Sobre Ricardo Salles e o delegado da PF que ‘quis aparecer’

Carga de madeira apreendida estava apodrecendo à espera de inquérito que não saiu do papel
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O ministro Ricardo Salles, que segue à frente do Ministério do Meio Ambiente | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro Ricardo Salles, que segue à frente do Ministério do Meio Ambiente | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No último dia 14, o delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, responsável pelas fronteiras do Amazonas, onde se dobra a lupa quando o tema é a preservação da floresta em tempos de grandes eventos mundiais, como a recente Cúpula do Clima, decidiu apresentar uma notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o senador Telmário Mota, de Roraima. Segundo ele, os dois protegiam madeireiros e atrapalharam medidas de fiscalização por interesses privados. Saraiva foi demitido do cargo no ritmo das entrevistas que enfileirou para atacar o governo Jair Bolsonaro. “Ele quis aparecer com essa situação toda, quis e quer holofotes”, respondeu Salles. E, de fato, o delegado apareceu — e teve os holofotes da imprensa tradicional e de uma audiência na Câmara dos Deputados.

O caso que provocou polêmica começou com uma operação policial que bloqueou uma carga de 200 mil metros cúbicos de toras etiquetadas (pelos responsáveis), avaliada em R$ 100 milhões, na divisa do Pará com o Amazonas. O material ficou parado, em desgaste permanente sob chuva, até que o ministro decidiu intervir a pedido de congressistas, procurados por empresários. De acordo com o governo federal, a retirada das árvores ocorreu conforme a lei — ou seja: os proprietários tinham a escritura das terras e os respectivos planos de manejo, ainda que alguns documentos estivessem incompletos por causa da burocracia da legislação ambiental. Mas o delegado partiu para a provocação e afirmou que, para a Polícia Federal, “não passaria a boiada”, em alusão a uma frase de Salles no passado sobre a rigidez da legislação.

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Um detalhe chamou a atenção nesse caso: o superintendente Saraiva era quem presidia o inquérito, algo raro para quem ocupa esse tipo de cargo nos Estados. “Isso mostra a falta de parcialidade dele. Não somos contra a operação, mas tem de se respeitar as regras e atuar de maneira célere. Quatro senadores, três deputados, o ministro da Justiça [André Mendonça], entre outros, pediram para atuar no caso. Além da carga, máquinas foram apreendidas. Passados 120 dias de investigação, por que não houve conclusão? A madeira estava estragando na chuva. Se essas pessoas não forem bandidas, quem vai indenizá-las?”, disse Salles. “Eu estou sempre ao lado da lei. Ao contrário da narrativa que ele tentou criar, nós não somos contra a Polícia Federal.”

Foi numa dessas entrevistas do delegado, aliás, que ficou evidente a causa da cizânia: ele é contra o apoio de forças militares no combate ao desmatamento, como defende Salles. Uma das propostas do ministro, por exemplo, é o auxílio de policiais da Força Nacional de Segurança, constituída por oficiais dos Estados, na patrulha — em apoio aos fiscais do Ibama e do ICMBio, que não têm poder de prisão. “Essa proposta é desnecessária para dizer o mínimo. Nós já temos a PF, o Ibama e o ICMBio para fazer isso. São instituições que tem ampla experiência e não haveria necessidade de mais uma força para realizar esse trabalho”, disse Saraiva, ao jornal O Globo.

Ainda na entrevista, tanto a pergunta quanto a resposta do delegado alimentam a desconfiança sobre até onde vai a política quando o tema é o meio ambiente: “Pelo fato de o senhor ter sido especulado como ministro do Meio Ambiente, há críticas de que a notícia-crime contra Salles foi uma forma que o senhor encontrou para atingi-lo e, eventualmente, substituí-lo. Como o senhor responde a essas críticas?”. A resposta é evasiva: “Tive apenas duas conversas com o presidente Jair Bolsonaro. Conversamos sobre temas ambientais. Quando eu vim pra Amazônia em 2011, não havia nem sonho disso [indicação]. Não tenho controle algum sobre o que as pessoas pensam, mas tenho a minha história a meu favor”.

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6 comments

  1. Característica humana a inveja, a maldade e a presunção. Salles vem fazendo um excelente trabalho no Ministério, tanto quanto outros Ministros em seus respectivos Ministérios.
    Em situações normais já seriam normais atitudes medíocres, levianas e difamatórias de invejosos com determinado distúrbio de caráter, ainda mais agora, quando daqui de dentro e lá de fora, nos tentam tirar a Amazônia e a soberania do País sobre ela!

  2. ISTO É UM ABSURDO
    PESSOAS QUE NAO ENTENDEM OU TEM OUTRAS PREOCUPAÇOES ATRASANDO O PAIS
    ATÉ QUANDO VAMOS SUPORTAR !!!!!

  3. Atuação típica de quem tem medo de perder algima boquinha em propinas, geralmente quando o camarada não quer gente de fora ajudando a fazer o serviço é porque o serviço é muito “bom” pra ele.

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