{"id":133268,"date":"2026-06-06T09:05:00","date_gmt":"2026-06-06T12:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=133268"},"modified":"2026-06-06T02:58:45","modified_gmt":"2026-06-06T05:58:45","slug":"a-antartida-revelou-um-nucleo-de-sedimentos-com-23-milhoes-de-anos-e-pistas-sobre-o-futuro-das-cidades-costeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/06\/06\/a-antartida-revelou-um-nucleo-de-sedimentos-com-23-milhoes-de-anos-e-pistas-sobre-o-futuro-das-cidades-costeiras\/","title":{"rendered":"A Ant\u00e1rtida revelou um n\u00facleo de sedimentos com 23 milh\u00f5es de anos e pistas sobre o futuro das cidades costeiras"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando a <strong>Ant\u00e1rtida<\/strong> parece apenas uma massa congelada e distante, um <strong>n\u00facleo<\/strong> retirado sob o gelo mostra outra hist\u00f3ria. A perfura\u00e7\u00e3o revelou sedimentos com at\u00e9 <strong>23 milh\u00f5es de anos<\/strong>, capazes de indicar como a calota reagiu em per\u00edodos mais quentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que esse n\u00facleo da Ant\u00e1rtida importa para o clima?<\/h2>\n\n\n\n<p>A perfura\u00e7\u00e3o faz parte do projeto <strong>SWAIS2C<\/strong>, sigla para <strong>Sensitivity of the West Antarctic Ice Sheet to 2 \u00b0C<\/strong>. A iniciativa busca entender como a <strong>Calota de Gelo da Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong> se comportou quando o planeta esteve mais quente do que hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/swais2c.aq\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Segundo o projeto SWAIS2C<\/strong><\/a>, o objetivo \u00e9 usar registros geol\u00f3gicos profundos para melhorar previs\u00f5es sobre a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar. A regi\u00e3o da <strong>Plataforma de Gelo Ross<\/strong> \u00e9 estrat\u00e9gica porque ajuda a revelar a estabilidade da calota ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antarctic_drilling_system_scient\u2026_202605260403-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-128087\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antarctic_drilling_system_scient\u2026_202605260403-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antarctic_drilling_system_scient\u2026_202605260403-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antarctic_drilling_system_scient\u2026_202605260403-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antarctic_drilling_system_scient\u2026_202605260403-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antarctic_drilling_system_scient\u2026_202605260403-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Antarctic_drilling_system_scient\u2026_202605260403.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Diagrama mostra broca atravessando gelo at\u00e9 sedimentos antigos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/04\/19\/quando-foi-a-ultima-vez-que-a-antartida-ficou-livre-de-gelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Quando foi a \u00faltima vez que a Ant\u00e1rtida ficou livre de gelo?<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os cientistas atravessaram o gelo at\u00e9 os sedimentos?<\/h2>\n\n\n\n<p>O ponto escolhido foi <strong>Crary Ice Rise<\/strong>, um domo de gelo aterrado na margem interna da <strong>Plataforma de Gelo Ross<\/strong>. Antes de alcan\u00e7ar o material preservado no fundo, a equipe precisou atravessar <strong>523 metros<\/strong> de gelo.<\/p>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o combinou uma broca t\u00e9rmica de \u00e1gua quente, usada para abrir caminho na camada congelada, com um sistema rotativo capaz de retirar sedimentos abaixo do gelo. Os n\u00fameros mostram a escala t\u00e9cnica do trabalho:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>523 metros<\/strong> de gelo foram perfurados antes do acesso ao material sedimentar.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>228 metros<\/strong> de n\u00facleo sedimentar foram recuperados sob a camada congelada.<\/li>\n\n\n\n<li>O recorde anterior era inferior a <strong>10 metros<\/strong>, mais de <strong>22 vezes<\/strong> menor.