{"id":132405,"date":"2026-06-04T05:25:00","date_gmt":"2026-06-04T08:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=132405"},"modified":"2026-06-04T02:22:51","modified_gmt":"2026-06-04T05:22:51","slug":"a-montanha-pulverizada-a-cidade-mineira-que-perdeu-uma-montanha-de-1-385-metros-para-a-ganancia-e-viu-nascer-carlos-drummond-de-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/06\/04\/a-montanha-pulverizada-a-cidade-mineira-que-perdeu-uma-montanha-de-1-385-metros-para-a-ganancia-e-viu-nascer-carlos-drummond-de-andrade\/","title":{"rendered":"\u201cA Montanha Pulverizada\u201d: a cidade mineira que perdeu uma montanha de 1.385 metros para a ganancia e viu nascer Carlos Drummond de Andrade"},"content":{"rendered":"\n<p>Existe uma cidade em <strong>Minas Gerais<\/strong> onde uma montanha inteira desapareceu. Em <strong>Itabira<\/strong>, no cora\u00e7\u00e3o do Quadril\u00e1tero Ferr\u00edfero, o antigo Pico do Cau\u00ea deu lugar a uma cratera, devorado por d\u00e9cadas de minera\u00e7\u00e3o. No lugar da serra restaram os versos de <strong>Carlos Drummond de Andrade<\/strong>, o poeta que nasceu ali e nunca esqueceu a paisagem perdida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A montanha que virou cratera e s\u00edmbolo da cidade<\/h2>\n\n\n\n<p>O <strong>Pico do Cau\u00ea<\/strong> erguia-se a 1.385 metros de altitude e tinha um brilho azulado que guiava viajantes desde o per\u00edodo colonial. N\u00e3o por acaso, o nome Itabira vem do tupi e significa \u201cpedra que brilha\u201d. D\u00e9cadas de extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro transformaram a montanha numa enorme cratera, hoje estampada na pr\u00f3pria bandeira do munic\u00edpio, conforme registra a <a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/index.php\/biblioteca-catalogo?view=detalhes&amp;id=450060\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>biblioteca do IBGE<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi dessa terra que nasceu uma gigante. Em 1942, durante a Segunda Guerra, o presidente Get\u00falio Vargas nacionalizou as jazidas e criou a Companhia Vale do Rio Doce, atual <strong>Vale<\/strong>, uma das maiores mineradoras do mundo. A rela\u00e7\u00e3o da cidade com a atividade \u00e9 marcada por contradi\u00e7\u00e3o: as minas a c\u00e9u aberto cercam a \u00e1rea urbana e suas cicatrizes s\u00e3o vis\u00edveis de quase qualquer mirante.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-3-46970-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-122802\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-3-46970-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-3-46970-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-3-46970-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-3-46970-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-3-46970-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-3-46970.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Itabira encanta visitantes com sua rica hist\u00f3ria ligada \u00e0 literatura brasileira \/\/ Cr\u00e9ditos: Wikipedia \/ Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A terra de Drummond e seus museus<\/h2>\n\n\n\n<p>Itabira \u00e9 a cidade natal de Carlos Drummond de Andrade, nascido em 1902, que viveu ali at\u00e9 os treze anos e transformou a inf\u00e2ncia na cidade em mat\u00e9ria-prima de boa parte de sua obra. Foi ele quem registrou o fim da montanha no poema \u201cA Montanha Pulverizada\u201d, de 1973. A cidade retribui o legado com uma rede de espa\u00e7os culturais geridos pela <a href=\"https:\/\/www.fccda.com.br\/espa%C3%A7os-culturais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Funda\u00e7\u00e3o Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA)<\/strong><\/a>, criada em 1985.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal \u00e9 o <strong>Memorial Carlos Drummond de Andrade<\/strong>, projetado por <strong>Oscar Niemeyer<\/strong> e inaugurado em 1998, na encosta do Pico do Amor, com primeiras edi\u00e7\u00f5es e correspond\u00eancias do poeta. Vale conhecer tamb\u00e9m a <strong>Casa de Drummond<\/strong>, sobrado onde ele cresceu, hoje museu, e o <strong>Museu de Territ\u00f3rio Caminhos Drummondianos<\/strong>, um percurso a c\u00e9u aberto com dezenas de placas-poema espalhadas pela cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem busca se conectar com a hist\u00f3ria e a cultura mineira, vai curtir esse v\u00eddeo especialmente selecionado do canal <strong>Funda\u00e7\u00e3o Cultural Carlos Drummond de Andrade<\/strong>, onde \u00e9 mostrada a