Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução
Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

11 livros que liberais e conservadores deveriam ler em 2022

Grandes obras para debater a questão da liberdade de expressão e da interferência estatal

O ano de 2021 foi favorável para as publicações de livros conservadores e liberais. Aliás, isso vem ocorrendo com uma crescente constância desde meados de 2015. Se existe algo positivo na polarização política é o aumento da produção editorial de temas políticos. Ora, desde a queda da URSS, este é o melhor momento para debatermos a questão da liberdade de expressão e da interferência estatal.

Como estou envolvido diretamente com o mundo editorial, político e acadêmico, resolvi destacar 11 livros lançados em 2021 que todo liberal e conservador deveriam ler para se preparar para os embates filosóficos e políticos que hão de vir neste ano que se inicia:

Marxismo Americano
Mark R. Levin (Citadel)

O autor foi a fundo na investigação do marxismo cultural incrustado na máquina de entretenimento norte-americana. Em Marxismo Americano, ele destrincha aquilo que muitos, durante muito tempo, denominaram de “teoria da conspiração” de conservadores lunáticos. Com uma abordagem menos formal que a acadêmica, ele nos mostra como as teses marxistas, requentadas das teses de Hegel e reestruturadas pela Escola de Frankfurt, norteiam — conscientemente ou não — a indústria hollywoodiana e toda a mentalidade daqueles que compõem o núcleo duro desse meio.

Teorias Cínicas
Helen Pluckrose e James Lindsay (Avis Rara)

Disruptora obra de dois autores abertamente “liberals”, isto é: progressistas. Só que esses são progressistas “raiz”, que ainda se preocupam com o fato enquanto fato. O livro se importa muito com a didática e com as afirmações contidas nele. Apesar de ser um tema que aborda uma questão cotidiana — a invasão ideológica dos progressistas na vida comum dos indivíduos —, o livro versa sobre filosofia e sociologia. A editora decidiu retirar as notas de rodapé da obra, remetendo-as a um site que fará às vezes de “rodapé do livro”. Isso não diminui a maestria da obra nem a sua importância cabal para o momento filosófico que o Ocidente atravessa. Sobre o tema progressismo e identitarismo, sem dúvida, é um dos melhores livros lançados em 2021.

Governo Onipotente
Ludwig von Mises (LVM Editora)

Neste livro, lançado originalmente em 1944, Mises dá voz a uma análise sociológica da sociedade e da máquina estatal. Com rara felicidade filosófica, ele mostra como o “etatismo”, uma versão originária do termo estatismo, sempre tende ao autoritarismo social, não importando quem delegue a máquina nem quão boas, supostamente, são as intenções da ideologia. Fiando-se nas ditaduras nazista e comunista como exemplos práticos de autoritarismo, o economista austríaco oferta argumentos raros e preciosos contra aqueles que se apoiam no Estado como necessidade social e individual. Sentimos que o livro saiu do prelo ontem, cabe como uma luva para os problemas políticos de hoje, tal como cabia para os dos anos 1940. Com certeza, é uma das obras indispensáveis lançadas no ano passado.

O Império do Politicamente Correto: Ensaio sobre a Respeitabilidade Político-Midiática
Mathieu Bock-Côté (É Realizações)

Um daqueles livros que jamais seriam lançados aqui no Brasil, não fosse a editora É Realizações. Mais do que um conjunto de ensaios críticos ao que se convencionou chamar de “politicamente correto”, trata-se de uma dissecação magistral das causas e do modus operandi dessa nova forma de autoritarismo social. O canadense Mathieu Bock-Côté tem uma característica ácida, ao mesmo tempo que perspicaz, em suas colocações, fazendo de cada ensaio uma provocação fundamentada aos partidários do identitarismo progressista. Outro ponto da obra a se destacar é a lucidez do conservadorismo de Mathieu, que não cai na militância. Essa é uma tentação constante em época de extremismos abobalhados e massas populistas.

A Sagração da Primavera: a Primeira Guerra Mundial e o Nascimento da Modernidade
Modris Eksteins (Vide Editorial)

Se sociologicamente somos ensinados a adorar a “Semana de Arte Moderna” brasileira, a guinada cultural do país para o modernismo filosófico e artístico, pouquíssimo sabemos sobre o que está no início desse movimento no mundo. O historiador canadense Modris Eksteins explica com maestria suas veias internas; remonta filosófica e historicamente o modernismo para além de um movimento artístico, mas também como um movimento político de dominância e engrandecimento ideológico. Nenhum adorador progressista gostaria de ler as verdades que ele expõe aqui; todos aqueles que foram ensinados sobre os incontestes heroísmos modernistas sairiam ofendidos pela história dos fatos expostos. Urgente para todos que querem entender as ideias e ideologias modernas que nos apalpam diuturnamente; obrigatório para os estudiosos liberais e conservadores que querem ir além da casca analítica do mundo contemporâneo.

