Censo 2022 se torna alvo de inquérito do MPF por não ter item sobre LGBTs

IBGE rebateu ao sustentar que perguntas sobre gênero podem ser consideradas 'invasivas'
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Investigadores entendem que a falta dessas questões exclui a comunidade LGBTQIA+
Investigadores entendem que a falta dessas questões exclui a comunidade LGBTQIA+ | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Censo 2022 virou objeto de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF), informou o G1 nesta terça-feira, 14. O objetivo do órgão é investigar por que a pesquisa não tem perguntas que identifiquem a comunidade LGBT.

Tudo começou em novembro. Na ocasião, o MPF decidiu abrir um inquérito preliminar. À época, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) argumentou que perguntas sobre gênero poderiam ser consideradas “invasivas”.

“A investigação de gênero é considerada quesito sensível, ou seja, que pode ser considerada invasiva e pessoal pelo respondente, podendo impactar na coleta de todas as demais informações”, justificou o IBGE ao MPF.

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O que informou o MPF

Segundo o procurador do MPF Lucas Costa Almeida Dias, o objetivo da investigação é verificar “eventual irregularidade no Censo 2022 em relação à não inclusão dos campos de identificação da ‘identidade de gênero’ e ‘orientação sexual’ nos questionários básico e amostral”.

Investigadores entendem que a falta dessas questões exclui a comunidade LGBTQIA+ do planejamento de políticas públicas que o Censo representa para o país.

Com a palavra, o IBGE

“Questões de identificação, que exigem o próprio como respondente, não são compatíveis com uma operação censitária, a qual tem um morador por domicílio, que responde por si e pelos demais moradores, a garantir a qualidade de seus resultados, não havendo como mudar esse aspecto técnico-operacional para o Censo 2022.

A definição dos quesitos que constam na pesquisa do Censo Demográfico é um processo complexo e que envolve o atendimento à necessidade de informação da sociedade e que, ao mesmo tempo, deve considerar vários fatores, entre eles, a revisão dos tópicos investigados tradicionalmente, a reavaliação da necessidade de manter a série histórica de dados, a avaliação de novas necessidades de informação, e as alternativas disponíveis de obtenção dos dados, sempre se observando as recomendações internacionais que têm como objetivo fornecer orientação e assistências aos países no planejamento e na condução de seus censos de habilitação e população e garantir a comparabilidade.”

Leia também: “Devemos desafiar a juventude woke”, artigo publicado na Edição 89 da Revista Oeste

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