import\u00e2ncia e a beleza da <strong>Fazenda do Pontal<\/strong>, um marco hist\u00f3rico ligado ao poeta <strong>Carlos Drummond de Andrade<\/strong> em <strong>Itabira<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fazenda do Pontal - Itabira e Carlos Drummond de Andrade\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nlRJBHYLoeY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/05\/05\/a-cidade-a-55-km-da-capital-que-une-um-pedaco-do-japao-e-da-alemanha-e-esta-entre-as-10-melhores-para-se-viver-no-estado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A cidade a 55 km da capital que une um peda\u00e7o do Jap\u00e3o e da Alemanha e est\u00e1 entre as 10 melhores para se viver no estado<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como \u00e9 morar em Itabira?<\/h2>\n\n\n\n<p>Morar em Itabira \u00e9 viver numa cidade de porte m\u00e9dio que combina economia forte com ritmo de interior. Com 113.343 habitantes no Censo 2022 e IDHM de 0,756, classificado como alto, o munic\u00edpio tem a renda impulsionada pela minera\u00e7\u00e3o, segundo o <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/cidades-e-estados\/mg\/itabira.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura urbana inclui um campus da <strong>Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei)<\/strong>, faculdades privadas e uma rede de sa\u00fade que atende toda a regi\u00e3o do M\u00e9dio Piracicaba. Quem se muda para a cidade encontra um cotidiano tranquilo entre casar\u00f5es hist\u00f3ricos e serras, com a vida cultural girando em torno do legado de Drummond. \u00c9 um equil\u00edbrio raro entre o peso da ind\u00fastria e a calma das cidades pequenas mineiras.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-1-75133-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-122800\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-1-75133-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-1-75133-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-1-75133-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-1-75133-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-1-75133-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ngz-Itabira-1-75133.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Itabira atrai admiradores da cultura que buscam inspira\u00e7\u00e3o em suas ladeiras \/\/ Cr\u00e9ditos: Wikipedia \/ Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde fica Itabira?<\/h2>\n\n\n\n<p>Itabira fica na regi\u00e3o central de Minas Gerais, dentro do Quadril\u00e1tero Ferr\u00edfero, a maior \u00e1rea de extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro do pa\u00eds. A cidade est\u00e1 a pouco mais de 100 km de <strong>Belo Horizonte<\/strong>, cerca de duas horas de carro da capital mineira.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio faz parte do Circuito do Ouro e guarda distritos de interesse tur\u00edstico, como <strong>Ipoema<\/strong>, por onde passa a Estrada Real e que d\u00e1 acesso a cachoeiras e \u00e0 Serra do Espinha\u00e7o. Essa posi\u00e7\u00e3o, perto da capital mas cercada de montanhas, ajuda a explicar por que a cidade atrai tanto visitantes quanto novos moradores em busca de sossego.<\/p>\n\n\n\n<iframe src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/embed?pb=!1m18!1m12!1m3!1d4805086.840647582!2d-45.618424393150235!3d-18.246614538955416!2m3!1f0!2f0!3f0!3m2!1i1024!2i768!4f13.1!3m3!1m2!1s0xa5a113d676be4b%3A0xa1b1df8c51582d7!2sItabira%2C%20MG!5e1!3m2!1spt-BR!2sbr!4v1780550503571!5m2!1spt-BR!2sbr\" width=\"600\" height=\"450\" style=\"border:0;\" allowfullscreen=\"\" loading=\"lazy\" referrerpolicy=\"no-referrer-when-downgrade\"><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vale conhecer a terra do poeta<\/h2>\n\n\n\n<p>Itabira carrega um legado duplo que poucas cidades no mundo podem ostentar: a for\u00e7a do ferro que ajudou a construir o Brasil e a delicadeza dos versos mais famosos da literatura nacional. Poucos lugares contam uma hist\u00f3ria t\u00e3o intensa sobre o que se ganha e o que se perde com o progresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea precisa caminhar pelos Caminhos Drummondianos de Itabira e entender por que uma montanha que desapareceu virou poesia eterna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma cidade em Minas Gerais onde uma montanha inteira desapareceu. Em Itabira, no cora\u00e7\u00e3o do Quadril\u00e1tero Ferr\u00edfero, o antigo Pico do Cau\u00ea deu lugar a uma cratera, devorado por d\u00e9cadas de minera\u00e7\u00e3o. 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