{"id":134263,"date":"2026-06-07T21:35:00","date_gmt":"2026-06-08T00:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=134263"},"modified":"2026-06-08T01:24:11","modified_gmt":"2026-06-08T04:24:11","slug":"a-cicatriz-no-fundo-do-oceano-que-aparece-quando-uma-placa-mergulha-sob-outra-e-muda-o-relevo-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/06\/07\/a-cicatriz-no-fundo-do-oceano-que-aparece-quando-uma-placa-mergulha-sob-outra-e-muda-o-relevo-da-terra\/","title":{"rendered":"A cicatriz no fundo do oceano que aparece quando uma placa mergulha sob outra e muda o relevo da Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>No fundo do <strong>oceano<\/strong>, algumas marcas parecem cortes abertos na crosta da <strong>Terra<\/strong>. As <strong>fossas oce\u00e2nicas<\/strong> surgem quando placas tect\u00f4nicas colidem, uma delas afunda no manto e deixa um abismo capaz de reorganizar vulc\u00f5es, terremotos, ilhas e montanhas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como essa cicatriz se forma no fundo do oceano?<\/h2>\n\n\n\n<p>A superf\u00edcie da <strong>Terra<\/strong> \u00e9 dividida em cerca de <strong>12 a 14 placas r\u00edgidas<\/strong>, que se deslocam lentamente sobre o manto. <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fossa_oce%C3%A2nica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Segundo o registro sobre fossa oce\u00e2nica<\/strong><\/a>, essas depress\u00f5es profundas aparecem principalmente em zonas onde uma placa mergulha sob outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo recebe o nome de <strong>subduc\u00e7\u00e3o<\/strong>. Quando uma crosta oce\u00e2nica antiga, fria e mais densa encontra outra placa, ela desce em dire\u00e7\u00e3o ao interior do planeta e abre uma depress\u00e3o estreita no assoalho marinho.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ocean_trench_formation_subductio\u2026_202605240424-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-127096\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ocean_trench_formation_subductio\u2026_202605240424-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ocean_trench_formation_subductio\u2026_202605240424-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ocean_trench_formation_subductio\u2026_202605240424-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ocean_trench_formation_subductio\u2026_202605240424-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ocean_trench_formation_subductio\u2026_202605240424-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Ocean_trench_formation_subductio\u2026_202605240424.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Placa oce\u00e2nica mergulha e cria uma fossa profunda no assoalho<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/05\/22\/estudo-desmonta-teoria-antiga-sobre-canions-submarinos-e-revela-o-papel-decisivo-da-gravidade-no-fundo-do-oceano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Estudo desmonta teoria antiga sobre c\u00e2nions submarinos e revela o papel decisivo da gravidade no fundo do oceano<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que placas tect\u00f4nicas criam abismos no oceano?<\/h2>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a longe da fossa. Nas dorsais mesoce\u00e2nicas, o magma sobe, esfria e forma nova crosta oce\u00e2nica. Essa crosta se afasta lentamente, em ritmos de poucos cent\u00edmetros por ano, enquanto envelhece, perde calor e acumula sedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A sequ\u00eancia que transforma o assoalho marinho em uma grande depress\u00e3o segue etapas bem definidas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O <strong>calor do manto<\/strong> empurra material quente para cima nas dorsais oce\u00e2nicas.<\/li>\n\n\n\n<li>O <strong>magma<\/strong> extrusado forma nova crosta no fundo do mar.<\/li>\n\n\n\n<li>A crosta se afasta da dorsal, esfria, contrai e fica mais densa.<\/li>\n\n\n\n<li>Ao encontrar outra placa, a parte mais densa afunda e forma a fossa.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Oceanic_crust_cooling_subduction\u2026_202605240424-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-127097\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Oceanic_crust_cooling_subduction\u2026_202605240424-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Oceanic_crust_cooling_subduction\u2026_202605240424-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Oceanic_crust_cooling_subduction\u2026_202605240424-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Oceanic_crust_cooling_subduction\u2026_202605240424-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Oceanic_crust_cooling_subduction\u2026_202605240424-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Oceanic_crust_cooling_subduction\u2026_202605240424.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Crosta oce\u00e2nica esfria, afunda e abre um abismo no oceano<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a Fossa das Marianas \u00e9 o maior exemplo desse processo?