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O centro da resistência

"O que o público está vendo é um jornalismo de convicções, de militância e de desejos, e não de fatos", observou J. R. Guzzo
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil | Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
o centro da resistência
A força da profissão não está na militância ideológica ou partidária, mas no vigor persuasivo da verdade factual
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

(J. R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 25 de janeiro de 2020)

Raramente, até onde a memória recente registra, os meios de comunicação brasileiros viveram um momento de tanta excitação como vivem agora. O combustível desse nervosismo está, basicamente, na reação geral de muitas redações diante do presente clima político do país: decidiram transformar-se no que imaginam ser o centro da “resistência” ao governo, por considerarem que não é possível haver democracia com a presença de Jair Bolsonaro na Presidência da República.

Um oportuno e muito bem ponderado artigo do professor Carlos Alberto Di Franco, que acaba de ser publicado no jornal O Estado de S. Paulo, põe em dúvida a correção profissional desse jornalismo de denúncia automática e permanente — e, além disso, a eficácia do método que está sendo utilizado para combater o governo.

A força do jornalismo, diz ele, “não está na militância ideológica ou partidária, mas no vigor persuasivo da verdade factual e na integridade de sua opinião”. Ou seja: a imprensa tem de ser livre para investigar e denunciar, mas precisa, antes de tudo, respeitar os fatos e a lógica para persuadir alguém de alguma coisa. Se não fizer isso, além de não estar praticando bom jornalismo, não vai convencer ninguém.

“O jornalismo é o único negócio em que a satisfação do cliente (o consumidor da informação) parece interessar muito pouco”, escreve Di Franco. Na verdade, o que o público está vendo no momento é um jornalismo de convicções, de militância e de desejos, e não um jornalismo de fatos — o mais apropriado para satisfazer a necessidade de informações que o leitor espera de um órgão de imprensa.

A consequência inevitável dessa postura é a progressiva transformação da mídia num produto de baixa utilidade. Como nas seitas religiosas dedicadas a pregar para os convertidos, sua matéria-prima é a fé. Satisfaz ao “público interno”, mas fica nisso. Não é um bom sinal para a sua sobrevivência.

Leia também: “Os novos senhores do mundo”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 43 da Revista Oeste

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13 comentários

    1. ESTÃO DANDO TODAS AS PROVAS DE QUE FOMOS ENGANADOS, MANIPULADOS, ESTRUPRADOS IDEOLOGICAMENTE POR UMA IMPRENSA QUE NÃO PODERIA SER CHAMADA DE IMPRENSA.
      Somos gado e não gente.

  1. Acredito que Bolsonaro não é o santo que pregam nem o satanás proclamado pelo ódio maciço da minoria. Isso mesmo Bolsonaro continua porque a maioria esta com ele! Deixa o homem trabalhar em Paz! O grande publico não forma mais suas bases de argumentação seguindo o editorial do jornal militante! Viva a internet! Viva a democracia!

    1. A “ImprenÇa” CARCOMIDA do Brasil é uma lástima! Jornalistas sem preparo, sem responsabilidade profissional!
      Minha esperança é veículos tipo a Oeste que parece primar pela missão!

  2. O certo é que esgotou-se a paciência com os jornalistas e empresas que obtinham financiamento governamental, e assim escondia do público a verdade. Como as empresas de pesquisas que estão falindo(mamava nas tetas dos governos), essas mídias também terão o mesmo fim. Acharam que criando notícias falsas ou FAKE NEWS o público estariam do lado deles. Hoje temos informações e sabemos onde buscar. Sabemos que os milicianos Jornalistas não irão acabar, mas sim estarão mais expostos ao ridículo de suas fake matérias e a criação da moda os MEMES.

  3. 90% da mídia brasileira, predominantemente a “grande” mídia, que gosta do Lula e sua turma, que perdeu milhões com o Bolsonaro, está engrossando uma campanha sórdida contra o governo. Concordo com o Guzzo que a credibilidade dessa mídia é sofrível. Mas também acho que o governo e seus apoios têm que entrar nessa guerra de comunicação.

  4. Os portais conservadores fazem sucesso pois eles praticam o jornalismo de fatos e o debate é saudável. A mídia tradicional está fadada ao fracasso. Ninguém acredita mais nas mentiras da Globo, foice de São Paulo e afins. Agora,o que restam a eles é a censura e a desinformação. Ontem Mesmo no g1 teve uma matéria dizendo que a uma entidade de jornalismo apurou ataques a imprensa e o maior algoz foi o presidente. O que não constou na matéria é que a diretora desta entidade é colunista do vermelho.org
    Enfim, não é possível dar crédito para estes canalhas

  5. Palitinho de fósforo aceso. Muita fumaça e pouco fogo. A esquerda é hoje uma orquestra desorganizada e desacreditada sob o comando de um maestro embriagado.

  6. Compartilho da essência da publicação de J.R. Guzzo, analista de fatos e tendências, lógico, objetivo e sempre acertando o alvo da notícia…Parabéns!

  7. Com frequência comento os artigos do mestre Guzzo, na revista oeste, gazeta do povo e Estadão, por vezes até criticando mas enaltecendo a imparcialidade e a informação verdadeira dos fatos e não versões FAKEs.
    Leio o Estadão(emprestado) para verificar que mais de 95% de seus editoriais, artigos e matérias são de maldosa desinformação que destila ódio e inveja do governo Bolsonaro, e com frequência escrevo para o professor Carlos A, Di Franco fazendo essa critica e enaltecendo seus artigos que infelizmente são quinzenais mas que combatem o mal jornalismo hoje presente na grande imprensa, na pg. A2 ao lado de artigos e editoriais de decadentes tucanos e assemelhados que não se conformam estar afastados do poder. Felizmente ainda restam no Estadão jornalistas como Carlos A. Di Franco e J.R,Guzzo, e eventuais artigos de celebridades como o grande jurista Ives Gandra Martins. Por outro lado, ler “inutilidades” dos demais é também interessante, para conhecermos melhor o caráter de alguns que outrora admirávamos.

  8. A imprensa brasileira se tornou a VERGONHA da comunicação, igual o STF, podre, falsa, prepotente, viraram os lixos da informação.
    Analfabetos funcionais, nada mais que isso, quer pagar quanto?

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