A família, os negócios e o Estado: um alerta aos empreendedores

Quando é negligenciado e cai nas mãos erradas, o Estado tende a se vingar da população, destruindo famílias e negócios

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Foto: Montagem Revista Oeste/Marcelo Camargo/Agência Brasil/Ricardo Stuckert
Foto: Montagem Revista Oeste/Marcelo Camargo/Agência Brasil/Ricardo Stuckert | Lula e Bolsonaro começam a receber apoio de partidos e políticos

Dos grandes empresários aos MEIs, passando pelos donos de pequenos negócios, pelos produtores rurais e pelos profissionais liberais, há algo que une todos os 43 milhões de trabalhadores que ganham a vida emitindo nota fiscal, como pessoa jurídica: eles são grandes tomadores de risco — não possuem os benefícios do funcionalismo público, não têm direito às indenizações previstas na lei trabalhista e ficam à mercê da maré econômica, com seus altos e baixos. Mas há outro grave risco à espreita do empreendedor, um risco que pode se materializar nas eleições deste domingo.

No dia a dia, nossa atenção é dividida entre a vida pessoal e a vida profissional. Se você se dedica demais à família e negligencia seus negócios, sua fonte de renda escasseia e seus entes queridos sofrem — é um paradoxo, mas às vezes estar ausente, trabalhando, é a maior demonstração de amor presente que pode existir. Por outro lado, se você se dedica demais aos negócios e negligencia a família, seus lucros jamais compensarão os prejuízos desse tempo perdido. Pior ainda se a sua empresa for um negócio familiar: aí a ausência no lar pode atrapalhar a formação dos sucessores e provocar a ruína do empreendimento na geração seguinte — é aquela velha história: “avô rico, filho nobre, neto pobre”.

O fato é que esse equilíbrio entre família e negócios é complexo e delicado. Contudo, ainda que você cuide da família e cuide dos negócios de forma exemplar, se você descuidar do Estado ele vai se voltar contra os seus negócios e contra a sua família. Esse é o risco à espreita ao qual nos referimos: se o empreendedor abandonar os destinos do país à própria sorte, o governo vai se voltar contra ele, machucando-o onde costuma doer mais: no bolso, prejudicando os negócios, e no coração, prejudicando a sua família.

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Um dos motivos de o Brasil ainda não ter realizado seu pleno potencial é simples: muitos dos nossos melhores cuidaram apenas dos assuntos particulares, largando as questões da vida pública aos cuidados de muitos dos nossos piores — foi assim que mentirosos, malandros e ladrões tomaram conta da política, saquearam os cofres públicos e condenaram grande parte da população à pobreza, por meio de péssimos serviços públicos, da educação ao saneamento básico.

Não à toa, em 2015, o ministro Gilmar Mendes descreveu o aparelhamento das empresas estatais e o método cleptocrata de governança que visava à perpetuação de corruptos no poder; não à toa, em 2016, o ministro Alexandre de Moraes acusou a falta de vergonha na cara de quem roubava bilhões de reais e foi colocado para fora do governo por causa da corrupção. As pessoas honestas e trabalhadoras deste país não participaram desses crimes contra a pátria denunciados publicamente pelos ministros do Supremo. Nossos milhões de empreendedores não tiveram nada a ver com a pilhagem de recursos públicos, mas eles, certamente, sofreram com a consequente recessão econômica, o desemprego, a inflação e o aumento da miséria.

Da mesma forma, a política do “fique em casa, a economia a gente vê depois” fez o Brasil perder mais de 10 milhões de empreendedores em apenas dois anos. Foi um verdadeiro genocídio de empresas e empregos, que empobreceu a sociedade, sem salvar vidas — isso de acordo com estudos de prestigiosas universidades norte-americanas (p. ex. Johns Hopkins), que analisaram os resultados do lockdown em diversos países. No Brasil, a taxa de empreendedorismo total, que em 2019 era de quase 39% da população adulta, despencou para 30% em 2021; mas graças aos nossos “tomadores de risco”, estamos nos recuperando. Segundo o Sebrae, as micros e pequenas empresas foram responsáveis por criar mais de 72% dos empregos no primeiro semestre deste ano. São os nossos empreendedores, salvando a economia do país após decisões equivocadas de prefeitos, governadores e magistrados defensores do isolamento social horizontal e prolongado — uma medida que nunca foi recomendada pela OMS como método primário de controle da covid-19.

A recessão causada por um governo corrupto e o genocídio de CNPJs fruto da exagerada paralisação econômica na pandemia são provas recentes — e irrefutáveis! — da nossa tese: se o empreendedor cuidar da família e dos negócios, mas negligenciar o Estado, o Estado se voltará contra a família e seus negócios. Então, como pode o empreendedor brasileiro, chefe de família, proteger seu lar e sua fonte de renda contra governos corruptos, intervencionistas e incompetentes?

Idealmente, nossos empreendedores deveriam usar seus talentos a serviço do povo, participando mais da política, candidatando-se a cargos eletivos, entrando para a vida pública ou partidária. Na impossibilidade de doar tempo e energia, que doassem algum dinheiro para ajudar na campanha de candidatos que defendem a proteção da família e as liberdades econômicas. Contudo, a gente sabe que, às vésperas da eleição, já está um pouco tarde para tudo isso… Agora, o que resta aos 43 milhões de empreendedores do Brasil é atuarem como os influenciadores que são, conversando com colaboradores e funcionários e conquistando votos para os candidatos que melhor representam os interesses desse Brasil tomador de risco, que gera riqueza e emprego.

