{"id":87724,"date":"2026-03-06T17:15:00","date_gmt":"2026-03-06T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=87724"},"modified":"2026-03-06T03:14:10","modified_gmt":"2026-03-06T06:14:10","slug":"cientistas-capturam-imagens-raras-de-um-tubarao-dorminhoco-em-aguas-gelidas-da-antartida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/03\/06\/cientistas-capturam-imagens-raras-de-um-tubarao-dorminhoco-em-aguas-gelidas-da-antartida\/","title":{"rendered":"Cientistas capturam imagens raras de um tubar\u00e3o-dorminhoco em \u00e1guas g\u00e9lidas da Ant\u00e1rtida"},"content":{"rendered":"\n<p>O registro in\u00e9dito de um <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> em profundidades ant\u00e1rticas desafia o conhecimento cient\u00edfico sobre a sobreviv\u00eancia nessas \u00e1guas g\u00e9lidas. Capturado em v\u00eddeo a 490 metros de profundidade, o animal prova que a biodiversidade do oceano Austral \u00e9 mais resiliente do que se acreditava anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o tubar\u00e3o-dorminhoco foi encontrado nas \u00e1guas frias da Ant\u00e1rtida?<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta ocorreu nas proximidades das <strong>Ilhas Shetland do Sul<\/strong>, onde c\u00e2meras submarinas registraram um exemplar com cerca de <strong>4 metros de comprimento<\/strong>. At\u00e9 ent\u00e3o, a ci\u00eancia acreditava que o continente ant\u00e1rtico era um territ\u00f3rio hostil demais para a perman\u00eancia de qualquer esp\u00e9cie de tubar\u00e3o devido \u00e0s temperaturas extremas.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor <strong>Alan Jamieson<\/strong>, diretor do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica Minderoo-UWA, relatou que a observa\u00e7\u00e3o foi feita em \u00e1guas quase congeladas a <strong>1,27&nbsp;\u00b0C<\/strong>. O animal, identificado como um <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong>, estava em uma camada de \u00e1gua ligeiramente mais quente, o que pode indicar a exist\u00eancia de corredores t\u00e9rmicos que permitem sua penetra\u00e7\u00e3o mais ao sul.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88201\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rmdsr2zi.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O animal, identificado como um tubar\u00e3o-dorminhoco, estava em uma camada de \u00e1gua ligeiramente mais quente, o que pode indicar a exist\u00eancia de corredores t\u00e9rmicos que permitem sua penetra\u00e7\u00e3o mais ao sul<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/03\/04\/o-maior-peixe-de-rio-do-mundo-tem-300-kg-e-quase-4-metros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O maior peixe de rio do mundo tem 300 kg e quase 4 metros<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os superpoderes de sobreviv\u00eancia do tubar\u00e3o-dorminhoco?<\/h2>\n\n\n\n<p>A resist\u00eancia desses animais reside em uma constitui\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00fanica, desenvolvida para economizar energia em condi\u00e7\u00f5es severas. Diferente de predadores velozes, o <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> adota um estilo de <strong>vida lento<\/strong>, crescendo menos de um cent\u00edmetro ao ano e nadando a velocidades reduzidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa rotina pausada permite que o corpo conserve o calor necess\u00e1rio para manter as fun\u00e7\u00f5es vitais em funcionamento constante. <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicla.com\/animales\/2026\/03\/un-tiburon-descubierto-en-aguas-antarticas-tiene-superpoderes-de-supervivencia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Segundo a reportagem da National Geographic<\/strong><\/a>, as imagens publicadas em fevereiro de 2026 demonstram que esses seres s\u00e3o aut\u00eanticos tubar\u00f5es polares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A impressionante longevidade das esp\u00e9cies do g\u00eanero Somniosus<\/h2>\n\n\n\n<p>O grupo desses peixes inclui o famoso tubar\u00e3o-da-groenl\u00e2ndia, reconhecido como o vertebrado com a vida mais longa do planeta. Estudos realizados em 2016 indicaram que indiv\u00edduos desta linhagem podem atingir <strong>392 anos<\/strong>, estabelecendo recordes absolutos de longevidade na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, pesquisas gen\u00e9ticas revelaram a <strong>duplica\u00e7\u00e3o de genes<\/strong> fundamentais para a repara\u00e7\u00e3o do DNA e prote\u00e7\u00e3o contra o estresse oxidativo. Essa caracter\u00edstica biol\u00f3gica reduz o desgaste f\u00edsico ao longo dos s\u00e9culos, permitindo que o <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> mantenha a sa\u00fade celular mesmo ap\u00f3s centenas de anos de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel da ureia e do TMAO como anticongelante natural<\/h2>\n\n\n\n<p>Para evitar o congelamento interno, os tecidos desses animais s\u00e3o carregados com altas concentra\u00e7\u00f5es de <strong>ureia e N-\u00f3xido de trimetilamina (TMAO)<\/strong>. Enquanto a ureia auxilia no equil\u00edbrio osm\u00f3tico com a \u00e1gua salgada, ela tamb\u00e9m possui o efeito