Milagre na Filadélfia
Catherine Drinker Bowen (Clube do Livro Ludovico)

A obra narra o caminho histórico bem como os debates que gestaram a Constituição mais famosa do mundo. Com rara capacidade de escrita, Bowen consegue nos colocar no centro das convenções, nos ambientes das perlas, além de nos trazer com fidelidade as questões e pautas que fizeram os delegados e consultores dos Estados se debruçarem sobre a escrita dos parágrafos da Carta Magna norte-americana. Quais as ideias dos Pais Fundadores? Por que a Constituição norte-americana defende tais pontos? O que rondava as discussões acaloradas dos delegados? Se essas são as dúvidas que pairam sobre nossas cabeças, esse é o livro.

O Golem
Gustav Meyrink (Editora Carambaia)

Livro canônico do austríaco Gustav Meyrink que inspirou, e ainda inspira, escritores ao redor do mundo. Um conservador atento conseguirá retirar inúmeros insights da trama narrada por Meyrink, já que O Golem é, antes de mais nada, uma força bruta, irracional e destruidora, que busca dominar o homem e suas capacidades. O autor descreveu sem querer, ao que tudo indica, as características íntimas da desumanização causada pelas ideologias que se seguiriam a 1915.

O Grande Código: a Bíblia e a Literatura
Northrop Frye (Sétimo Selo)

Frye é um dos mais competentes e laureados críticos literários do século 20, e lê-lo é um exercício de erudição e deleite intelectual. Muitos dos padrões e das percepções estéticas, hoje tidos como clássicos na crítica literária, ou foram descobertos ou ressignificados por ele. Na esteira de Joseph Campbell, Frye mostra como a Bíblia é o arquétipo moral, literário e universal do Ocidente. Um clássico profundo e, ainda hoje, necessário para quem quer ler livros para além da estória ou história contida neles.

O Pacto do Diabo: a Aliança de Hitler com Stalin, 1939-1941
Roger Moorhouse (Objetiva)

Uma das histórias mais negligenciadas da Segunda Guerra foi o pacto entre Adolf Hitler e Josef Stalin, que modificou o panorama da Segunda Grande Guerra da modernidade. O pouco conhecido Roger Moorhouse — historiador de rara capacidade de síntese — traz com detalhes, mas sem ser enfadonho, a história militar e os dutos políticos que levaram esse pacto a ser considerado o mais enigmático da Segunda Guerra Mundial. Como mostra o britânico, talvez tenha sido nesse acordo onde tudo começou a descambar para a Alemanha nazista. O livro é, antes de tudo, um tratado político que pode nos ensinar muito sobre como funcionam os jogos internos dos governos ditatoriais. Como há muito vêm argumentando homens como Isaiah Berlin e Raymond Aron, o comunismo e o nazismo nunca foram inimigos mortais, e sim primos que brigam, se batem, mas que acreditam, no fim, nas mesmas sandices genocidas.

A Loucura das Massas: Gênero, Raça e Identidade
Douglas Murray (Editora Record)

Uma das críticas mais profundas e perspicazes ao que se convencionou chamar de “identitarismo”. Com escrita envolvente e argumentos embasados, o crítico de política britânico bate com força na ideologia progressista norte-americana e europeia. Todo conservador e liberal sincero deveriam ler e anotar, não raro dar de presente e reler de tempos em tempos. A loucura das massas, assim como O Ópio dos Intelectuais e Admirável Mundo Novo, alimenta nossa psique contra as armadilhas do tribalismo e da massificação das consciências.

A Mente Parasita
Gad Saad (Trinitas)

Em A Mente Parasita, Saad argumenta que a mente independente, aliada a uma consciência capaz, é o suficiente para um indivíduo montar seu arsenal contra a marcha social de estupidez que o Ocidente vem galgando. O homem deve se voltar ao amadurecimento psicológico como mantra de vida, a fim de afastar o parasita mental da ideologia e do sentimentalismo; a razão deve ser reestruturada na mente ocidental; e os indivíduos, abandonar as análises e julgamentos figadais. Deveria figurar na cabeceira de todos que querem ser humanos, e não uma folha seca na correnteza política.

Leia também “A humildade liberal”

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