Retratos de um Brasil que não chegou ao fim

Atores políticos acreditam que o governo 'acabou'. Mas as pesquisas e os números que retratam momentos da história recente do país indicam que não. É o que a Oeste aponta em um levantamento feito desde antes da abertura do impeachment de Dilma
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Foto: Marcos Corrêa/PR
Foto: Marcos Corrêa/PR
O presidente Jair Bolsonaro
A gestão Bolsonaro chegou ao fim? | Foto: Marcos Corrêa/PR

Há quem diga que pesquisas são retratos de um momento. E um retrato pode ser bom ou ruim. Os critérios são muitas vezes um tanto quanto subjetivos. No atual cenário político, então, tal analogia põe em xeque a narrativa de quem acredita que o governo federal “acabou”. A exemplo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A Veja informa que, em conversas reservadas, o demista questiona a capacidade de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “chegar a 2022”. Será?

Em que pesem as críticas e falhas de instrumentos de pesquisa no país, o fato é que os números podem ajudar a construir cenários e perspectivas políticas. Em meio à maior pandemia de sua história, o Datafolha indica que, apesar das várias críticas atribuídas ao governo, 33% da população avalia o desempenho de Bolsonaro em relação ao coronavírus como “ótimo ou bom”. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou menos. O mesmo instituto apontou que 30% das pessoas aprovaram o governo em 2019.

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Esse porcentual, em torno dos 30%, tem acompanhado a trajetória política de Bolsonaro desde a campanha eleitoral. Vale lembrar que, em 2 de outubro de 2018, o Datafolha indicou que o presidente tinha 32% das intenções de votos. Quatro dias depois, na véspera do primeiro turno das eleições, o então candidato do PSL chegou a 36%. Puxado, é verdade, pelo fenômeno classificado por cientistas políticos como “antecipação do voto útil”, em um momento em que o postulante petista, Fernando Haddad, se consolidava na esquerda.

Enquadramentos

De fato, não é recomendável comparar pesquisas diferentes. Mas, se o retrato conta, é possível extrair análises de inúmeros “enquadramentos”. Entre elas, que o presidente mantém cativa uma aprovação entre 30% e 36%. Em fevereiro, antes de a covid-19 desembarcar com força no Brasil, o presidente tinha 37% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno contra Haddad e de 31% contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontou pesquisa FSB/Veja.

É bem verdade que os números também mostram que Bolsonaro não consegue agregar votos do “centro”, do chamado “eleitor mediano”. Aquele mais preocupado com segurança, saúde e educação, e menos com discursos polarizados e ideológicos. Mas, com 30% do eleitorado nas mãos, Bolsonaro ainda se mantém forte no poder.

Impeachment

A abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff foi anunciada em 2 de dezembro de 2015. Desgastada pelas acusações das pedaladas fiscais e de inúmeros protestos contra seu governo, Dilma tinha aprovação de 10% em 25 e 26 de novembro daquele mesmo ano, apontou o Datafolha. Bolsonaro conta com o triplo disso e não há sinalizações de que vá enfrentar a mesma turbulência.

No atual cenário, criar conjecturas e cenários de que o governo “acabou” ou pôr em dúvida a capacidade de chegar a 2022 é, no mínimo, prematuro. Os acontecimentos nos últimos quatro anos apontam em sentido contrário. Os números, retratos de momentos históricos, também.

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19 comentários Ver comentários

  1. Hoje eu entendo melhor 1964 mesmo! Esses espertalhões vigaristas saquearam o Brasil e emporcalharam a democracia, alguns presos, outros condenados e soltos, outros ainda no Congresso graças aos votos dos Analfabetos Políticos mesmo, cito o probo Aécio Neves e outros também, fizeram o que fizeram contra o Brasil e ainda ficam tentando desestabilizarem o Brasil, pois então continuem, eu já conheço esse filme, sou testemunha viva do fato e digo que estamos caminhando para uma nova intervenção militar mesmo! Espertalhões, bandidos e vigaristas são tratados como celebridades no Brasil! Vergonha descarada mesmo! Depois são aqueles argumentos que já conhecemos desses vagabundos parasitas que saquearam o Brasil! Vão para a Cuba que os pariu mesmo!

