{"id":133978,"date":"2026-06-07T14:00:00","date_gmt":"2026-06-07T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=133978"},"modified":"2026-06-07T10:24:40","modified_gmt":"2026-06-07T13:24:40","slug":"existem-montanhas-90-vezes-mais-altas-que-o-everest-escondidas-dentro-da-terra-e-ninguem-sabe-ao-certo-de-onde-vieram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/06\/07\/existem-montanhas-90-vezes-mais-altas-que-o-everest-escondidas-dentro-da-terra-e-ninguem-sabe-ao-certo-de-onde-vieram\/","title":{"rendered":"Existem montanhas 90 vezes mais altas que o Everest escondidas dentro da Terra, e ningu\u00e9m sabe ao certo de onde vieram"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea sabe que o Everest \u00e9 a montanha mais alta do mundo. Mas existe um detalhe que vira essa ideia de cabe\u00e7a para baixo: escondidas no fundo do planeta, h\u00e1 estruturas colossais que fazem o Everest parecer um gr\u00e3o de areia. A diferen\u00e7a \u00e9 que ningu\u00e9m nunca vai poder escal\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que os cientistas encontraram<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta vem de pesquisadores da Universidade de Utrecht, na Holanda. Eles mapearam com mais detalhe duas <strong>estruturas gigantescas<\/strong> localizadas bem no fundo da Terra, a cerca de 2.900 km de profundidade, na fronteira entre o manto e o n\u00facleo do planeta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_corrected-1024x576.jpeg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mostra o interior da Terra em modelo 3D, com camadas transparentes e \u00e1reas coloridas representando estruturas profundas do planeta.\" class=\"wp-image-133989\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_corrected-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_corrected-300x169.jpeg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_corrected-768x432.jpeg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_corrected-750x422.jpeg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_corrected-1140x641.jpeg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image_corrected.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o 3D de uma grande estrutura no manto da Terra sob a \u00c1frica. Cr\u00e9dito: Mingming Li \/ Arizona State University.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Os cientistas as chamam de <strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_low-shear-velocity_provinces\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LLSVPs<\/a><\/strong>, sigla t\u00e9cnica em ingl\u00eas, mas o apelido carinhoso \u00e9 mais simp\u00e1tico: &#8220;blobs&#8221;, algo como bolh\u00f5es. S\u00e3o duas massas enormes, uma sob a \u00c1frica e outra sob o Oceano Pac\u00edfico, e cada uma tem propor\u00e7\u00f5es de continente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tamanho de arrepiar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para entender a escala, vale comparar. A estrutura sob a \u00c1frica, batizada de <strong>Tuzo<\/strong>, tem cerca de 800 km de altura. Isso equivale a aproximadamente 90 vezes a altura do Monte Everest, que tem pouco menos de 9 km.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que s\u00e3o montanhas internas monstruosas. Se elas estivessem na superf\u00edcie, seriam vis\u00edveis do espa\u00e7o de um jeito absurdo. Mas est\u00e3o soterradas em uma profundidade que nenhuma perfura\u00e7\u00e3o jamais alcan\u00e7ou. Tudo o que sabemos delas veio de forma indireta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que elas n\u00e3o destronam o Everest<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Aqui \u00e9 onde precisa ficar claro, porque circula muita informa\u00e7\u00e3o torta sobre isso. Mesmo sendo gigantescas, essas estruturas <strong>n\u00e3o tiram o posto do Everest<\/strong> como montanha mais alta da Terra. E o motivo \u00e9 simples.