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Renda Brasil será fundamental para Bolsonaro manter aprovação em alta

Com o fim do auxílio emergencial, governo precisará lançar o Renda Brasil para assegurar aprovação e popularidade em alta
O presidente da República, Jair Bolsonaro | Foto: FÁBIO POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL
O presidente da República, Jair Bolsonaro | Foto: FÁBIO POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL | O presidente da República, Jair Bolsonaro | Foto: FÁBIO POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Com o fim do auxílio emergencial, governo precisará lançar o Renda Brasil para assegurar aprovação e popularidade em alta

Bolsonaro Líbano
Bolsonaro intensifica ações pelo Brasil | Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro aproveita os “bons ventos” para antecipar movimentos de sua campanha eleitoral, mas precisará ser cirúrgico para manter a popularidade em alta. Especialistas ouvidos por Oeste condicionam a manutenção da curva crescente de aprovação ao lançamento do Renda Brasil, o novo programa de transferência de renda que substituirá o Bolsa Família.

A mais recente pesquisa do DataPoder mostra que, se as eleições fossem hoje, Bolsonaro estaria reeleito. Inclusive, teria mais votos no Nordeste que Fernando Haddad, candidato petista nas eleições de 2018. Há dois anos, o agora presidente da República perdeu em todos os estados na região.

A pesquisa aponta ainda que, em junho, o governo era rejeitado por 50% da população e aprovado por 41%. Hoje, os índices de rejeição e aprovação são semelhantes: 45%. A explicação para isso está no o auxílio emergencial. Como ele se extinguirá, manter uma eficiente política assistencialista será determinante para assegurar e até impulsionar a popularidade, avalia o diretor-presidente do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo.

O especialista tem uma leitura pragmática e lembra que o próprio Paraná Pesquisas sugere a reeleição de Bolsonaro nos dias atuais. “O auxílio emergencial fez ele crescer nas pesquisas. O resto tudo é conversa confiada. O brasileiro quer dinheiro no bolso”, diz o cientista político.

Sucesso

As idas de Bolsonaro ao Nordeste, região onde se concentra 58,9% dos beneficiários do auxílio emergencial, não são à toa. “Por que ele está indo para a região? Porque o clima político é favorável. E por que o ambiente é bom? Porque ele tá dando dinheiro para o povo. O [ex-presidente] Lula tinha mensalão e tudo nas costas, mas o povo estava feliz, estava comendo”, destaca Hidalgo.

A partir do momento em que o auxílio emergencial acabar e o emprego e a economia voltarem a bater com mais força na porta dos brasileiros, algo precisará ser feito. É aí que entra o Renda Brasil. “Criando o programa, tem tudo para ser um sucesso. Não tenho dúvidas e tenho convicção que ele já absorveu isso”, sustenta o especialista.

Perigo

O cientista político Thales Castro, coordenador do curso de Ciência Política da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), concorda com a leitura. Mas faz ressalvas. “Ele vai precisar, corretamente, utilizar estratégia clientelista até diria um pouco perigosa, que é a da retroalimentação assistencial. Ela garante um tipo de sobrevivência política eleitoral a ele, mas coloca em risco o pilar da economia liberal liderada pelo ministro Guedes”, alerta.

A estratégia, entretanto, tem ônus e bônus. “A armadilha do assistencialismo é estrangular as finanças públicas e aumentar os tributos. E a nova CPMF proposta pelo Guedes vai ter um custo político enorme e acho que não passa”, adverte Castro. “O grande perigo disso é justamente Bolsonaro entrar na lógica que ele mesmo criticava do PT, da relação clientelista. Ele vai precisar se reinventar sem se distanciar muito daquele Bolsonaro de 2018”, analisa.

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