Quem é Cauê Macris e por que ele é importante para João Doria?

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Em 28 jun 2020, 19:15

Quem é Cauê Macris e por que ele é importante para o governador João Doria?

28 jun 2020, 19:15

Atual presidente da Alesp é filho de deputado federal, tem como reduto eleitoral cidade do interior paulista e foi um dos promotores da candidatura do tucano ao governo estadual em 2018

cauê macris - deputado estadual e presidente da alesp - aliado do governador joão doria

O deputado estadual pelo PSDB e presidente da Alesp, Cauê Macris | Foto: DIVULGAÇÃO/ALESP

De vereador de cidade do interior a presidente do Poder Legislativo da principal potência econômica do país. Assim pode ser resumida até aqui a carreira política de Cauê Caseiro Macris, o Cauê Macris. Depois de ficar na suplência na primeira vez em que se candidatou a vereador em Americana (SP), em 2004, ele acumulou uma sequência de vitórias nas urnas — e nos bastidores do poder.

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Ao reeleger-se vereador em seu município natal, cidade com pouco mais de 230 mil habitantes a 126 quilômetros da capital, Macris não cumpriu a legislatura em sua integridade. Isso porque se lançou candidato a deputado estadual em 2010. Vitorioso, hoje está no terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), sendo o presidente da Casa desde 2017.

Filiado ao PSDB, Macris começou sua ligação com o tucanato ainda no berço. Filho do hoje deputado federal Vanderlei Macris, ele viu o pai ser um dos articuladores da fundação do partido. Além disso, Vanderlei foi sete vezes deputado estadual por São Paulo.

Cauê Macris, entretanto, tem uma trajetória política independente do pai. No comando da Alesp, tem se consolidado como importante aliado de João Doria. Enquanto outras figuras do cenário paulista tecem críticas ao ocupante do Palácio dos Bandeirantes, inclusive prefeitos do PSDB, o deputado se mantém um fiel escudeiro. Como presidente da Alesp, tem barrado pedidos de impeachment contra o governador de São Paulo.

Diante desse cenário, Oeste se propõe a explicar quem, afinal, é Cauê Macris e qual a sua importância para o governo Doria. Em resumo, a explicação passa pelos seguintes tópicos:

  1. Primeiros passos na política
  2. Trajetória como deputado estadual
  3. Eleições 2018 e reeleição para o comando da Alesp
  4. Sócio de posto de combustível
  5. Relação com o “Neymar” do PSDB
  6. Cauê Macris, aliado fiel a João Doria
macris - alesp

Cauê durante discurso em setembro de 2019 | Foto: DIVULGAÇÃO

Primeiros passos na política

Em janeiro de 2007, embora não tenha havido eleições em Americana, foi quando o suplente de vereador Cauê Macris assumiu o posto no Legislativo municipal. Apesar de ter sido o oitavo candidato mais votado três anos antes, ele não foi eleito devido ao quociente eleitoral. A vaga só foi conquistada depois do também tucano Luciano Corrêa ser nomeado secretário de Esportes da cidade.

O início dos trabalhos como vereador não foi, contudo, a estreia na vida pública. Estudante de Direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, ele conciliava o meio acadêmico com a militância local do PSDB. Também foi chefe de gabinete de seu pai de 2004 a 2006, que era deputado estadual.

Uma vez no Legislativo municipal, Macris conseguiu se reeleger em 2008. Mais do que isso, chegou a ser eleito presidente da Câmara dos Vereadores de Americana para o biênio 2010/2011. Entretanto, não terminou o mandato e nem completou o período à frente da Casa. Tudo porque, em 2010, foi eleito deputado estadual, chegando a se emocionar ao ser diplomado.

“Emoção muito grande receber a conclusão de um projeto que começou com muito trabalho”

“Uma emoção muito grande receber a conclusão de um projeto que começou com muito trabalho e dedicação e foi crescendo a cada dia”, declarou, conforme registrou o blog que leva o nome do seu pai. “Agradeço a cada vereador, lideranças, meus amigos, familiares, assessores e à população que confiou no meu trabalho. Vou honrar com muita garra cada voto que conquistei”.

cauê e vanderlei

Cauê e Vanderlei Macris | Foto: DIVULGAÇÃO

Trajetória como deputado estadual

Depois de receber 66.712 votos nas eleições de 2010, Cauê Macris assumiu uma cadeira na Alesp no ano seguinte. No primeiro mandato, conseguiu alcançar novos degraus dentro do poder. Foi, por exemplo, relator do Orçamento Estadual de São Paulo durante dois anos consecutivos: 2013 e 2014. Ao apoiar o então governador Geraldo Alckmin, chegou a líder do PSDB na Casa.

