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Sobre Lula e uma entrevista que só poderia acontecer no dia 1º de abril

Ex-presidente tenta reescrever a História e deixa claro que pretende voltar às urnas com o aval do Supremo
Lula prepara volta às urnas com discurso de vitimismo e ataques a Bolsonaro
Lula prepara volta às urnas com discurso de vitimismo e ataques a Bolsonaro | Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma longa entrevista ao programa O É da Coisa, da Rádio BandNews, nesta quinta-feira, 1º. Durante mais de uma hora, o petista repetiu os habituais ataques à Operação Lava Jato, defendeu ex-companheiros como Dilma Rousseff e Guido Mantega e apontou sua artilharia mais pesada ao seu provável adversário nas urnas no ano que vem, o presidente Jair Bolsonaro — a agenda liberal do ministro Paulo Guedes foi a reboque.

Armado de uma narrativa (para usar a palavra favorita da esquerda) que só cola para quem não acompanhou — ou não quer lembrar — os governos do PT, Lula alternou o tom professoral com vitimismo e até deboche. Ouviu-se que:

• A Lava Jato premiou ladrões porque seu objetivo nunca foi o combate à corrupção, mas, sim, à política; atingir partidos e desmoralizar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal;
• “No meu tempo o Estado era democrático”;
• “Quero um debate com o tal mercado”;
• “Sou contra o governo empresarial” — e as privatizações;
• O que derrubou Dilma Rousseff foi uma “mentira escandalosa” porque todos os governos cometem pedaladas;
• O PT não é contra a liberdade de imprensa;
• Deus o controla para ajudá-lo a acertar mais do que errar;
• A morte de sua ex-mulher Marisa Letícia foi apressada pelo vazamento de conversas particulares descobertas em investigações;
• O PT foi vítima de um golpe porque ficaria no poder por 24 anos;
• O discurso de “herança maldita” nunca foi dele; era coisa do ex-ministro Antonio Palocci Filho;
• Que “não tem bronca com Fernando Henrique Cardoso” nem com tucanos;
• “Quando as pessoas perguntam ‘Lula, qual foi o milagre do seu governo?’, digo ‘foi colocar o pobre no Orçamento’”;
• O Brasil era muito mais respeitado internacionalmente e a economia seguia no prumo apesar de erros pontuais de Dilma (as únicas falhas que aconteceram, segundo ele);
• A Petrobras teria gerado muito mais lucro sem a Lava Jato e a “destruição” de empresas condenadas pela Justiça.

Foi mesmo uma entrevista que só poderia ter acontecido num 1º de abril.

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