<\/li>\n\n\n\n<li>Mais de <strong>1.300 metros<\/strong> de tubos de perfura\u00e7\u00e3o foram manuseados durante a opera\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que o n\u00facleo retirado da Ant\u00e1rtida pode revelar?<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1116786\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>De acordo com o comunicado publicado no EurekAlert<\/strong><\/a>, o n\u00facleo de <strong>228 metros<\/strong> cont\u00e9m lama, rocha e sedimentos ligados a per\u00edodos quentes da hist\u00f3ria da <strong>Terra<\/strong>. Esse material funciona como um arquivo clim\u00e1tico natural.<\/p>\n\n\n\n<p>As an\u00e1lises preliminares identificaram <strong>microf\u00f3sseis marinhos<\/strong> e fragmentos de conchas em algumas camadas. Esses sinais sugerem que, em fases antigas, havia <strong>oceano aberto<\/strong> em uma \u00e1rea hoje coberta por centenas de metros de gelo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o projeto SWAIS2C preocupa pesquisadores?<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.icdp-online.org\/all-events\/detail\/news\/swais2c-record-breaking-sediment-core\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Conforme o ICDP<\/strong><\/a>, esse \u00e9 o mais longo registro sedimentar j\u00e1 recuperado sob uma camada de gelo. O material pode cobrir at\u00e9 <strong>23 milh\u00f5es de anos<\/strong>, incluindo per\u00edodos em que a temperatura m\u00e9dia global foi maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar a perfura\u00e7\u00e3o e seus impactos, o canal <strong>Olhar Digital<\/strong>, com <strong>964 mil inscritos<\/strong> e <strong>3.085 visualiza\u00e7\u00f5es<\/strong> nesse conte\u00fado, mostra como os sedimentos funcionam como um arquivo clim\u00e1tico natural para projetar o futuro da <strong>Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"1095\" height=\"616\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W-tWPSrRD08\" title=\"Perfura\u00e7\u00e3o recorde na Ant\u00e1rtida revela milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria clim\u00e1tica\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que pistas o n\u00facleo traz sobre o n\u00edvel do mar?<\/h2>\n\n\n\n<p>Se a <strong>Calota de Gelo da Ant\u00e1rtida Ocidental<\/strong> derreter por completo, estimativas cient\u00edficas apontam uma eleva\u00e7\u00e3o global do mar entre <strong>3 e 5 metros<\/strong>. Esse cen\u00e1rio afetaria diretamente cidades costeiras e regi\u00f5es baixas em v\u00e1rios continentes.<\/p>\n\n\n\n<p>As pistas mais importantes aparecem em diferentes materiais preservados no testemunho sedimentar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Microf\u00f3sseis marinhos<\/strong>, usados para estimar idade e ambiente das camadas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Fragmentos de conchas<\/strong>, associados a fases de oceano aberto ou gelo recuado.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Camadas de lama e rocha<\/strong>, que registram mudan\u00e7as ambientais ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que esse n\u00facleo muda na leitura do futuro?<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta n\u00e3o representa apenas um recorde t\u00e9cnico de perfura\u00e7\u00e3o. Ela entrega um registro direto de como a <strong>Ant\u00e1rtida<\/strong> respondeu quando o clima global esteve mais quente, justamente o tipo de informa\u00e7\u00e3o que falta para refinar modelos usados hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>As amostras ser\u00e3o analisadas em laborat\u00f3rios parceiros na <strong>Europa<\/strong>, na <strong>Nova Zel\u00e2ndia<\/strong> e nos <strong>Estados Unidos<\/strong>. O que est\u00e1 preso nesses sedimentos pode transformar milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria clim\u00e1tica em previs\u00f5es mais precisas sobre o futuro das cidades costeiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a Ant\u00e1rtida parece apenas uma massa congelada e distante, um n\u00facleo retirado sob o gelo mostra outra hist\u00f3ria. A perfura\u00e7\u00e3o revelou sedimentos com at\u00e9 23 milh\u00f5es de anos, capazes de indicar como a calota reagiu em per\u00edodos mais quentes. Por que esse n\u00facleo da Ant\u00e1rtida importa para o clima? 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