Renan mantém ‘resistência lulista’, para adiar convenção do MDB sobre Tebet

Senador lidera resistência interna contra candidatura própria e fala em 'judicialização', para contestar reunião da próxima semana

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Renan Calheiros lidera ala do MDB simpática à candidatura de Lula
Renan Calheiros lidera ala do MDB simpática à candidatura de Lula | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Renan Calheiros (AL) segue como obstáculo da Executiva Nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para a realização da convenção do partido na próxima semana, em 27 de julho. O veterano parlamentar mantém articulação em nome do adiamento do encontro virtual, que pretende validar a candidatura da senadora Simone Tebet, em nome de emplacar uma reflexão sobre apoio a Lula (PT).

Nesta sexta-feira, Calheiros manifestou inclusive que considera uma saída judicial para contestar a convenção marcada para a próxima quarta-feira.

Renan, Temer e Baleia Rossi

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Foi uma semana intensa de articulações. Na segunda-feira 18, Calheiros liderou a ala insatisfeita do MDB em encontro com Lula. No dia seguinte, levou a possibilidade de revisão de planos do partido a uma reunião com Michel Temer, em São Paulo. Então, finalmente na quarta-feira, o ex-presidente encaminhou a reivindicação para adiamento da convenção ao deputado federal Baleia Rossi (SP), presidente da legenda.

Rossi alegou a Temer que a decisão sobre a convenção em 27 de julho foi tomada de forma unânime pela Executiva Nacional do partido, em reunião no dia 15. Na oportunidade, a ala lulista do MDB não se manifestou. No entanto, dias depois o movimento dissidente começou a avançar.

Depois do encontro com Temer, Baleia Rossi passou a dialogar por telefone com representantes do MDB de 11 Estados que manifestaram intenção de apoiar Lula, em grupo que inclui os senadores Eduardo Braga (AM), Rose de Freitas (MG) e Marcelo Castro (PI). O presidente do partido conseguiu o compromisso de respeito à data estabelecida para a convenção. A exceção é Renan, que segue resistente à candidatura de Tebet.

No começo de julho, em entrevista à Folha de S.Paulo, Calheiros manifestou que não se oporia à convenção, mas destacou que uma candidatura sem competitividade poderia prejudicar o desempenho do partido em âmbito parlamentar, como acontecera em 2018, com Henrique Meirelles (34 deputados federais eleitos, com redução de quase 50% na bancada).

Nesta sexta-feira, Renan usou as redes sociais para oficializar a contestação à candidatura de Tebet.

“Sem diálogo, sem avaliações realistas sobre o desempenho da pré-candidatura, sem competitividade nas pesquisas é insanidade sacrificar o MDB nos Estados. A persistir a obsessão, não restará alternativa senão a judicialização da própria convenção”, afirmou.

Também nas redes sociais, por sua vez, Baleia Rossi reiterou que a pré-candidatura de Tebet está firme, a despeito dos movimentos internos contrários.

“Estive hoje com o ex-presidente Michel Temer, um grande conselheiro e amigo de longa data. Fiz um relato a ele sobre as perspectivas positivas do MDB para a eleição. Contei que temos pesquisas qualitativas que mostram forte potencial de crescimento de Simone Tebet”, afirmou o presidente do MDB.

“Disse ao ex-presidente que a data da convenção do MDB foi decidida pela Executiva de 15 de julho, em que todos os membros puderam se manifestar. De forma unânime, foi definido o formato virtual e o dia 27 de julho, mesma data de Cidadania e PSDB, que integram o Centro Democrático.”

Esperança de crescimento

O MDB conta com pesquisas que sugerem a possibilidade de crescimento de Simone Tebet quando a campanha começar oficialmente, a partir de 16 de agosto. No entendimento da cúpula do partido, tirar a senadora de Mato Grosso do Sul do páreo neste momento seria uma tentativa do PT de resolver a eleição no primeiro turno.

Diante do foco dissidente, líderes do MDB em 19 Estados divulgaram durante a semana um manifesto reafirmando o compromisso com a candidatura de Simone Tebet.

O texto foi assinado por Baleia Rossi, além de Alceu Moreira, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, e o primeiro vice-presidente nacional, Confúcio Moura. Os ex-governadores do partido Romero Jucá (RO), Pedro Simon (RS) e o senador Jarbas Vasconcelos (PE) também assinaram o manifesto.

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5 comentários Ver comentários

  1. É difícil de acreditar. Um partido, outrora comandado por Ulisses Guimarães, Pedro Simon e outros políticos sérios, hoje está nas mãos desses marginais, tipo Renan Calheiros, José Sarney, etc, etc….. MDB, quem te viu e quem te vê.

  2. E de justiça ele entende, tanto que não a obedece, e isto não é fake news.
    Importante neste momento é que o MDB comandado por raposas e coronéis do nipe desse FDP, Temer, Jucá, Lobão, Sarney, Requião, e uma quadrilha de envermelhar a cara de qualquer casa legislativa de país sério, começa a se depurar.
    Jamais o MDB participa diretamente do “teatro das tesouras”, e como coadjuvante apenas instala um “vigia” protegido por instituição oficial suspeita, e indica sempre quem tem as chaves dos cofres das estatais.
    Finalmente começa a brigar internamente, E ISTO É SUPER BOM PARA O POVO.
    Muito calados estão em constante conluio, roubalheira e planejamentos de como saquear a Nação.
    MDB não participa do teatro das tesouras.
    MDB É O DONO DO TEATRO.

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