A oposição aposta suas fichas na CPI da Covid

As eleições vão ser realizadas daqui a um ano. É esse o período de tempo que precisa ser levado em conta para qualquer cálculo sobre a real eficácia da 'solução coronavírus'
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A chave de tudo é saber a quantas vai andar a epidemia a médio prazo e, sobretudo, no dia em que o eleitor for às urnas
A chave de tudo é saber a quantas vai andar a epidemia a médio prazo e, sobretudo, no dia em que o eleitor for às urnas | Foto: Pedro França/Agência Senado

(J.R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 6 de outubro de 2021)

Cada vez mais, pelo que se nota no noticiário, a vasta constelação de “oposições” ao governo do presidente Jair Bolsonaro joga o grosso das suas fichas na “CPI da Covid”; é por aí, nas esperanças dos inimigos, que pode estar o mapa da mina. Luciano Hang, Prevent Senior, “kit” cloroquina, genocídio, general Pazuello, ações para comprar vacinas, ações para não comprar vacinas — tudo serve, segundo as análises políticas gerais, para enfraquecer Bolsonaro, fortalecer Lula (e/ou possíveis candidatos da “terceira via”) e resolver a eleição de 2022. É a “solução covid”.

Mas será que a “solução Covid” é mesmo uma solução? Seria por aí, realmente, o caminho para derrotar o presidente em sua tentativa de reeleição para o cargo? É algo a ser visto, ainda. A CPI atingiu o máximo de possível do barulho que podia fazer na mídia; mais alto que isso não fica. E qual o resultado prático de toda essa explosão nuclear sobre a saúde do governo? Os institutos de pesquisa dizem que a popularidade de Bolsonaro se aproxima do zero. Mas as ruas não dizem isso; na última vez em que deram as caras, mais de 200 mil pessoas foram para a Avenida Paulista manifestar seu apoio ao presidente. Bola dividida? No mínimo.

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Se o passado e o presente da “solução CPI” não parecem ter sido a “bala de prata” da oposição, resta indagar o que pode trazer o futuro. É preciso ter em mente, para lidar com isso, que há uma diferença essencial entre o que os meios de comunicação dizem e o que acontece na vida real. Você ouve, vê e lê uma coisa, mas os fatos podem trazer outra; antes de acreditar no que lhe dizem, portanto, é prudente esperar para ver o que de fato é verdade.

As eleições vão ser realizadas daqui a um ano. É esse o período de tempo, então — um ano — que precisa ser levado em conta para qualquer cálculo sobre a real eficácia da “solução covid”. A chave de tudo é saber a quantas vai andar a epidemia a médio prazo e, sobretudo, no dia em que o eleitor for às urnas. Data hoje, o panorama não parece promissor para a oposição. Setembro foi o mês com menos mortes por covid desde abril de 2020. Mais de 148 milhões de pessoas já foram vacinadas pelo menos uma vez; não há mais dúvidas de que a totalidade da população terá recebido duas doses de vacina na virada do ano. O público volta aos estádios de futebol. Começa a se cogitar, nas grandes cidades, no abrandamento ou na abolição do uso de máscaras. Onde fica, então, a bandeira da CPI?

Pode haver uma desgraça, é claro, e a coisa toda voltar ao que era; mas a oposição não pode contar com isso enquanto não acontecer. Ao fim e ao cabo, o que interessa é o seguinte: vai haver covid no dia da eleição, em outubro do ano que vem? Ou vai ou não vai; está com cara de que não vai. Se não for, a esperança de liquidar a candidatura de Bolsonaro com a “CPI” vai ficar mal. Quem vai se lembrar, daqui a um ano, do general Pazuello? Quem vai estar exigindo “vacina para todos”? O mal da CPI, para o presidente, tem de ser causado agora — e tem de durar até as eleições. Ou é isso, ou não será nada.

Leia também: “A insolência dos farsantes”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 80 da Revista Oeste

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