  2. Quero ver o que vai acontecer no próximo ano, quando a maior parte dos brasileiros concluir que não conhece uma pessoa falecida em razão do covid-19, mas conhece muitas desempregadas, com problemas financeiros e necessitando de ajuda dos familiares e amigos, sem falar da ajuda do governo.

    1. Estou me identificando muito com a linha da revista, antes eu Assinava O ANTAGONISTA, porém estou muito decepcionada com os rumos que a revista tomou. Me parece que o Dória é a vedete da vez. Este ano pretendo assinar a Oeste.

    2. Se as coisas continuarem no ritmo atual, Bolsonaro sairá da crise muito maior do que entrou. Aos poucos, a percepção de que a pandemia foi utilizada por seus detratores, a vitória no caso da cloroquina e a relativa calma com a qual o governo enfrentou a pandemia ( apesar de apanhar dia e noite da grande imprensa), vão ficando evidentes para o povo.

  3. Essa corja instalada no Congresso e Judiciário são brasileiros de araque que não querem perder a boquinha que se acostumaram a ter na era do PT. Fazem de tudo pra acabarem com o presidente. Pergunto: Houve roubalheira, o país financiou algum país estrangeiro a fundo perdido, a economia não estava bem encaminhada ? Enfim querem continuar a meter a mão e o nariz em tudo! Pobre Brasil.

  4. A questão que me preocupa é que Bolsonaro não tem base de apoio relevante no congresso. Um processo de impeachment é político, o motivo é o de menos. Se a corja política iniciar um processo pode vingar. Assim como o cálculo político do esfacelamento da economia e desgaste do governo em 2022 com sucessivas derrotas para o congresso , senado e STF. A elite política perdeu o pudor.

  5. Há algum tempo atrás se duvidava do datafolha nas suas pesquisas. Agora tá valendo. Se não acontecer nada com a covid-19, isto é, se o que aconteceu na Itália, Espanga e EUA se comprovar uma armação da Globo, acho que o Bolsonaro se reelege se conseguir imputar a recessão aos governadores, STF, Congresso e comunistas. Caso contrário… duvido que ele consiga sair de casa.

    1. Nosso Presidente está mudando um paradigma político no Brasil, que começou a ser construído desde seu descobrimento; não é brincadeira, é natural que a rataiada fique agitada!

  6. A Esquerda sabe onde é o Brasil ? Porque nos governos anteriores, estava resolvendo os problemas de outros Países, como Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e outros.

    1. A esquerda, com esse golpe global de corona vírus trouxe a pobreza de volta em níveis alarmantes. Este prejuízo vai levar anos para recuperar. Mas o que podemos fazer já este ano é eleger somente políticos que não usarem fundo eleitoral, assim como, aqueles que defendem Bolsonaro. Façamos isso que certamente vamos virar esse jogo. Lembre que a esquerda encontrou um jeito e vai repetir novamente em 2022. Temos que estar preparados para a luta. Não vai ser fácil

  7. Algo que não está bem explicado: quer dizer que todo o dinheiro que está sendo distribuído para combater o coronavírus e o desemprego, auxílios e pacotes para os estados endividados não está agradando? O que deve ser feito, então? Quanto em dinheiro precisa ser investido pelo governo federal e quanto deve ser o valor do auxílio aos informais e desempregados?Qual o valor total que os estados endividados devem receber em uma semana? O esforço para comprar equipamentos de saúde no exterior também não é suficiente? Quantos militares devem ser envolvidos no processo todo? Alguém que é contra poderia apresentar um plano para ver quais as alternativas.

    1. A esquerda, com esse golpe global de corona vírus trouxe a pobreza de volta em níveis alarmantes. Este prejuízo vai levar anos para recuperar. Mas o que podemos fazer já este ano é eleger somente políticos que não usarem fundo eleitoral, assim como, aqueles que defendem Bolsonaro. Façamos isso que certamente vamos virar esse jogo. Lembre que a esquerda encontrou um jeito e vai repetir novamente em 2022. Temos que estar preparados para a luta. Não vai ser fácil

    2. Creio que o leitor está equivocado. Essa ajuda financeira nem entrou na conta (não está precificada nas pesquisas). Detalhe: o Congresso quer que o Gov Federal gaste, como se não houvesse amanhã. O Jair Bolsonaro e seus ministros que tentam frisar essa gastança.

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