{"id":131674,"date":"2026-06-02T09:35:00","date_gmt":"2026-06-02T12:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=131674"},"modified":"2026-06-02T04:52:49","modified_gmt":"2026-06-02T07:52:49","slug":"o-recife-de-coral-escondido-no-oceano-profundo-que-ocupa-mais-de-6-mil-quilometros-quadrados-e-abriga-quase-84-mil-montes-submarinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/06\/02\/o-recife-de-coral-escondido-no-oceano-profundo-que-ocupa-mais-de-6-mil-quilometros-quadrados-e-abriga-quase-84-mil-montes-submarinos\/","title":{"rendered":"O recife de coral escondido no oceano profundo que ocupa mais de 6 mil quil\u00f4metros quadrados e abriga quase 84 mil montes submarinos"},"content":{"rendered":"\n<p>Longe dos recifes tropicais de \u00e1guas claras, o <strong>oceano<\/strong> profundo tamb\u00e9m guarda cidades de coral. No <strong>Blake Plateau<\/strong>, cientistas mapearam um sistema gigantesco de \u00e1guas frias, formado por quase <strong>84 mil montes submarinos<\/strong> e milhares de quil\u00f4metros quadrados de habitat.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde fica o recife escondido no oceano profundo?<\/h2>\n\n\n\n<p>O maior <strong>recife<\/strong> de coral de \u00e1guas frias j\u00e1 mapeado est\u00e1 no <strong>Blake Plateau<\/strong>, uma \u00e1rea submarina diante da costa sudeste dos <strong>Estados Unidos<\/strong>. A forma\u00e7\u00e3o se espalha entre a regi\u00e3o de <strong>Miami<\/strong> e <strong>Charleston<\/strong>, na <strong>Carolina do Sul<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A dimens\u00e3o s\u00f3 ficou clara depois de mais de <strong>10 anos<\/strong> de levantamentos da <strong>NOAA Ocean Exploration<\/strong>. Ao combinar <strong>23 mergulhos submers\u00edveis<\/strong> e <strong>31 campanhas de sonar multifeixe<\/strong>, os pesquisadores identificaram cerca de <strong>6.215 quil\u00f4metros quadrados<\/strong> cobertos por aproximadamente <strong>83.908 montes de corais<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Seafloor_map_cold-water_coral_mo\u2026_202605230420-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-126501\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Seafloor_map_cold-water_coral_mo\u2026_202605230420-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Seafloor_map_cold-water_coral_mo\u2026_202605230420-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Seafloor_map_cold-water_coral_mo\u2026_202605230420-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Seafloor_map_cold-water_coral_mo\u2026_202605230420-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Seafloor_map_cold-water_coral_mo\u2026_202605230420-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Seafloor_map_cold-water_coral_mo\u2026_202605230420.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa batim\u00e9trico mostra milhares de montes de coral no Blake Plateau<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/05\/30\/o-misterio-real-do-triangulo-das-bermudas-esta-no-fundo-da-terra-e-nao-nos-navios-desaparecidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O mist\u00e9rio real do Tri\u00e2ngulo das Bermudas est\u00e1 no fundo da Terra e n\u00e3o nos navios desaparecidos<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como um recife vive no frio e no escuro do oceano?<\/h2>\n\n\n\n<p>Esses corais n\u00e3o dependem da luz solar como os recifes tropicais. Eles crescem entre <strong>200<\/strong> e <strong>1.000 metros<\/strong> de profundidade, em \u00e1guas que variam de <strong>4 \u00b0C<\/strong> a <strong>12 \u00b0C<\/strong>, onde o alimento chega principalmente pelas correntes.<\/p>\n\n\n\n<p>No <strong>Blake Plateau<\/strong>, a vida se organiza em torno de uma combina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de circula\u00e7\u00e3o marinha, relevo e organismos adaptados:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Corrente da Fl\u00f3rida<\/strong> e <strong>Corrente do Golfo<\/strong> levam part\u00edculas nutritivas para \u00e1reas profundas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Lophelia pertusa<\/strong> atua como coral construtor e forma estruturas r\u00edgidas no fundo do mar.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>\u00c1guas frias<\/strong> favorecem esp\u00e9cies que n\u00e3o precisam de ilumina\u00e7\u00e3o direta.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Montes de coral<\/strong> criam abrigo para peixes, crust\u00e1ceos, polvos e invertebrados.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Coral_grows_in_darkness_202605230420-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-126502\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Coral_grows_in_darkness_202605230420-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Coral_grows_in_darkness_202605230420-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Coral_grows_in_darkness_202605230420-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Coral_grows_in_darkness_202605230420-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Coral_grows_in_darkness_202605230420-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Coral_grows_in_darkness_202605230420.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Correntes alimentam corais brancos que crescem no escuro<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a Patag\u00f4nia argentina revelou sobre corais profundos?