A epidemia do medo já foi derrotada em Curitiba

O prefeito Rafael Greca relata a Oeste como está reabrindo a economia enquanto enfrenta a covid-19: "Minha recomendação é 'ame sua cidade'"

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Foto: Divulgação | O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM-PR)

Número de leitos suficientes para atender contaminados pela covid-19. Quantidade generosa de testes voltados aos casos suspeitos de coronavírus. Contratação de mais médicos. Curva de infecção achatada. E reabertura progressiva da economia. Esse é o cenário atual de Curitiba, capital do Paraná, administrada pelo prefeito Rafael Greca (DEM-PR).

O município de 1,9 milhão de habitantes aproveitou os 26 dias de isolamento para se precaver até a volta em abril. A fórmula inseriu Curitiba no rol das cidades que retornaram à normalidade, ao adotar medidas de segurança, como o uso obrigatório de máscara e álcool em gel. Em entrevista a Oeste, Greca discorre acerca das políticas bem-sucedidas que adotou.

Como foram os preparativos para enfrentar a pandemia?

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Fizemos um amplo reordenamento da rede de saúde, separando fisicamente o atendimento nas unidades de saúde de pessoas com e sem sintomas da covid-19. Criamos 240 leitos de UTI, mais de 600 dos chamados leitos de enfermaria e contratamos 549 profissionais de saúde. Além disso, reduzimos o fluxo de pessoas no transporte coletivo e implementamos o home office para os servidores, entre outras medidas. A população ajudou e, hoje, temos uma situação controlada, com letalidade menor que a média estadual e nacional, além de capacidade de atendimento dos doentes.

E o sistema de saúde de Curitiba? Está dando conta da infecção?

Completamente. A taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com a covid-19 estava, na quinta-feira 4, em 52%. Se subir, podemos ativar mais leitos. Ou seja: estamos dando conta do recado. A curva de crescimento da doença está achatada e controlada. E tomaremos todas as medidas necessárias para que continue assim.

Há testes suficientes?

Acabamos de ampliar de 11 mil para 55 mil os testes a ser realizados na cidade nas próximas semanas — em públicos específicos. Usamos os testes de maneira inteligente e direcionada. Com isso, eles nos ajudam a monitorar todas as ações contra o coronavírus.

Foram construídos hospitais de campanha?

Nosso plano de contingência estabelece a possibilidade de abertura de unidades extras, mas nossa estrutura permite o atendimento em hospitais convencionais, o que é muito bom. Os de campanha são necessários, porém quando a estrutura regular não dá conta do recado. A nossa dá. Contudo, caso seja necessário, tem espaço para eles. Ontem, abrimos uma ala no Hospital Vitória, em parceria com a Amil. São 120 novos leitos para atender a população. Com a reorganização do sistema promovida em março, concentramos esforços no combate à covid-19. Foi possível deslocar cerca de 800 profissionais para a linha de frente.

O coronavírus está sob controle no município? Há quantos casos confirmados, óbitos e recuperados?

Sim. A curva de crescimento da doença permanece achatada e com evolução controlada. Até quinta-feira 4, os dados são: 2.187 descartados; 343 em investigação; 1.212 confirmados; 953 liberados do isolamento; e 54 óbitos. Nosso trabalho é voltado para diminuir o número de mortes.

Qual a situação financeira do município?

Em razão das dificuldades causadas pela pandemia, vários setores foram afetados. O comércio sofre enormemente e precisa se reinventar. Nossa estimativa, para este ano, é de uma queda na arrecadação e nas transferências no valor de R$ 647 milhões, já que houve baixa na maioria das atividades. Entretanto, graças à boa condição das contas públicas que conquistamos desde 2017, temos como manter em dia todos os serviços do município.

De que forma ocorreu o processo de reabertura da economia?

Curitiba sempre optou pela orientação, e não pela imposição. Na medida em que o Estado indicou como os diferentes setores deveriam se comportar, nos preocupamos em estabelecer protocolos de comportamento, com distanciamento entre as pessoas, ocupação máxima dos locais, obrigatoriedade de máscara e álcool em gel, higienização e uma série de outros cuidados. Houve orientações gerais e específicas, para restaurantes, condomínios, bancos, farmácias, supermercados, entre outros.

O governo estadual impôs entraves para sua gestão?

Não. Nosso trabalho tem sido uma boa parceria. E quem ganha com isso são as pessoas.

O Sr. tem tido respaldo positivo da população?

Muito. O povo curitibano é disciplinado. E o comportamento, até aqui, tem ajudado no combate à pandemia.

Em algum momento o senhor pensou em decretar lockdown? Qual sua avaliação acerca da medida? Ela está em pauta?

Não precisamos ainda cogitar essa situação. O lockdown é uma solução extrema, mas que pode ser necessária para garantir a vida quando as demais medidas não funcionam. Aqui, as políticas que temos adotado estão funcionando bem. A letalidade da doença está em torno de 4%, abaixo da do Estado e do país em geral.

Quando acredita que conseguirá suspender todas as restrições?

Boa parte das atividades já voltou, sob orientação do Estado. Estamos fiscalizando e monitorando o comportamento da doença na população. No entanto, os efeitos deletérios da pandemia serão sentidos ainda por muito tempo. Isso tem sido registrado em todo o mundo.

Se o senhor fosse dar algum conselho ou recomendação a outros prefeitos e governadores, qual seria?

Uma cidade só pode ser realmente desenvolvida quando for boa para seu povo. Por isso, minha recomendação é bem simples: ame sua cidade.

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7 comentários Ver comentários

  1. Mente bem esse prefeito. Não teve coragem decretar quarentena e nem mandou o comércio fechar, apenas recomendou; reduziu em 80% o número de ônibus e deixou os trabalhadores socados dentro do transporte coletivo, um fungando no cangote do outro. Fechou a maioria dos postos de saúde, as unidades de atendimento aos moradores de rua e os CRAS. O número de casos começou a subir a semana passada e os leitos podem ser insuficientes até o próximo sábado.

      1. Parabéns, ainda temos brasileiros sérios e dedicados. Que sejam iluminados e se espalhem por todo o nosso ricão.

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