Como líder tucano, enfrentou as urnas mais uma vez em 2014 – e viu seu capital político praticamente dobrar. Reelegeu-se com 121.700, de acordo com registros do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Conquistou cada vez mais espaço no ninho tucano e foi escolhido por Alckmin para ser o líder do governo no Legislativo paulista.

Durante esse período, o próprio deputado destaca, conforme registro em sua página no site da Alesp, que comandou:

  • Empréstimos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID);
  • Parcerias Público Privadas para o setor de habitação;
  • Criação de quatro frentes do “Programa Via Rápida do Emprego”;
  • Aumento de imposto sobre cerveja e cigarro;
  • Aprovação do “Fundo Estadual de Combate à Pobreza”;
  • Aprovação do “Salário Mínimo Paulista”.

De líder de governo, Macris foi eleito presidente da Alesp para o biênio 2017/2018, ao receber 88 dos 94 votos possíveis. Durante a sua gestão, a Casa lançou o “Fiscaliza Cidadão”, aplicativo que apresenta informações dos deputados.

Eleições 2018 e reeleição para o comando da Alesp

De volta às urnas para tentar o terceiro mandato consecutivo, Macris teve motivos para comemorar e para lamentar. Pelo lado positivo, viu sua candidatura acabar com mais de 100 mil votos (precisamente 114.690), o que o tornou o candidato mais popular do PSDB. Sua base em Americana, contudo, caiu consideravelmente, indo de mais de 22 mil votos para 12 mil. Mesmo assim, acabou o pleito de 2018 como o terceiro deputado estadual mais votado em sua cidade natal.

Reconduzido à Alesp, o tucano iniciou a atual legislatura se movimentando para seguir no comando da Alesp. E conseguiu, embora numa situação diferente da enfrentada em 2017, quando foi eleito quase por aclamação. Com o PSDB perdendo para o PSL o título de maior bancada da Casa, Macris teve de costurar alianças com integrantes da esquerda. Para superar Janaína Paschoal, recebeu apoio até do PT, isso de acordo com informações divulgadas pelo site da rádio Jovem Pan e por outros veículos de comunicação.

Antes de ser reeleito para conduzir a Alesp em 2019 e 2020, com 70 votos, o tucano chegou a se tornar alvo do Ministério Público depois do jornal O Estado de S. Paulo apontar que, de acordo com dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nove pessoas com cargos comissionados no Legislativo paulista foram responsáveis por doar R$ 103 mil para sua campanha em 2018. O parlamentar, entretanto, se defendeu. “Um factoide político com uma denúncia caluniosa”, disse na ocasião.

Sócio de posto de combustível

As doações feitas por servidores da Alesp não foram, no entanto, as únicas denúncias enfrentadas por Macris. O lado empresarial do político rendeu pautas em fevereiro e março de 2019. Isso porque um posto de combustível localizado em Limeira, cidade vizinha a Americana, recebeu R$ 266 mil da campanha do parlamentar em 2018. O problema: de acordo com informações do Estadão Conteúdo, o próprio Cauê Macris era sócio, detentor de 50% das ações do estabelecimento — o Posto União de Limeira LTDA, localizado na Rodovia Anhanguera.

Na ocasião, o político confirmou que fez a movimentação financeira — sendo que parte do dinheiro era público, via fundo eleitoral — para a sua própria campanha com o intuito de “facilitar o pagamento de cabos eleitorais”. Semanas depois, porém, foi a vez da agência Folhapress repercutir o assunto. Além de destacar que, juntos, as campanhas de Cauê e Vanderlei Macris repassaram mais de R$ 800 mil para o posto de combustível em Limeira, a publicação revelou que outro político da família — Rafael, vereador de Americana — compensou 69 cheques em 2016 para o estabelecimento. À época, o montante foi de R$ 22,5 mil. O clã Macris negou eventuais irregularidades e reforçou que o movimento era para pagar cabos eleitorais.

Relação com o “Neymar” do PSDB

Se hoje João Doria é o governador de São Paulo parte disso se deve a Cauê Macris. Dois anos atrás, ainda no período pré-eleitoral, ele liderou o movimento que defendeu a candidatura do então prefeito paulistano para ser o representante do PSDB na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Assim, dividiu o ninho do tucanato paulista, pois parte do partido defendia a aliança com Márcio França (PSB) — vice-governador que assumiu o Estado em abril de 2018, depois que Geraldo Alckmin renunciou ao cargo para concorrer à Presidência da República.

