Exclusivo: Regina Duarte será remanejada da Secretaria de Cultura - Revista Oeste

Em 20 Maio 2020, 09:36

Exclusivo: Regina Duarte será remanejada da Secretaria de Cultura

20 Maio 2020, 09:36

Após desgaste pessoal e com anuência de Bolsonaro, atriz vai ser transferida para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo

Secretária Especial de Cultura vai para a Cinemateca Brasileira
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A titular da Secretaria Especial de Cultura, Regina Duarte, vai deixar o cargo, mas permanece no governo. A decisão foi comunicada ao presidente Jair Bolsonaro, e ambos entraram em comum acordo. A eterna “Namoradinha do Brasil”, alcunha conquistada após o trabalho feito na novela Minha Doce Namorada, da TV Globo, em 1971, vai chefiar a Cinemateca Brasileira e a confirmação pode ser sinalizada ainda nesta quarta-feira, 20.

A secretária especial de Cultura será substituída pelo ator Mário Frias, com quem Bolsonaro almoçou na terça-feira, 19, no Palácio do Planalto. Ainda ontem, o presidente compartilhou trecho de uma entrevista concedida por Frias à CNN Brasil. “Amo você, Regina! Sou seu fã. […] Mas, pelo Brasil, estou aqui. Se for preciso, não vou correr disso”, afirmou o ator.

A transferência de Duarte tem razões pessoais. O atual cargo exige da secretária um sacrifício difícil para ela, o distanciamento da família. A secretária é muito apegada aos três filhos e os seis netos. Com o comando da Cinemateca, que tem sede em São Paulo, voltará a ter um convívio mais próximo.

Além de contar com a proximidade da família, Regina voltará a atuar mais diretamente com a cultura. Como secretária, ela não negou o desconforto com questões burocráticas. “Não sinto resistência do governo, sinto resistência da burocracia, das dificuldades de as coisas andarem. Uma sugestão de nomeação leva quatro semanas”, disse, em 7 de maio, em entrevista à CNN Brasil.

Leia na Edição 7 da Revista Oeste: “As crises e a importância que elas têm”, de J. R. Guzzo

A Cinemateca Brasileira é a instituição da Secretaria Especial de Cultura responsável pela preservação e difusão da produção audiovisual nacional. Amigos e pessoas próximas da secretária dizem que, no novo cargo, ela voltará a trabalhar com o que mais ama, atuando na ponta da gestão de políticas públicas culturais.

As pessoas mais chegadas a Regina negam que ela saia brigada com o presidente. A prova disso é que manifestou o desejo de permanecer no governo. O pedido foi prontamente atendido. Quando soube que ela queria ir embora para voltar a ficar perto da família e fazer algo mais próximo do que fazia, Bolsonaro acatou.

Amparo

Quem participou das conversas disse que o presidente foi muito atencioso com a demanda e não esboçou contrariedade ao desejo da secretária. “Ele falou assim: ‘A única coisa que eu quero é ver a Regina feliz. Então, como ela saiu da Globo para vir ao governo, ela não sai de Brasília desamparada”, destacou um interlocutor a Oeste.

Foi nessa conversa que surgiu a ideia de Regina ser transferida para a Cinemateca. A secretária vibrou com a sugestão e aceitou prontamente. “Lá vou fazer tudo o que amo e ser mais feliz”, declarou na ocasião. A transferência, contudo, pode não ser rápida e levar, pelo menos, uma semana.

Para a transferência, serão cumpridos uma transição e procedimentos protocolares, para publicar tanto a exoneração na Secretaria Especial de Cultura e quanto a nomeação na Cinemateca. O site da instituição de destino, por exemplo, informa que ela é administrada pela Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), organização social vinculada ao Ministério da Educação.

Segundo o entorno de Regina, a transição pode durar mais de uma semana. Há quem aponte que Frias assume a pasta somente daqui a dez dias. Até a finalização da parte burocrática de aprovação de nomes e outras definições, ela fica. Durante esse período, a secretária vai divulgar em vídeos o que a pasta realizou durante sua gestão.

Incômodos

O curto período de Regina Duarte no comando trouxe a ela boas experiências e recordações, mas também houve pontos baixos. Amigos da secretária reconhecem que a obstrução da nomeação do produtor de teatro Humberto Braga a incomodou. O fato de o produtor não ter sido empossado como adjunto na pasta a deixou sem o suporte que ela achava necessário para poder trazer a segurança de estar longe da família e em um local que não conhece bem.

No lugar de Braga, amigo de Regina e uma pessoa com bom relacionamento com artistas, o governo acatou a nomeação do advogado Pedro Horta. Contudo, ele também não teve vida longa, tendo sido exonerado ainda na última sexta-feira, 15. Outro episódio que a aborreceu foi o furto de seu celular no próprio gabinete.

Oeste apurou com pessoas de dentro e fora do entorno pessoal de Duarte e confirmou que a secretária teve um aparelho celular furtado. O episódio assustou a secretária, que já lidava com as saudades da família. Contudo, os amigos da secretária garantem que os dois casos não foram determinantes para a transferência. “Não tem nada de crise, até porque ela permanece no governo. É uma coisa da Regina querendo voltar a ficar mais próximo da família”, explicou um deles.

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5 Comentários

  1. É a vida! No meio do caos só permanecem os FORTES!
    É PRECISO TER RESILIÊNCIA PRA SUPORTAR AS PRESSÕES E FRIEZA PRA MUDAR AS CIRCUNSTÂNCIAS ADVERSAS. DAMARES QUE O DIGA!
    Pelo menos Bolsonaro foi justo e honrado em mantê-la no governo. Quem sabe agora não conseguirá fazer mais pela cultura?
    Deus te abençoe, Regina!

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    • Verdade, Leila. A pressão é gigantesca. Que ela desempenhe bem sua função na Cinemateca Brasileira. O PR Bolsonaro deve se debruçar com bastante calma a respeito do próximo nome, justamente para ser alguém que esteja alinhado com os valores conservadores consagrados em campanha, e que aguente firme a pressão, pois ela virá.

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    • Me pareceu uma pessoa muito bem intencionada, mas não era talhada para esta função. Que seja feliz aonde for. Obrigado até aqui.

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  2. Foi a melhor coisa que ela fez, depois de ser agredida publicamente pela CNN, outros órgãos da imprensa e execrada por artistas e pseudos intelectuais. Vai trabalhar numa grande instituição e ficar em paz. A cultura no Brasil é um campo minado de radicais paranoicos e intolerantes.

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  3. Esquerdistas abrem mão da arte e da cultura só pra contrariarem Bolsonaro. Muito triste. Foram doutrinados a militância esquerdista. Seja feliz Regina e faça o Bem pra nossa cultura especificamente aos nossos bons costumes e familia. E aos que estao iniciando na área cinematográfica

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