Cuba está à beira de uma guerra civil, diz Zoe Martínez

Em entrevista à Revista Oeste, a cubana comentou os protestos que miram o ditador Miguel Díaz-Canel
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Foto: Reprodução/Twitter
Foto: Reprodução/Twitter

Zoe Martínez ficou conhecida por seus vídeos críticos ao comunismo e à ditadura de Cuba. Nascida naquele país, mas hoje residente no Brasil, Zoe condena o totalitarismo e defende a democracia. A estudante cursa Direito em Brasília e continua na luta pela liberdade, sobretudo das pessoas que moram em Cuba. À Revista Oeste, Zoe comentou os protestos na ilha caribenha.

A menina cubana que todo adolescente iludido deveria conhecer: Zoe Martinez
Foto: Divulgação

 

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A seguir, os principais trechos da entrevista.

1 — Quais as mais recentes informações que você tem sobre o que está acontecendo em Cuba?

As manifestações continuam, com maior adesão popular em várias cidades do país. O “presidente” Díaz-Canel, nomeado por Raúl Castro, continua incitando os comunistas a ir às ruas e reprimir os manifestantes. Estão utilizando polícias e militares vestidos à paisana para agredir as pessoas. Alguns foram feridos à bala, outros estão presos ou desaparecidos. Um padre de Camagüey [cidade cubana] foi agredido e detido por defender um manifestante. O governo suspendeu a internet e a energia elétrica do país. Por isso, demora para recebermos novas informações. Mas, embora suspensa, a internet volta em alguns momentos e recebo informações pelas redes sociais e pelo telefone fixo. Circula entre os cubanos um aplicativo que se conecta por satélite. Não sei até que ponto funciona.

2 — Tivemos notícias de que as manifestações começaram no domingo. Em razão do fechamento da ilha, é possível que tenham se iniciado antes disso?

As manifestações começaram numa cidade chamada Santo Antônio dos Banhos, perto da capital Havana, e ocorreram de forma espontânea. A ela, foram se juntando outros municípios. O povo está no limite, sobretudo diante de uma crise de saúde sem precedentes, que veio para agudizar os problemas e a precariedade de um sistema socialista falido, tanto na saúde quanto na economia. Em Cuba, não há remédios, médicos nem vacinas suficientes, tampouco estrutura para enfrentar a pandemia de coronavírus. Além disto, as pessoas estão sem alimentos e sem água. Falta luz durante muito tempo. Os números de contágios e mortos pela covid-19 aumentam descontroladamente e a tudo isso se soma a falta de liberdade e de esperança em que vive o povo cubano.

“O país está vivendo uma verdadeira crise humanitária”

3 — Como está o sistema de saúde do país em meio à pandemia de coronavírus?

O sucateado sistema de saúde cubano está num momento crítico diante do avanço da covid-19. Cuba vem registrando números recordes de novos casos e mortes. Contudo, a cifra deve ser muito maior da que o governo declara. Faltam leitos, profissionais de saúde, medicamentos, falta tudo. Há pessoas denunciando a situação precária dos centros de isolamento, onde falta até água para beber. O país está vivendo uma verdadeira crise humanitária. A prova disso é que, pela primeira vez na história da Cuba revolucionária, o povo perdeu o medo e saiu para reivindicar seus direitos.

“Nos regimes totalitários, a palavra Democracia fica desprovida de sentido”

4 — O governo debita na conta dos Estados Unidos a rebelião popular. Quais os reais motivos?

A ditadura, historicamente, culpa os Estados Unidos por todos os problemas que acontecem em Cuba. Então, neste momento, não é de duvidar que aquela velha história do “bloqueio”, que não engana mais a ninguém, seja seu principal argumento. A realidade é que o povo cansou de escutar por 60 anos as mesmas mentiras. As pessoas cansaram de ver os líderes da cúpula do governo pedindo sacrifícios do alto de sua mesa farta e sua vida luxuosa, enquanto o povo vive em condições precárias, com fome, sem dignidade e, o pior, sem liberdade.

5 — Podemos dizer que Cuba está à beira de uma guerra civil?

Com certeza, pois o próprio “presidente” incitou a guerra civil, já que, como bom ditador e discípulo dos Castros, não aceita o legítimo direito do povo de se manifestar. Nos regimes totalitários, a palavra Democracia fica desprovida de sentido.

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