Graças ao Supremo, ‘censura’ é palavra da vez nas redes

Bloqueio de perfis é criticado por quem ainda pode se manifestar por meio de plataformas digitais
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Plataforma tirou contas do ar, mas por ordem do STF | Foto: REPRODUÇÃO/TWITTER
Plataforma tirou contas do ar, mas por ordem do STF | Foto: REPRODUÇÃO/TWITTER | censura - redes sociais - stf

Bloqueio de perfis é criticado por quem ainda pode se manifestar por meio de plataformas digitais

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Plataforma tirou contas do ar, mas por ordem do STF | Foto: REPRODUÇÃO/TWITTER

Em pleno ano de 2020 o Brasil enfrenta situação de censura. Ao menos esse é o entendimento de jornalistas e internautas em geral. Desde o início da tarde desta sexta-feira, 24, o termo tem motivado reclamações contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o Twitter e o Facebook acataram decisão do ministro Alexandre de Moraes e suspenderam contas administradas por 17 pessoas. A lista de alvos abrange empresários e ex-deputado federal, conforme destacou Oeste.

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Leia mais: “‘Verdadeira censura’, diz advogado sobre bloqueio de perfis de empresário

Colunista da Revista Oeste, Guilherme Fiuza foi enfático ao comentar a decisão de Moraes. De acordo com ele, o parecer do integrante da Corte brasileira é inaceitável. “Passou de todos os limites”, garantiu o jornalista por meio de postagem no Twitter — aproveitando que, diferentemente de colegas como Allan dos Santos e Bernardo Küster, sua conta na plataforma segue ativa. “Ele [Moraes] agora decide sozinho qual informação pode circular no país? Ele decide quem fala e quem cala a boca?”, questionou o profissional, que cobrou revolta por parte de quem se define como “democrata”.

Ação contra bolsonaristas

Diretor-presidente do Instituto Liberal e comentarista político da rádio Jovem Pan, Rodrigo Constantino também definiu o caso estrelado por Moraes como “censura” — assim reforçando as mensagens que fazem com que a palavra apareça na lista de assuntos mais comentados no Twitter nesta tarde. Entre outros pontos, ele questionou a legalidade da decisão monocrática vinda do Supremo. “Do que se trata? Não foram notificados de nada ainda. É o tal inquérito ilegal? Isso é censura!”, alerta para o fato da falta de informações sobre o embasamento da decisão. Ele observa que os alvos do bloqueio digital são apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

O time de profissionais que atuam na imprensa e reforçaram as críticas a Alexandre de Moraes e ao STF conta até com um colunista do jornal Folha de S.Paulo. Professor do curso de gestão de políticas públicas da USP, Pablo Ortellado, assim como Fiuza e Constantino, não mediu palavras sobre o assunto. “Impedir os ativistas de direita de se manifestarem pelas mídias sociais é censura prévia. Uma coisa é investigar e eventualmente punir por aquilo que publicaram; outra, inteiramente diferente, é impedir que falem”, escreveu o cientista político, que colabora com o impresso paulistano.

Contra o silêncio

Líder da igreja evangélica Assembleia de Deus, Silas Malafaia foi além de reclamar do STF. Nesse sentido, ele contestou até autoridades que não se manifestaram contra o que está ocorrendo no país. De acordo com ele, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deveriam se posicionar neste momento. “Vergonha”, afirmou o religioso. “O ditador e tirano da toga, Alexandre de Moraes, impõe censura pior que a ditadura, bloqueando redes sociais, cerceando a liberdade de expressão, promovendo uma verdadeira perseguição política”, prosseguiu.

Medo

Diante da situação, a jornalista Claudia Wild teme que mais decisões desse tipo se tornem comuns no Brasil. “Infelizmente, a censura no Brasil já é uma realidade. Se a situação não for revertida rapidamente, estarão certos de que poderão prosseguir com todas as medidas autoritárias. É um caminho sem volta”, comentou a profissional por meio de sua conta no Twitter. Anteriormente, Leandro Ruschel observou que os alvos tendem a aumentar, independentemente de preferências políticas dos personagens. “Quem comemora a censura hoje será alvo da censura amanhã. É a lógica de qualquer ditadura.”

https://twitter.com/leandroruschel/status/1286726310434344961

Pedido de apoio

Antropólogo e escritor, Flávio Gordon argumentou que, ao menos por ora, é irrelevante gostar ou não das pessoas que tiveram suas contas bloqueadas nas redes sociais. De acordo com o pensamento dele, trata-se de grupo vítima de censura. Pessoas que, dessa forma, precisam ser apoiadas por todos “e ponto”. “Esse papo de concordância ou discordância é futilidade”, garantiu ao divulgar mensagem de Allan dos Santos, jornalista que está com a conta “suspensa” pelo Twitter.

 

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4 comentários Ver comentários

  1. É lamentável e muito triste ver no que se transformou o STF. Os ocupantes das vagas (ministros) não estão à altura do cargo. Pobre de nós brasileiros,.

  2. Sugiro os canais fazerem debates sobre a censura nas redes sociais falar no assunto é a melhor forma de colocar sob a luz clara do dia . Censura gosta de surpresa e silêncio.democratas gostam de debates e diversidades de ideias. Espero que aceitem está sugestão, começando pela revista oeste.

  3. #novascontas . Os donos das contas excluídas deveriam criar novas contas (com outros nomes) para que os seus seguidores migrem para elas. Vamos fazer o Censor do STF cancelar contas e mais contas.

  4. Triste momento em que vivemos no Brasil. Nem o regime militar teve esta ousadia. Quem vai frear o STF? E era o Bolsonaro que ia implantar uma ditadura e a censura.

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