Na eleição à Presidência da República, a disputa é entre duas propostas completamente divergentes. Ao empreendedor, fica a pergunta: qual desses candidatos pode liderar um governo que protegerá sua família? Quem melhor garantirá a lei e a ordem, a redução da violência, o fim da invasão de propriedades, a proibição da venda de drogas, a punição ao tráfico na porta das escolas, e a doutrinação em sala de aula? Da mesma forma, o empreendedor também precisa decidir qual governo criará um ambiente mais próspero para os negócios: qual candidato lutará pela redução de impostos, pela captação de investimentos privados, pela diminuição da burocracia estatal e pela liberdade de negociação entre empregador e funcionário?

Resta confiar no discernimento do empreendedor-eleitor para enfrentar essas questões e votar de forma responsável. Todavia, como um influenciador orgânico e líder nato da sociedade, também cabe ao empreendedor persuadir e mobilizar. Numa eleição tão acirrada, é imperioso que nossos tomadores de risco votem em peso e estimulem todos em sua esfera de influência a também comparecerem às urnas. Afinal, quando é negligenciado e cai nas mãos erradas, o Estado tende a se vingar da população — começando por quem toma risco.

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15 comentários Ver comentários

  1. Excelente reflexão pena que não vivemos mais em uma democracia quando vemos pessoas incompetentes sem nenhum preparo para o cargo que ocupam serem aplaudidos por falas como( no Brasil 120 milhões de pessoas passam fome ! E de lascar! Que DEUS nos ajude

  2. Lula já está vingando-se da Direita. Alexandre de Moraes mandou prender inocentes jovens, crianças e idosos que estavam acampados em frente aos quartéis. Ele quer recriar o Imposto Sindical. Fala em “reforma tributária “,mas quem vai pagar o rombo das contas públicas em mais de R$ 200.000.000.000 (duzentos bilhões de reais)? O contribuinte, claro! Que reforma tributária é essa? Papo furado. Por enquanto, as ações da Esquerda governamental, ainda, não afetaram o bolso do brasileiro. Quando isso acontecer, o povo vai para as ruas, inclusive eu, e este governo irá cair como um castelo de cartas. Estou ansioso para chegar logo esse dia.

  3. Excelente artigo! Compartilho uma hipótese sobre direita e esquerda:

    Eureka?

    Tenho uma hipótese de que a esquerda votante se trata de uma elite pequena que, com imprensa principalmente mas também com o stf, consegue trazer dezenas de milhões de votos de pessoas que não são de esquerda de verdade mas, sim, convencíveis e convencidas por uma imprensa de elite, o consórcio.

    Agora a eureka: eureka!

    A direita não. Ela é direita mesmo. Eureka então:

    Se a direita cancelar assinaturas e deixar de consumir produtos, serviços e serviços jornalísticos de esquerda, a contrapartida do outro lado não acontece. Eureka!

    Os votantes na esquerda foram convencidos superficialmente. Não são atuantes, são mais manobráveis que atuantes. Por isso não se manifestam. Nem online, nem nas ruas. São ocultos.

    A esquerda que se manifesta é a caviar direta, aquela que, realmente, come caviar. Uma minoria genuinamente interessada em manter privilégios. Esta minoria-caviar manobra dezenas de milhões de votantes. Por pouco tempo: em queda está essa massa manobrável e a imprensa que manobra, a tradicional.

    Portanto, novamente, concluo: eureka!

    A direita, de fato engajada por inteiro, já somando dezenas de milhões de pessoas, aumenta seu próprio crescimento, o crescimento das ideias de estado enxuto, voto distrital puro com recall, fim de juiz vitalício, etceteras, sabotando produtos, serviços e serviços jornalísticos de esquerda, sem temer a contrapartida do lado de lá. O engajamento cá, na direita, é muito mais poderoso do que lá, na esquerda.

    Assim, enxergo uma tendência de uma população brasileira com ideias mais à direita, cada vez mais rapidamente, com nossa própria ajuda.

    É apenas uma hipótese. Com um eureka, uma ideia possível. ☀️

  4. Muito bom!! Sou sua fã, Caio Coppolla!! (Mais uma grande fã!!) Tens o dom da sabedoria em pensamentos e palavras!! Parabéns!!!!!

  5. Um texto esplêndido! Uma pena que perdemos bastante tempo com pessoas insignificantes, do presidente Bolsonaro, seus filhos, membros do governo, jogaram pelo ralo tempos preciosos, me refiro às armadilhas lançadas pelos adversários, se perdermos essa eleição para o facínora 9 dedos, não será culpa do STF, da mídia e muito menos dos nordestinos, em 2018, Bolsonaro venceu aquelas eleições sem nenhum apoio, desde o 1° turno, com investimentos precários e sem tempo da propaganda eleitoral, aí faz uma ótima administração, mas perde um tempo miserável rebatendo provocações da Xuxa, Anita e por aí afora, seus apoiadores liderados pelos seus filhos só falavam besteiras.

  6. Alguém ainda duvida disto, eles odeiam a familia a igreja e a classe media, querem eles e os cumpanheiros no topo e o resto na pobreza sendo controlados por eles, tenho pena e raiva quando vejo empresários ai apoiando Lula , imbecis dando tiro no próprio Pé, a Dilma quase conseguiu acabar com tudo este nosferato ai agora se eleito já era.

  7. Perfeito, ou nos mobilizamos agora ou nos mobilizam para fora da prosperidade.

    Quem gosta de se igualar na pobreza são os venezuelanos, bolivianos, argentinos, colombianos e argentinos.

    Quem gosta de ditador é a mãe dele ( e só).

    Quem gosta de andar na récua é jegue.

    Bolsonaro é a nossa cloroquina para afastar essa pandemia de bandidos.

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