“Doria é o nosso Neymar”

Antes mesmo de França assumir o governo, o deputado já se movimentava para viabilizar a candidatura do colega de partido. Chegou, inclusive, a comparar o ex-apresentador de talk show com uma celebridade do meio futebolístico. De acordo com uma reportagem do jornal Valor Econômico de janeiro de 2018, o parlamentar viajou pelo Estado para promover o amigo.

“A ideia é mostrar que não se trata de uma posição individual, mas coletiva”, afirmou o presidente da Alesp na ocasião. “Há um clamor. Nesta disputa, temos que escalar o que temos de melhor. Você não vai para a Copa do Mundo sem o Neymar. E hoje, Doria é o nosso Neymar”. Meses depois — durante o segundo turno, enquanto tucanos chegaram a anunciar o voto no candidato socialista — a família Macris se manteve fiel a Doria. Com direito a “acelerar” nas redes sociais.

“Foi uma luta dura, mas sempre tivemos um lado: o do povo”, escreveu Cauê, assim que Doria venceu a disputa. “Acreditamos desde o começo na candidatura do nosso governador eleito e em sua capacidade de fazer nosso Estado crescer ainda mais”.

Cauê Macris, aliado fiel a João Doria

O apoio de Cauê Macris a João Doria não se limitou à disputa pelo governo de São Paulo em 2018. Como presidente da Alesp, ele tem recebido críticas de opositores ao governador. Afinal, tem arquivado os pedidos de impeachment contra o mandatário do Estado. Conforme registrou Oeste, ele decidiu arquivar, de uma única vez, os três pedidos de cassação que aguardavam seu parecer.

“A Casa Legislativa tem também a função de fiscalizar os atos do Executivo”

A postura adotada pelo aliado de Doria vem irritando alguns parlamentares. Há algumas semanas, Tenente Coimbra (PSL) reforçou seu pensamento a respeito da forma como o Legislativo deve atuar em relação ao Poder Executivo. “Em uma democracia, a Casa Legislativa tem também a função de fiscalizar os atos do Executivo e garantir que o dinheiro público seja bem usado”, disse o pesselista. “Infelizmente, isso não acontece em São Paulo”.

O comandante da Assembleia Legislativa de São Paulo terá, contudo, de analisar mais um pedido contra Doria. Na última semana, o senador Major Olímpio (PSL-SP) acusou novamente o governador de cometer crime de responsabilidade. De acordo com ele, o tucano foi responsável por mais de 20 decretos com renúncias fiscais, mas sem o devido amparo legal. Com a denúncia, Cauê Macris terá de demonstrar outra vez se continua ao lado do governador.

Fidelidade essa que será importante até fevereiro de 2021. A partir daí, os deputados estaduais de São Paulo terão que eleger um novo presidente do Legislativo paulista — e, como prevê a lei, Macris não poderá mais se candidatar ao comando da Alesp.

doria e cauê

Doria e Macris: aliados fieis desde 2018 | Foto: DIVULGAÇÃO

Bônus: os bens de Cauê Macris

O atual presidente da Alesp e aliado político de João Doria tinha, ao menos na época da campanha a deputado estadual em 2018, R$ 276.612 em bens. O valor declarado à Justiça Eleitoral, conforme registra o órgão competente, estava organizado da seguinte forma:

  • 125 mil quotas de capital social da empresa Posto União de Limeira LTDA — R$ 125.000;
  • 25 mil quotas de capital social da Churrascaria União de Limeira LTDA — R$ 25.000;
  • Um carro Honda Civic 2013/2014 — R$ 89.381;
  • 50% da casa localizada no bairro Chácara Machadinho, em Americana (SP) — R$ 37.231.

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4 Comentários

  1. Bem com essa bela atitude que ele tomou em proteger seu bandido de estimaçao o DitaDoria ele jogou fora sua carreira politica esperos que quando ele for novamente candidado os paulista deem pra ele ok ele merece nunca mais votar nesse traste

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  2. Ele deve perder capital político, na esteira das perdas que Doria vem sofrendo. Resta saber até quanto ele está disposto a entregar.

    Responder
  3. A trajetória política dele,até agora, lembra à de Michel Temer:uma eminência parda que, sabe-se lá por quais designios,foi galgando cargos até chegar à presidência da república.

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  4. Que estória bacana de galgar o sucesso através da honestidade e muito trabalho , pena que tão jovem e já se vendeu a forma errada de trabalhar para o povo , do lado do povo , e assim ficar contra quem é corrupto e não está fazendo no governo o que manda o cargo , espero que o povo inteligente de São Paulo Lembre desse fiel escudeiro , não do povo , mas de quem é contra o povo .

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