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PARTE III: O que o governo pode ganhar com o PTB ? Leia a entrevista exclusiva com Roberto Jefferson

O PTB e a aproximação com o governo do presidente Jair Bolsonaro
O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson | Foto: Weleson Nascimento/PTB Nacional

Este trecho faz parte da entrevista exclusiva que o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, concedeu a Oeste. Acompanhe outros tópicos desta entrevista.

O PTB e a aproximação com o governo do presidente Jair Bolsonaro

O senhor diria que o PTB é, hoje, um partido conservador?

Sempre foi. Você repare que todas as lutas do PTB, eu, Roberto Cardoso Alves [ex-deputado federal e ex-ministro], Gastone Righi [ex-deputado federal], sempre fomos conservadores. Éramos do Centrão na constituinte. Nós nos unimos na constituinte para que virasse uma carta de Moscou, aquela comissão de sistematização. Veja [Alberto] Pasqualini, que é criador e ideólogo do PTB, da doutrina, está aqui [Roberto Jefferson pega o estatuto do partido em mãos] no programa do partido. Programa e estatuto, votado em 21 de abril de 2018. Nenhum partido assume um programa conservador nos costumes e liberal na economia com tanta coragem e densidade como nós. Pasqualini escreveu, em 1944, quando o partido foi fundado: “O PTB é uma resposta aos partidos comunistas e socialistas que se apresentam como os únicos representantes do trabalhador. O PTB defende o trabalhador e o empregador que gera empregos”.

E foi esse mesmo estatuto que o senhor mostrou ao presidente Bolsonaro, não?

Eu mostrei ao presidente Bolsonaro e mostrei ao general [Luiz Eduardo] Ramos [ministro-chefe da Secretaria de Governo]. E eles ficaram encantados, tanto que o general Ramos me ligou depois e disse “o presidente adorou”. [O estatuto] Está atual, com o pensamento do Estado, do brasileiro, do governo brasileiro, nenhum partido tem um programa tão avançado, tão sincero e tão claro como esse do PTB.

Sobre a aproximação do PTB com o governo. O que governo e partido podem ganhar com isso?

Primeira, as bênçãos de Deus. Entrevista todos daqui. O PTB mudou. Tinha, sim, um clima de tensão, um não falava com outro, queria brigar. Hoje, retomamos as antigas práticas. Nós, aqui, tínhamos esquecido de orar na hora do almoço, de agradecer, de nos cumprimentar sempre evocando a imagem de Deus. Um ou outro fazia isso, mas era uma prática secundária. Ela voltou a ser a prática principal. Você olha as paredes, o Leão de Judá, Cristo, olha nossa sala de refeitório, é a Santa Ceia. Primeiro, [essa aproximação] nos uniu em torno dos nossos credos, nos uniu em torno de Deus. Segundo, tirou o PTB do noticiário policial. Estávamos muito abatidos com o noticiário policial até de fake news, montado para nos destruir, mas nós estávamos enredados permanentemente no noticiário policial.

Como foi a conversa com o presidente, é possível que ele se filie ao PTB?

É bem possível que ele venha, é bem possível. Ele já foi do PTB, foi meu liderado, e ele disse para mim, olhando nos meus olhos: “Roberto, eu te conheço, meu irmão, todo mundo sabe que o que você diz não tem volta. Você é um cara que diz não com muita facilidade, mas, quando diz sim, cumpre. Eu me lembro que você sempre dizia isso, Jefferson, que palavra empenhada é flecha lançada, não volta mais”. Eu não minto, mesmo que a verdade me atinja. E o presidente sabe disso e disse — “eu terei muita tranquilidade de estar no PTB. Vou estudar, tenho que conversar com o grupo do Aliança que estamos fazendo”. Se não sair o Aliança, ele pode vir para o PTB. Aqui, ele tem o colchão de mola do programa do partido que dá a ele o estofo do discurso partidário que faz. E vai encontrar, aqui, guerreiros dispostos a dar o sangue para ele. Nós temos cara de ovelha, mas, aqui, dentro da veia, corre sangue de leão, meu irmão.

O senhor deixou bem claro que a identidade conservadora do PTB sempre existiu. Mas como se dá essa identidade e aproximação com o governo?

Essa nossa identidade sempre foi negada, nós não tínhamos espaço na imprensa. Ou era DEM ou era PSDB, com quem nós nos alinhávamos sempre no Congresso. Olha o alinhamento do PTB desde seu ressurgimento na eleição de 1982. Nós refundamos o PTB em 1979, eu ajudei papai, que foi vereador em Petrópolis duas vezes, em 1958 e 1962, pelo PTB, e meu avô, Ibrahim, foi vereador em Sapucaia (RJ) na fundação do PTB lá no Vale do Paraíba, em 1945. Nós sempre fomos do PTB, então, ajudei a papai refazer o PTB naquela nossa região, Petrópolis, Teresópolis, Areal, São José do Vale do Rio Preto, Três Rios, Sapucaia, Paraíba do Sul, Valença. Ajudamos a reconstruir o PTB com os velhos trabalhistas, da Ivete Vargas [ex-deputada federal e sobrinha neta de Getúlio Vargas], não do [Leonel] Brizola [fundador do PDT e ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio]. Nossa linha é a linha conservadora.

Quer saber sobre o que pensa Roberto Jefferson sobre a reeleição de Bolsonaro? Aguarde o próximo tópico da série.

 

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3 comentários

  1. Os dois olhos bem abertos com este sujeito, se quer ajudar, fazer o bem sem olhar a quem que faça por si, sem querer nada em troca… Não confio em Roberto Jerfferson!

  2. O Roberto é um cara do bem! errou um dia como todos nós erramos em algum momento, mas foi grande o suficiente para assumir o erro e ajudou a derrubar o PT.

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