo \u00e9 uma <strong>vers\u00e3o modificada do gene TP53<\/strong>, essencial para a supress\u00e3o de tumores, que pode explicar por que esses <strong>tubar\u00f5es<\/strong> desenvolvem raramente a doen\u00e7a. Se esses mecanismos pudessem ser compreendidos e adaptados, poderiam abrir caminhos para novas abordagens em medicina regenerativa e oncologia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os cientistas calculam a idade de um animal que vive s\u00e9culos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Calcular a idade de esp\u00e9cies extremamente longevas n\u00e3o \u00e9 tarefa simples. O <strong>tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia<\/strong> \u00e9 cartilaginoso, inviabilizando a data\u00e7\u00e3o \u00f3ssea convencional. A solu\u00e7\u00e3o foi analisar as <strong>lentes oculares<\/strong>, tecido formado antes do nascimento que permanece inalterado por toda a vida. Por meio da <strong>data\u00e7\u00e3o por radiocarbono<\/strong>, os cientistas estimam quando esse tecido foi formado e calculam a idade aproximada do esp\u00e9cime.<\/p>\n\n\n\n<p>A tabela abaixo resume os principais dados do estudo que <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aaf1703\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>confirmou o tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia como o vertebrado mais longevo j\u00e1 registrado<\/strong><\/a>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><th>Caracter\u00edstica<\/th><th>Dado registrado<\/th><\/tr><tr><td>Esp\u00e9cimes analisados<\/td><td>28 f\u00eameas capturadas acidentalmente<\/td><\/tr><tr><td>Comprimento do maior esp\u00e9cime<\/td><td>502 cm<\/td><\/tr><tr><td>Idade estimada do maior esp\u00e9cime<\/td><td>392 \u00b1 120 anos (estudo de 2016)<\/td><\/tr><tr><td>Expectativa de vida m\u00ednima estimada<\/td><td>Ao menos 272 anos<\/td><\/tr><tr><td>Maturidade sexual<\/td><td>Ao menos 156 \u00b1 22 anos<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que estudar esse animal pode ajudar a entender o envelhecimento humano?<\/h2>\n\n\n\n<p>O <strong>tubar\u00e3o-da-Groenl\u00e2ndia<\/strong> vive s\u00e9culos com deteriora\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica muito lenta. Seu metabolismo reduzido, adaptado \u00e0s geladas \u00e1guas do \u00c1rtico, pode estar diretamente ligado \u00e0 menor acumula\u00e7\u00e3o de danos celulares ao longo do tempo. Essa combina\u00e7\u00e3o o torna um modelo natural valioso para a biologia moderna.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreender como um <strong>tubar\u00e3o<\/strong> consegue atravessar quatro s\u00e9culos quase intacto pode oferecer, no futuro, pistas concretas para desenvolver estrat\u00e9gias contra doen\u00e7as associadas \u00e0 idade. A ci\u00eancia ainda est\u00e1 nos primeiros cap\u00edtulos dessa hist\u00f3ria, mas o animal que nasceu enquanto o Brasil era col\u00f4nia portuguesa j\u00e1 deixou claro que tem muito a ensinar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dif\u00edcil imaginar um tubar\u00e3o vivo desde uma \u00e9poca em que o Brasil ainda era col\u00f4nia portuguesa. 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