colateral de desestabilizar as prote\u00ednas do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a massiva do TMAO contrabalan\u00e7a esse processo, agindo como um estabilizador qu\u00edmico que permite o funcionamento enzim\u00e1tico em temperaturas pr\u00f3ximas ao ponto de congelamento. A tabela a seguir demonstra as principais fun\u00e7\u00f5es desses compostos na biologia do animal:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><th>Composto qu\u00edmico<\/th><th>Fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica principal<\/th><th>Efeito pr\u00e1tico no animal<\/th><\/tr><tr><td>Ureia<\/td><td>Equil\u00edbrio osm\u00f3tico<\/td><td>Permite a vida em \u00e1guas com alta salinidade<\/td><\/tr><tr><td>TMAO<\/td><td>Estabilizador de prote\u00ednas<\/td><td>Protege as enzimas contra o efeito da ureia<\/td><\/tr><tr><td>Genoma duplicado<\/td><td>Repara\u00e7\u00e3o celular<\/td><td>Garante longevidade extrema e sa\u00fade do DNA<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88200\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/amdh3i0w.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para evitar o congelamento interno, os tecidos desses animais s\u00e3o carregados com altas concentra\u00e7\u00f5es de ureia e N-\u00f3xido de trimetilamina (TMAO)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a descoberta do tubar\u00e3o-dorminhoco revela sobre o futuro dos oceanos?<\/h2>\n\n\n\n<p>A apari\u00e7\u00e3o deste exemplar em \u00e1guas anteriormente consideradas proibitivas sugere que a ci\u00eancia ainda conhece pouco sobre as profundezas polares. De acordo com a ocean\u00f3grafa <strong>Jessica Kolbusz<\/strong>, este \u00e9 o primeiro registro in situ de um elasmobr\u00e2nquio no <strong>oceano Austral<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aprofundar essa descoberta hist\u00f3rica nas profundezas, selecionamos o conte\u00fado do canal <strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@Firstpost\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Firstpost<\/a><\/strong>, que conta com mais de <strong>9,36 milh\u00f5es de inscritos<\/strong>. No v\u00eddeo a seguir, as imagens capturadas mostram o exemplar de 4 metros nadando calmamente em temperaturas pr\u00f3ximas do congelamento:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"957\" height=\"538\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LPsH--Bog-U\" title=\"Massive Sleeper Shark Filmed in Antarctic Waters for First Time | Spotlight | N18G\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>A possibilidade de existir um corredor de \u00e1gua quente permitindo essa migra\u00e7\u00e3o para o sul levanta novas quest\u00f5es sobre o impacto ambiental e a movimenta\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. O registro refor\u00e7a a necessidade de novos estudos para mapear se o <strong>tubar\u00e3o-dorminhoco<\/strong> \u00e9 um residente permanente ou um visitante ocasional da Ant\u00e1rtida.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-88199\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/z9l3882z.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O registro refor\u00e7a a necessidade de novos estudos para mapear se o tubar\u00e3o-dorminhoco \u00e9 um residente permanente ou um visitante ocasional da Ant\u00e1rtida<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A import\u00e2ncia cient\u00edfica de mapear o tubar\u00e3o-dorminhoco e a biodiversidade ant\u00e1rtica<\/h2>\n\n\n\n<p>Entender como esses predadores operam nas sombras do gelo ajuda a proteger ecossistemas que est\u00e3o sob constante press\u00e3o clim\u00e1tica. A lista abaixo destaca os fatores gen\u00e9ticos primordiais que sustentam a sobreviv\u00eancia desse animal em condi\u00e7\u00f5es de frio extremo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Presen\u00e7a de <strong>81 genes<\/strong> espec\u00edficos voltados para a repara\u00e7\u00e3o constante do DNA celular<\/li>\n\n\n\n<li>Vers\u00e3o alterada do <strong>gene TP53<\/strong>, respons\u00e1vel por suprimir tumores e proteger o genoma<\/li>\n\n\n\n<li>Via de sinaliza\u00e7\u00e3o NF-\u03baB duplicada para fortalecer o sistema imunit\u00e1rio<\/li>\n\n\n\n<li>Altas dosagens de TMAO para estabilizar enzimas em ambientes de frio intenso<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O registro de um animal t\u00e3o misterioso em uma zona inexplorada \u00e9 um marco para a oceanografia moderna. Cada nova imagem capturada em profundidade revela que os oceanos ainda guardam segredos astron\u00f4micos sobre a adapta\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia da vida na Terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O registro in\u00e9dito de um tubar\u00e3o-dorminhoco em profundidades ant\u00e1rticas desafia o conhecimento cient\u00edfico sobre a sobreviv\u00eancia nessas \u00e1guas g\u00e9lidas. Capturado em v\u00eddeo a 490 metros de profundidade, o animal prova que a biodiversidade do oceano Austral \u00e9 mais resiliente do que se acreditava anteriormente. Como o tubar\u00e3o-dorminhoco foi encontrado nas \u00e1guas frias da Ant\u00e1rtida? 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