Reverendo chora em depoimento: ‘Fomos usados de maneira ardilosa’

'Se pudesse voltar atrás, eu voltaria. Peço perdão a todos', afirmou Amilton Gomes de Paula aos membros da CPI da Covid
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O reverendo Amilton Gomes de Paula presta depoimento à CPI da Covid no Senado
O reverendo Amilton Gomes de Paula presta depoimento à CPI da Covid no Senado | Foto: Flickr/Senado

Em seu depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira, 3, o reverendo Amilton Gomes de Paula, fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), chegou às lágrimas ao admitir que estava arrependido de ter participado das negociações para a compra de vacinas contra a covid-19.

Ele afirmou aos integrantes da comissão que se sentiu “usado de maneira ardilosa”. Amilton teria recebido aval para que negociasse a aquisição de 400 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca com a empresa Davati Medical Supply, que se apresentava como intermediária nas supostas conversas com o laboratório.

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“Hoje, com a série de eventos divulgados, entendemos que fomos usados de maneira ardilosa para fins espúrios e que desconhecemos. Vimos um trabalho de mais de 22 anos de uma ONG, entidade séria, voltada para ações humanitárias, educacionais, jogado na lama, trazendo prejuízo em sua credibilidade e atingindo seus integrantes nas relações profissionais e familiares”, desabafou o reverendo.

Chorando, Amilton afirmou que “foi um erro” ter se envolvido de alguma forma nas negociações. “Se pudesse voltar atrás, eu voltaria. Peço perdão a todos os senadores, a todos os deputados, e o que eu puder fazer para melhorar a vida de alguém… Para quem me conhece como pastor e hoje está me assistindo, está dizendo: ‘Esse eu conheço’. Jamais fraudei ou tirei algo de alguém e estou aqui para contribuir com o Brasil sempre”, afirmou.

Ainda de acordo com o reverendo, ele “não estava negociando vacinas”, mas “indicando alguém que teria essas vacinas”.

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Amilton relatou ter participado de uma reunião em 12 de março com o cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominguetti e Cristiano Carvalho, representantes da Davati, servidores do Ministério da Saúde e o então secretário-executivo da pasta, Élcio Franco.

“Nessa reunião, foi extremamente objetivo, afirmando que ele [secretário-executivo] conversara diretamente com o laboratório e que eles afirmavam não ter vacina em grande quantidade disponível. Com isso, o secretário reafirmava que precisava de um documento deles, a AstraZeneca, corroborando que a Davati possuía de fato as vacinas mencionadas”, disse o reverendo.

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“Bravatas”

No depoimento, Amilton classificou como “bravatas” as menções ao presidente Jair Bolsonaro e à primeira-dama Michelle Bolsonaro nas mensagens com Dominguetti. “Eu queria mostrar algo que não tinha. […] Eu não tinha convicção do que estava sendo escrito”, justificou o reverendo.

Em mensagens obtidas pela CPI, Dominguetti afirma que a primeira-dama teria entrado no processo de negociações das vacinas da Davati. O cabo da PM teria dito ainda que o próprio Bolsonaro teria participado indiretamente das conversas.

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