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Política

CPMI da COP30: oposição retoma ofensiva no Congresso

Requerimento tem cerca de 100 assinaturas; Zucco destaca a necessidade de apuração de contratos bilionários firmados sem licitação com a ONG espanhola OEI

Portal de acesso à Conferência do Clima, em Belém | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Portal de acesso à Conferência do Clima, em Belém | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em meio ao fiasco organizacional e às denúncias de superfaturamento que cercam a COP30, a oposição voltou a pressionar o governo federal por explicações sobre os contratos firmados com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) — entidade espanhola contratada sem licitação para organizar a conferência climática em Belém (PA).

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O líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), retomou a coleta de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da COP30, com objetivo de investigar os repasses à ONG. 

O requerimento, protocolado em abril, já reúne cerca de cem assinaturas. O apoio à criação da comissão deve ganhar novo impulso com o agravamento das denúncias e o avanço da investigação no Tribunal de Contas da União (TCU).

stf - bolsonaro - Luciano Zucco (PL-RS) durante entrevista ao Arena Oeste | Foto: Revista Oeste
Luciano Zucco (PL-RS) durante entrevista ao Arena Oeste | Foto: Revista Oeste

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“O que está acontecendo com a COP30 é um escândalo que o Brasil precisa saber”, afirmou Zucco. “Desde o início do ano venho alertando sobre um esquema institucionalizado de desvio de recursos públicos por meio da chamada cooperação técnica internacional.”

Investigações em curso

fachada TCU
TCU abre investigação sobre repasses à ONG espanhola OEI | Foto: Divulgação/ TCU

De acordo com a representação apresentada por Zucco ao TCU, a OEI teria recebido quase R$ 1 bilhão em repasses públicos para executar serviços de logística, montagem e eventos — entre eles, a própria COP30 — sob a justificativa de “cooperação internacional”. 

A entidade não possui vínculo com a ONU e, segundo o parlamentar, atua como “atravessadora” de contratos que deveriam seguir os trâmites da Lei de Licitações (Lei 14.133/2021).

“Estamos falando de uma ONG estrangeira que virou uma atravessadora de contratos públicos”, denunciou o deputado. “Ela subcontrata empresas amigas do governo, copia editais da administração pública e ainda retém taxas de até 10% sob a desculpa de administração. Isso é um escárnio com o dinheiro do povo brasileiro.”

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A representação foi distribuída ao ministro Bruno Dantas, que determinou apurações preliminares sobre possíveis sobrepreços, irregularidades contratuais e descumprimento de exigências legais.

O documento do TCU confirma que a OEI celebrou acordos de cooperação com diversos órgãos federais, permitindo a contratação direta de empresas brasileiras e estrangeiras para serviços de infraestrutura, montagem e hospedagem durante a conferência.

Fiasco logístico da COP30 reacende críticas

Belém (PA), 06/11/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante lançamento da TFFF (Fundo de Florestas Tropicais para Sempre), durante a COP30 | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Belém (PA), 6/11/2025 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante lançamento da TFFF (Fundo de Florestas Tropicais para Sempre), durante a COP30 | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O tema ganhou força nos últimos dias, diante das críticas à execução da conferência em Belém. Relatos de falta de água, estrutura precária, atrasos em montagens e valores abusivos cobrados de participantes alimentaram as acusações de má gestão e uso indevido de verbas públicas.

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“A cada dia fica mais evidente que o dinheiro público foi mal utilizado e que a OEI se tornou um canal privilegiado de repasse para empresas amigas do governo”, declarou Zucco. “Nós precisamos investigar quem ganhou e quem lucrou com esse modelo de cooperação fajuto.”

Nos bastidores, líderes da oposição articulam apoio de senadores para ampliar o alcance da CPMI e convocar representantes do Itamaraty, do Ministério do Meio Ambiente e da Casa Civil — pastas que autorizaram a execução de convênios e contratos com a ONG estrangeira.

“O Brasil não pode normalizar um evento bilionário que virou símbolo de desperdício, má gestão e corrupção internacionalizada”, reforçou Zucco. “O dinheiro público é sagrado, e quem usa ele de forma criminosa precisa ser responsabilizado. Nada vai ficar impune.”

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