{"id":90594,"date":"2026-03-11T22:15:00","date_gmt":"2026-03-12T01:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/?p=90594"},"modified":"2026-03-11T04:07:32","modified_gmt":"2026-03-11T07:07:32","slug":"ave-rara-e-bela-considerada-extinta-e-redescoberta-apos-100-anos-sem-avistamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/03\/11\/ave-rara-e-bela-considerada-extinta-e-redescoberta-apos-100-anos-sem-avistamentos\/","title":{"rendered":"Ave rara e bela, considerada extinta, \u00e9 redescoberta ap\u00f3s 100 anos sem avistamentos"},"content":{"rendered":"\n<p>A prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies esquivas \u00e9 um desafio gigantesco quando os animais se movem sob o manto da escurid\u00e3o. O <strong>papagaio-noturno<\/strong> (<strong>Pezoporus occidentalis<\/strong>), uma pequena <strong>ave<\/strong> verde e amarela, permaneceu oculta nas vastas plan\u00edcies do <strong>interior australiano<\/strong>, considerada praticamente m\u00edtica e extinta por um s\u00e9culo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a ave considerada extinta foi localizada na natureza?<\/h2>\n\n\n\n<p>No <strong>Territ\u00f3rio Ind\u00edgena Protegido de Ngururrpa<\/strong>, <strong>gravadores de \u00e1udio \u00e0 prova d&#8217;\u00e1gua<\/strong> foram instalados entre os anos de <strong>2018 e 2023<\/strong> em dezenas de s\u00edtios remotos. As detec\u00e7\u00f5es sonoras funcionaram como um mapa preciso. Quando as grava\u00e7\u00f5es confirmavam a presen\u00e7a do animal, <strong>armadilhas fotogr\u00e1ficas<\/strong> eram posicionadas no terreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dispositivos captaram barulhos \u00fanicos. Um dos chamados soava exatamente como um telefone, enquanto outro lembrava a batida de um sino. O monitoramento detectou a esp\u00e9cie em <strong>17 dos 31 s\u00edtios pesquisados<\/strong>, distribu\u00eddos por uma \u00e1rea de <strong>160 km de norte a sul<\/strong> e <strong>90 km de leste a oeste<\/strong>, comprovando a exist\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o real e n\u00e3o apenas uma <strong>ave<\/strong> de passagem.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/110ekbj7-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-90853\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/110ekbj7-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/110ekbj7-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/110ekbj7-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/110ekbj7-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/110ekbj7-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/110ekbj7.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As detec\u00e7\u00f5es sonoras funcionaram como um mapa preciso<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/2026\/02\/07\/voce-parou-para-se-perguntar-sera-que-peixes-bebem-agua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voc\u00ea parou para se perguntar: ser\u00e1 que peixes bebem \u00e1gua?<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 o habitat ideal para a sobreviv\u00eancia dessa ave?<\/h2>\n\n\n\n<p>Os locais de repouso diurno ficam escondidos dentro de <strong>touceiras densas e antigas de capim-espinhoso<\/strong>. A planta fundamental nessa regi\u00e3o \u00e9 o <strong>bull spinifex<\/strong> (<strong>Triodia longiceps<\/strong>), que forma c\u00fapulas resistentes e altamente compactas na areia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas estruturas oferecem prote\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e camuflagem absoluta contra o sol implac\u00e1vel. As touceiras jovens e esparsas n\u00e3o servem de abrigo, pois a <strong>ave<\/strong> depende exclusivamente de vegeta\u00e7\u00f5es maduras que levam muitos anos para se formar no deserto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5ciab9s8-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-90854\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5ciab9s8-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5ciab9s8-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5ciab9s8-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5ciab9s8-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5ciab9s8-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/5ciab9s8.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Essas estruturas oferecem prote\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e camuflagem absoluta contra o sol implac\u00e1vel<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os inc\u00eandios amea\u00e7am o abrigo natural da ave?<\/h2>\n\n\n\n<p>O <strong>Grande Deserto Arenoso<\/strong> sofre com o impacto de raios e <strong>longos per\u00edodos de seca<\/strong>, desencadeando queimadas extremamente r\u00e1pidas. O entorno dos ninhos costuma queimar em um <strong>ciclo de 6 a 10 anos<\/strong>. Essa frequ\u00eancia alta destr\u00f3i a base estrutural do ambiente e mant\u00e9m o habitat em uma fase jovem e rala.