<\/p>\n\n\n\n<p>O Everest \u00e9 o ponto mais alto acima do <strong>n\u00edvel do mar<\/strong>, na superf\u00edcie onde a gente vive. J\u00e1 os blobs est\u00e3o l\u00e1 no fundo, dentro do planeta. S\u00e3o coisas de mundos diferentes: uma \u00e9 uma montanha que voc\u00ea pode escalar, a outra \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o enterrada quil\u00f4metros abaixo dos seus p\u00e9s. Comparar altura entre as duas \u00e9 como comparar a altura de um pr\u00e9dio com a profundidade de um po\u00e7o. O Everest segue, tranquilo, no seu trono.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"max-width:680px;margin:24px auto;font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;background:linear-gradient(165deg,#1a1228 0%,#0d0a16 100%);border-radius:18px;padding:26px 22px;color:#fff;box-sizing:border-box;box-shadow:0 10px 30px rgba(0,0,0,.3);\">\n  <div style=\"text-align:center;font-size:20px;font-weight:800;margin-bottom:4px;\">Everest x os gigantes ocultos<\/div>\n  <p style=\"margin:0 0 20px;font-size:13px;color:#b39ddb;text-align:center;\">A diferen\u00e7a brutal de tamanho, em escala<\/p>\n\n  <div style=\"display:flex;align-items:flex-end;gap:18px;justify-content:center;height:200px;padding:0 10px;\">\n    <div style=\"text-align:center;flex:1;max-width:120px;\">\n      <div style=\"font-size:12px;color:#cfc4e0;margin-bottom:6px;font-weight:700;\">Everest<\/div>\n      <div style=\"background:linear-gradient(to top,#5c6bc0,#9fa8da);height:14px;border-radius:4px 4px 0 0;\"><\/div>\n      <div style=\"font-size:11px;color:#9a8fb5;margin-top:6px;\">8,8 km<\/div>\n    <\/div>\n    <div style=\"text-align:center;flex:1;max-width:120px;\">\n      <div style=\"font-size:12px;color:#fff;margin-bottom:6px;font-weight:700;\">Tuzo (a &#8220;blob&#8221;)<\/div>\n      <div style=\"background:linear-gradient(to top,#e53935,#ff8a65);height:180px;border-radius:4px 4px 0 0;display:flex;align-items:flex-start;justify-content:center;padding-top:6px;\">\n        <span style=\"font-size:11px;color:#fff;font-weight:700;\">\u2248 90x<\/span>\n      <\/div>\n      <div style=\"font-size:11px;color:#e0a8a0;margin-top:6px;\">\u2248 800 km<\/div>\n    <\/div>\n  <\/div>\n\n  <div style=\"margin-top:18px;display:flex;flex-wrap:wrap;gap:10px;\">\n    <div style=\"flex:1 1 150px;background:#241a35;border-radius:12px;padding:14px;text-align:center;\">\n      <div style=\"font-size:22px;font-weight:bold;color:#b39ddb;\">2.900 km<\/div>\n      <div style=\"font-size:11.5px;color:#c4b8d6;margin-top:4px;\">de profundidade onde elas se escondem<\/div>\n    <\/div>\n    <div style=\"flex:1 1 150px;background:#241a35;border-radius:12px;padding:14px;text-align:center;\">\n      <div style=\"font-size:22px;font-weight:bold;color:#b39ddb;\">+500 mi<\/div>\n      <div style=\"font-size:11.5px;color:#c4b8d6;margin-top:4px;\">de anos de idade, talvez bilh\u00f5es<\/div>\n    <\/div>\n    <div style=\"flex:1 1 150px;background:#241a35;border-radius:12px;padding:14px;text-align:center;\">\n      <div style=\"font-size:22px;font-weight:bold;color:#b39ddb;\">2<\/div>\n      <div style=\"font-size:11.5px;color:#c4b8d6;margin-top:4px;\">grandes blobs: sob a \u00c1frica e o Pac\u00edfico<\/div>\n    <\/div>\n  <\/div>\n\n  <div style=\"margin-top:16px;background:#100a1a;border-radius:10px;padding:12px 14px;display:flex;align-items:center;gap:10px;border-left:4px solid #7e57c2;\">\n    <span style=\"font-size:20px;\">\ud83c\udf0d<\/span>\n    <span style=\"font-size:12.5px;color:#c9bde0;line-height:1.5;\"><b>Aten\u00e7\u00e3o:<\/b> s\u00e3o gigantes <em>dentro<\/em> da Terra, n\u00e3o montanhas na superf\u00edcie. O Everest segue intocado como o pico mais alto do mundo.