Novas manifestações exigem o afastamento de Maia e Alcolumbre

Os protestos não ficaram restritos às ruas. No Twitter, uma hashtag contrária ao presidente da Câmara obteve 697 mil engajamentos
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DF - MANIFESTAÇÃO-A-FAVOR-DO-GOVERNO-BOLSONARO - GERAL - Manifestação a favor do governo Bolsonaro, na  cidade de Brasília, DF, neste domingo, 26. 26/04/2020 - Foto: WAGNER PIRES/ESTADÃO CONTEÚDO
DF - MANIFESTAÇÃO-A-FAVOR-DO-GOVERNO-BOLSONARO - GERAL - Manifestação a favor do governo Bolsonaro, na cidade de Brasília, DF, neste domingo, 26. 26/04/2020 - Foto: WAGNER PIRES/ESTADÃO CONTEÚDO

Os protestos não ficaram restritos às ruas. No Twitter, uma hashtag contrária ao presidente da Câmara obteve 697 mil engajamentos

Manifestação a favor do governo Bolsonaro, em Brasília (DF), no domingo 26
Foto: WAGNER PIRES/ESTADÃO CONTEÚDO

Aproximadamente 10 mil pessoas compareceram à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e 3 mil veículos percorreram as ruas da cidade ontem para pedir o impeachment dos presidentes Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). As informações são dos organizadores do ato. Entre as bandeiras defendidas pelos manifestantes estavam o engavetamento do auxílio bilionário concedido a Estados e municípios, atualmente em tramitação no Senado, e a flexibilização do isolamento social decretado por governadores, como forma de combate ao coronavírus. Houve protestos, ademais, em cidades do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais e do Paraná.

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O ápice para as mobilizações, que vêm ocorrendo com frequência ao longo das semanas (mirando ministros do Supremo Tribunal Federal), se deu em razão da denúncia feita pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB). Segundo ele, Rodrigo Maia articula com a esquerda um golpe de Estado para derrubar o presidente Jair Bolsonaro. No ato, em Brasília, o agora ex-ministro Sergio Moro também se tornou alvo dos protestos, ao ser chamado por manifestantes de “Judas” e “traidor”. Na sexta-feira 24 ele pediu demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública depois da saída do ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. Os participantes fizeram uma carreata pela área central de Brasília, da catedral Rainha da Paz até o Congresso Nacional.

Em São Paulo, as carreatas seguiram o mesmo ritmo das que ocorreram na semana passada. Os manifestantes aproveitaram a deixa para pleitear o impedimento do governador João Doria (PSDB), que já tem nas costas três processos do tipo. Parcela expressiva da população critica a forma como o tucano vem conduzindo o combate à covid-19 no Estado. Com buzinaços, os carros subiram a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio e foram até a Consolação, passando pela Avenida Paulista. No Rio, sobrou também para o chefe do Executivo Wilson Witzel (PSC). Ele, que é adversário de Bolsonaro, prolongou o isolamento social no Estado e, recentemente, foi alvo de denúncias que envolvem superfaturamento na compra de equipamentos hospitalares.

Monitoramento Oeste

Foto: MINGMAN SRILAKORN/STOCK PHOTO

As manifestações não ficaram restritas às ruas. No Twitter, por exemplo, a hashtag “MaiaTemQueSair” obteve 697 mil perfis tuitando a respeito — e supera, portanto, a ofensiva contra o presidente da Câmara que ocorreu três dias atrás. O assunto dominou a rede social, ao alcançar os trending topics e permanecer na primeira posição por quatro horas. A campanha também deu certo no Facebook, sobretudo na página oficial do movimento democrático Nas Ruas, que controlou o fluxo de interações naquela rede social. A postagem com melhor engajamento reuniu 4,8 mil curtidas, 1,4 mil comentários e mil compartilhamentos. O Instagram demonstrou boa adesão da hashtag e apresentou mais de mil perfis interagindo com ela.

Nesse domingo, todos os Estados se interessaram por Rodrigo Maia no Google, com destaque para o Rio de Janeiro, Distrito Federal, em que preside a Câmara, e São Paulo. Os termos relacionados ao nome do presidente da Câmara foram “rodrigo maia fugiu” e “carreata Brasília”. Apesar de os protestos serem temáticos e mirarem noutras personagens, consideraram Maia a figura central da insatisfação e o principal algoz das reformas que visam a levar o Brasil para a frente — ontem, a pesquisa “manifestação contra Rodrigo Maia” apresentou aumento repentino de 3.050%. Enquanto isso, “rodrigo maia foge” elevou a curiosidade das pessoas em 2.000%. Desde que Sergio Moro desembarcou do governo, o presidente da Câmara tem optado pelo silêncio.

Panorama da mídia

Foto: DIVULGAÇÃO/FLICKR

Diferentemente do que ocorreu na saída do ex-ministro da Justiça, desta vez os blogs e sites de direita conseguiram mais espaço no debate público em relação à imprensa tradicional. As páginas alternativas tiveram a melhor predição dos internautas que buscaram por informações acerca da manifestação de ontem. A versão dominante foi a de que Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, ministros do STF e governadores, sobretudo João Doria e Wilson Witzel, atrapalham o governo federal. Não só, os manifestantes dedicaram alguns disparos para atingir Sergio Moro. Conforme antecipou Oeste na mais recente edição publicada na sexta-feira 24, a estratégia adotada por apoiadores do Planalto será a desconstrução da imagem do ex-ministro.

Por outro lado, a grande mídia praticamente ignorou os protestos de ontem. Determinados veículos optaram por classificar os atos como sendo de intervencionistas, de ataques às instituições e pouco expressivos. As apostas de jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio foram nas fichas de Sergio Moro, ao explorar as denúncias do ex-ministro segundo as quais o presidente da República teria cometido crime de responsabilidade.

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