<\/h2>\n\n\n\n<p>A <strong>Fossa das Marianas<\/strong>, no oeste do <strong>Oceano Pac\u00edfico<\/strong>, \u00e9 o caso mais extremo conhecido. <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/science\/How-Was-the-Mariana-Trench-Formed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>De acordo com a Britannica<\/strong><\/a>, ela se formou pela subduc\u00e7\u00e3o da <strong>Placa do Pac\u00edfico<\/strong> sob a <strong>microplaca das Marianas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu ponto mais profundo \u00e9 o <strong>Challenger Deep<\/strong>, com cerca de <strong>10.994 metros<\/strong>. Se o <strong>Monte Everest<\/strong>, com <strong>8.848,86 metros<\/strong>, fosse colocado ali, ainda ficaria coberto por mais de <strong>2 quil\u00f4metros de \u00e1gua<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que acontece quando uma placa mergulha sob outra?<\/h2>\n\n\n\n<p>A subduc\u00e7\u00e3o n\u00e3o cria apenas uma depress\u00e3o no fundo marinho. Quando a placa desce, ela acumula tens\u00e3o, aquece e altera a composi\u00e7\u00e3o das rochas em profundidade, criando condi\u00e7\u00f5es para terremotos e forma\u00e7\u00e3o de magma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, fossas, vulc\u00f5es e ilhas costumam aparecer em conjunto. A conex\u00e3o entre esses fen\u00f4menos pode ser entendida assim:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A placa que mergulha acumula <strong>tens\u00e3o tect\u00f4nica<\/strong> e pode gerar terremotos intensos.<\/li>\n\n\n\n<li>O calor e a press\u00e3o provocam <strong>derretimento parcial<\/strong> de rochas em profundidade.<\/li>\n\n\n\n<li>O magma que sobe pode formar <strong>vulc\u00f5es<\/strong> e arcos de ilhas.<\/li>\n\n\n\n<li>No <strong>Pac\u00edfico<\/strong>, muitas ilhas vulc\u00e2nicas surgem em faixas paralelas \u00e0s fossas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como fossas no oceano tamb\u00e9m ajudam a erguer montanhas?<\/h2>\n\n\n\n<p>O mesmo mecanismo que abre abismos no mar pode levantar cadeias montanhosas em terra firme. Na <strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong>, a <strong>Placa de Nazca<\/strong> mergulha sob a <strong>Placa Sul-Americana<\/strong>, formando a <strong>Fossa Peru-Chile<\/strong> e ajudando a erguer a <strong>Cordilheira dos Andes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para visualizar a escala extrema dessas regi\u00f5es, o canal <strong>Voc\u00ea Sabia?<\/strong>, com <strong>47,2 milh\u00f5es de inscritos<\/strong>, publicou um v\u00eddeo com <strong>1.280.249 visualiza\u00e7\u00f5es<\/strong> sobre a <strong>Fossa das Marianas<\/strong>, o <strong>Challenger Deep<\/strong>, as explora\u00e7\u00f5es humanas e as formas de vida encontradas no ponto mais profundo do oceano:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"1095\" height=\"616\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rQWygX6xX48\" title=\"FOSSA DAS MARIANAS: O que ENCONTRARAM no LUGAR MAIS PROFUNDO do OCEANO\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que explorar o ponto mais profundo do oceano \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil?<\/h2>\n\n\n\n<p>A profundidade da <strong>Fossa das Marianas<\/strong> imp\u00f5e press\u00e3o extrema, escurid\u00e3o total e grandes desafios de comunica\u00e7\u00e3o e engenharia. Em <strong>1960<\/strong>, <strong>Jacques Picard<\/strong> e <strong>Don Walsh<\/strong> chegaram ao fundo com o submers\u00edvel <strong>Trieste<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9cadas depois, em <strong>2012<\/strong>, <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/120405-james-cameron-mariana-trench-deepsea-challenger-oceans-science\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>James Cameron desceu ao Challenger Deep em expedi\u00e7\u00e3o registrada pela National Geographic<\/strong><\/a>. Mesmo nesse ambiente hostil, h\u00e1 organismos adaptados \u00e0 press\u00e3o, \u00e0 falta de luz e \u00e0 escassez de alimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que essas fossas revelam a for\u00e7a escondida da Terra?<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma fossa no fundo do <strong>oceano<\/strong> \u00e9 a marca vis\u00edvel de um processo que come\u00e7a no calor do manto e termina em terremotos, vulc\u00f5es, ilhas e montanhas. O que parece apenas um abismo submerso \u00e9 uma zona ativa de reciclagem da crosta terrestre.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>Fossa das Marianas<\/strong>, a <strong>Fossa Peru-Chile<\/strong> e os <strong>Andes<\/strong> mostram que o relevo do planeta est\u00e1 em movimento cont\u00ednuo. Em escala geol\u00f3gica, um mergulho silencioso de uma placa sob outra pode redesenhar tanto o fundo marinho quanto a superf\u00edcie dos continentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fundo do oceano, algumas marcas parecem cortes abertos na crosta da Terra. As fossas oce\u00e2nicas surgem quando placas tect\u00f4nicas colidem, uma delas afunda no manto e deixa um abismo capaz de reorganizar vulc\u00f5es, terremotos, ilhas e montanhas. Como essa cicatriz se forma no fundo do oceano? 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