<\/span>\n  <\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como \u00e9 poss\u00edvel enxergar t\u00e3o fundo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 que ningu\u00e9m consegue cavar at\u00e9 l\u00e1, surge a pergunta: como os cientistas sabem que essas estruturas existem? A resposta est\u00e1 numa t\u00e9cnica engenhosa, parecida com um <strong>raio-X<\/strong> do planeta. Funciona assim:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Quando acontece um <strong>terremoto<\/strong>, ele gera ondas que atravessam o interior da Terra<\/li>\n\n\n\n<li>Sensores espalhados pelo mundo registram essas ondas ao sair do outro lado<\/li>\n\n\n\n<li>Ao passar por regi\u00f5es diferentes, as ondas mudam de velocidade<\/li>\n\n\n\n<li>Nos blobs, as ondas <strong>desaceleram<\/strong>, o que denuncia que ali tem algo diferente e mais quente<\/li>\n\n\n\n<li>Cruzando milhares desses dados, d\u00e1 para mapear o que est\u00e1 escondido<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u00c9 como ouvir o eco para descobrir o formato de uma caverna que voc\u00ea nunca viu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O mist\u00e9rio de bilh\u00f5es de anos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A parte que mais intriga n\u00e3o \u00e9 o tamanho, \u00e9 a idade e a teimosia dessas estruturas. As estimativas apontam que elas t\u00eam pelo menos <strong>500 milh\u00f5es de anos<\/strong>, podendo chegar a bilh\u00f5es, talvez desde a forma\u00e7\u00e3o da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso quebra uma ideia antiga. Os cientistas achavam que o manto do planeta era todo bem misturado, como uma sopa em constante movimento. Mas os blobs mostram que existem partes que ficaram <strong>paradas e intactas<\/strong> por um tempo absurdo, sem se dissolver nessa mistura. O interior da Terra \u00e9 bem menos uniforme do que se pensava.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A teoria que conecta com a Lua<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>E aqui vem a hip\u00f3tese mais cinematogr\u00e1fica de todas. Uma das explica\u00e7\u00f5es para a origem dos blobs envolve um evento violento do come\u00e7o do Sistema Solar: a colis\u00e3o de um planeta chamado <strong>Theia<\/strong> com a <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/06\/07\/o-lugar-no-oceano-da-australia-onde-rochas-vivas-revelam-como-microbios-mudaram-a-atmosfera-da-terra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Terra<\/a>, h\u00e1 cerca de 4,5 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo essa ideia, o impacto teria arrancado detritos que formaram a <strong>Lua<\/strong>. E peda\u00e7os mais densos do pr\u00f3prio Theia teriam afundado e ficado presos no interior da Terra, sobrevivendo at\u00e9 hoje como esses bolh\u00f5es gigantes. Se a teoria estiver certa, ter\u00edamos, l\u00e1 no fundo do planeta, os restos de um mundo que ajudou a criar a Lua. Ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso, e outras hip\u00f3teses falam em restos de antigas placas tect\u00f4nicas, mas a possibilidade \u00e9 fascinante.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que isso importa para n\u00f3s<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Pode parecer distante demais para ter alguma relev\u00e2ncia pr\u00e1tica, mas n\u00e3o \u00e9. Essas estruturas podem influenciar como o <strong>calor<\/strong> circula entre o n\u00facleo e o manto, um processo ligado ao campo magn\u00e9tico que protege a Terra da radia\u00e7\u00e3o do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, entender esses gigantes ocultos ajuda a compreender como o planeta funciona por dentro e como ele se mant\u00e9m habit\u00e1vel. \u00c9 um lembrete poderoso: enviamos sondas para bilh\u00f5es de quil\u00f4metros no espa\u00e7o, mas ainda mal arranhamos o que existe debaixo dos nossos pr\u00f3prios p\u00e9s. Os maiores mist\u00e9rios podem estar bem mais perto do que imaginamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabe que o Everest \u00e9 a montanha mais alta do mundo. Mas existe um detalhe que vira essa ideia de cabe\u00e7a para baixo: escondidas no fundo do planeta, h\u00e1 estruturas colossais que fazem o Everest parecer um gr\u00e3o de areia. A diferen\u00e7a \u00e9 que ningu\u00e9m nunca vai poder escal\u00e1-las. 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