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender a beleza dessa <strong>ave<\/strong> end\u00eamica e a import\u00e2ncia da sua preserva\u00e7\u00e3o, o canal <strong>Bumerangues Brasil<\/strong>, que conta com <strong>3,97 mil inscritos<\/strong>, produziu uma homenagem visual ao voo da esp\u00e9cie rec\u00e9m-descoberta. Assista ao v\u00eddeo que celebra o retorno desse animal ic\u00f4nico:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"957\" height=\"538\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kY8X_F31_SY\" title=\"Bumerangue Papagaio Noturno\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que os dingos ajudam a proteger essa ave rara?<\/h2>\n\n\n\n<p>As c\u00e2meras registraram a <strong>presen\u00e7a frequente de dingos<\/strong> perto das \u00e1reas de descanso. Uma <a href=\"https:\/\/www.earth.com\/news\/after-100-years-off-the-radar-extinct-bird-returns-pr25\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>an\u00e1lise documentada no portal Earth.com<\/strong><\/a> revelou que as fezes desses cachorros selvagens continham <strong>restos de gatos ferais<\/strong> nas amostras coletadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os gatos ca\u00e7am furtivamente \u00e0 noite e costumam dizimar filhotes inexperientes no solo. Os predadores nativos mant\u00eam o n\u00famero de felinos invasores sob controle, garantindo que a <strong>ave<\/strong> consiga nidificar com seguran\u00e7a e permitindo que os filhotes sobrevivam \u00e0s semanas mais cr\u00edticas de vida.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2az0m92n-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-90855\" srcset=\"https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2az0m92n-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2az0m92n-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2az0m92n-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2az0m92n-750x422.jpg 750w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2az0m92n-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/revistaoeste.com\/oestegeral\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2az0m92n.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os predadores nativos mant\u00eam o n\u00famero de felinos invasores sob controle, garantindo que a ave consiga nidificar com seguran\u00e7a e permitindo que os filhotes sobrevivam \u00e0s semanas mais cr\u00edticas de vida<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quantos exemplares da ave existem na maior popula\u00e7\u00e3o conhecida?<\/h2>\n\n\n\n<p>Com base nos \u00e1udios captados simultaneamente na regi\u00e3o, a contagem atual estima a presen\u00e7a de <strong>40 a 50 papagaios-noturnos<\/strong> na \u00e1rea protegida. Esse n\u00famero tem um peso imenso, representando a <strong>maior popula\u00e7\u00e3o conhecida no mundo<\/strong> para a esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja as principais amea\u00e7as que ainda colocam essa col\u00f4nia fragilizada em risco constante:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><th>Fator de risco no deserto<\/th><th>Consequ\u00eancia para a fauna<\/th><\/tr><tr><td>Inc\u00eandios severos de ver\u00e3o<\/td><td>Devasta\u00e7\u00e3o total do habitat maduro<\/td><\/tr><tr><td>Supress\u00e3o err\u00f4nea de dingos<\/td><td>Aumento da popula\u00e7\u00e3o de gatos ferais<\/td><\/tr><tr><td>Ervas invasoras no solo<\/td><td>Altera\u00e7\u00e3o do comportamento do fogo<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o as estrat\u00e9gias pr\u00e1ticas para salvar a ave no deserto?<\/h2>\n\n\n\n<p>A<strong> <a href=\"https:\/\/connectsci.au\/wr\/article\/51\/10\/WR24083\/172\/Potential-threats-and-habitat-of-the-night-parrot?guestAccessKey=\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa publicada no peri\u00f3dico Wildlife Research<\/a><\/strong> aponta que a uni\u00e3o de t\u00e1ticas de manejo tradicionais e ferramentas tecnol\u00f3gicas modernas \u00e9 a \u00fanica garantia de futuro para o bicho. O controle equilibrado da terra precisa respeitar o ritmo da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais medidas para garantir a estabiliza\u00e7\u00e3o da <strong>ave<\/strong> incluem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Realizar <strong>queimadas planejadas nas esta\u00e7\u00f5es frias<\/strong> para criar <strong>barreiras naturais de combust\u00edvel<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>Garantir que o <strong>controle de predadores deve proteger os dingos<\/strong> na \u00e1rea nativa<\/li>\n\n\n\n<li>Limitar novas perturba\u00e7\u00f5es e impedir a entrada de gado para preservar as c\u00fapulas de palha<\/li>\n\n\n\n<li>Utilizar <strong>m\u00e9todos gen\u00e9ticos baseados em penas<\/strong> e <strong>marcas de rastreamento<\/strong> para contagens precisas<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies esquivas \u00e9 um desafio gigantesco quando os animais se movem sob o manto da escurid\u00e3o. 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