<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta dos <strong>Estados Unidos<\/strong> n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Em <strong>2026<\/strong>, uma expedi\u00e7\u00e3o do <strong>Schmidt Ocean Institute<\/strong>, realizada a bordo do navio <strong>Falkor (too)<\/strong>, revelou outro grande sistema de corais frios na plataforma continental da <strong>Patag\u00f4nia argentina<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2026\/04\/one-of-the-worlds-largest-deep-sea-coral-reefs-discovered-off-argentina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Segundo a Mongabay<\/strong><\/a>, o recife \u00e9 formado pelo coral p\u00e9treo <strong>Bathelia candida<\/strong> e ocupa pelo menos <strong>0,4 quil\u00f4metro quadrado<\/strong>. A equipe liderada pela bi\u00f3loga <strong>Mar\u00eda Emilia Bravo<\/strong>, da <strong>Universidade de Buenos Aires<\/strong>, tamb\u00e9m registrou <strong>28 novas esp\u00e9cies<\/strong>, incluindo caramujos marinhos, ouri\u00e7os, an\u00eamonas, vermes e corais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como cientistas enxergam um recife no oceano sem luz?<\/h2>\n\n\n\n<p>Encontrar um ecossistema desse tipo exige tecnologia, porque a profundidade impede observa\u00e7\u00e3o direta em grande escala. Sonar, ve\u00edculos submers\u00edveis, sensores de temperatura, medi\u00e7\u00f5es de salinidade e imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o ajudam a transformar o fundo escuro em mapas detalhados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na <strong>Argentina<\/strong>, o avan\u00e7o de <strong>Bathelia candida<\/strong> impressionou porque a esp\u00e9cie apareceu cerca de <strong>600 quil\u00f4metros<\/strong> mais ao sul do que seu limite conhecido, alcan\u00e7ando a latitude de <strong>43,5\u00b0 S<\/strong>. O achado, publicado em <strong>abril de 2026<\/strong> na revista <strong>Deep-Sea Research<\/strong>, refor\u00e7a que regi\u00f5es frias e profundas podem ser muito mais ricas do que pareciam.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mostrar esse tipo de investiga\u00e7\u00e3o em campo, selecionamos o conte\u00fado do <strong>Canal USP<\/strong>, com <strong>477 mil inscritos<\/strong>. No v\u00eddeo a seguir, pesquisadores da <strong>USP<\/strong> e da <strong>Universidade de Cork<\/strong>, na <strong>Irlanda<\/strong>, mostram uma expedi\u00e7\u00e3o ao <strong>Porcupine Bank Canyon<\/strong> para estudar corais de \u00e1guas profundas:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"1095\" height=\"616\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/igczimglaLI\" title=\"Corais de \u00e1guas profundas s\u00e3o mapeados por brasileiros e irlandeses [parte 1\/3]\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que um recife profundo funciona como floresta no fundo do oceano?<\/h2>\n\n\n\n<p>Um <strong>recife<\/strong> de \u00e1guas frias muda o fundo marinho porque cria relevo onde poderia haver apenas sedimento. Galhos, esqueletos de carbonato, frestas e montes formam uma estrutura tridimensional que serve como casa, rota de passagem e \u00e1rea de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/composicao\/smc\/doceano\/ecossistemas-costeiros-e-marinhos\/recifes-de-coral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>De acordo com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima<\/strong><\/a>, recifes de coral est\u00e3o entre os ecossistemas mais diversos dos oceanos. Em profundidade, essa diversidade aparece de forma menos vis\u00edvel, mas com fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas importantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas estruturas sustentam a vida marinha de v\u00e1rias maneiras:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Volume no fundo do mar<\/strong> cria ref\u00fagio para animais pequenos e juvenis.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Corais mortos<\/strong> viram base para novas col\u00f4nias se fixarem.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Invertebrados marinhos<\/strong> ocupam frestas, ramifica\u00e7\u00f5es e superf\u00edcies duras.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Peixes e crust\u00e1ceos<\/strong> usam o habitat para alimenta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais amea\u00e7as atingem corais que crescem t\u00e3o devagar?<\/h2>\n\n\n\n<p>A fragilidade desses ambientes vem do pr\u00f3prio ritmo de crescimento. Muitos corais profundos levam milhares de anos para formar estruturas grandes, enquanto uma \u00fanica passagem de pesca de arrasto pode quebrar montes inteiros em poucos minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>A acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos tamb\u00e9m pressiona esses ecossistemas. Com mais <strong>CO\u2082<\/strong> absorvido pela \u00e1gua do mar, a disponibilidade de <strong>carbonato de c\u00e1lcio<\/strong> pode diminuir, dificultando a manuten\u00e7\u00e3o dos esqueletos que sustentam o recife e toda a vida associada a ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que o oceano profundo ainda pode revelar sobre esses recifes?<\/h2>\n\n\n\n<p>O mapeamento no <strong>Blake Plateau<\/strong> e a descoberta na <strong>Patag\u00f4nia argentina<\/strong> mostram que o fundo do mar ainda guarda ecossistemas inteiros fora do olhar cotidiano. A cada levantamento, a oceanografia encontra formas de vida que crescem no frio, no escuro e em sil\u00eancio por per\u00edodos muito longos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses corais n\u00e3o aparecem nos cart\u00f5es-postais, mas sustentam uma parte discreta da biodiversidade marinha. Proteger um <strong>recife<\/strong> profundo \u00e9 preservar uma arquitetura viva do <strong>oceano<\/strong>, constru\u00edda lentamente em regi\u00f5es onde a luz do sol nunca chega.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longe dos recifes tropicais de \u00e1guas claras, o oceano profundo tamb\u00e9m guarda cidades de coral. No Blake Plateau, cientistas mapearam um sistema gigantesco de \u00e1guas frias, formado por quase 84 mil montes submarinos e milhares de quil\u00f4metros quadrados de habitat. Onde fica o recife escondido no oceano profundo? 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