Joe Biden, presidente dos Estados Unidos | Foto: Shutterstock
Joe Biden, presidente dos Estados Unidos | Foto: Shutterstock

Demagogia no front

Os pacifistas de butique trocaram de roupa para posar contra a guerra. É comovente

Existem duas Ucrânias: uma é alvo de bombardeios que sacrificam inocentes; a outra é o novo aeroporto dos demagogos, que não são nada inocentes. A segunda Ucrânia é uma mistificação que avilta a primeira (e única).

A pandemia mostrou que, nos dias de hoje, toda tragédia tem potencial de oportunidade para esse contingente cada vez maior de surfistas da virtude imaginária. O nome do jogo é desenhar vilões horripilantes, jogar as culpas nas costas deles e correr para o abraço da claque. Sendo assim, nem vamos nos deter naqueles que usam a guerra na Ucrânia para botar a culpa “no Bozo”, e pirraças do tipo.

O que se impõe de forma bastante intrigante no cenário do “debate político” (entre muitas aspas) é o uso do ataque russo para uma tentativa patética de reabilitação de Joe Biden, o fenomenal recordista de votos da história dos EUA que mal consegue concluir suas frases. Tudo é muito enevoado em se tratando de Biden e suas circunstâncias.

Mas aí está: aquilo que antigamente se denominava grande imprensa, e que hoje virou um ajuntamento de manchetes parecidas entre veículos supostamente concorrentes — o tal “consórcio” —, resolveu apostar tudo na guerra da Rússia. Como sempre, o peixe que esse consórcio tenta vender é um excelente indicativo, em qualquer circunstância, do que cheira mal. E é claro que o panfleto vendido entre um bombardeio e outro é a volta do mocinho Joe Biden, fiel da resistência ucraniana. Contando ninguém acredita.

Os progressistas de butique estavam com saudade de fingir que Biden é o final feliz após as trevas demoníacas do trumpismo — historinha que eles construíram com tanto esmero e tão mal. Veio aquela eleição imunda, com um festival de indícios de fraudes em votos voadores pelos correios que a Justiça americana decidiu não examinar, e emergiu o magnífico poste de Barack Obama, para êxtase dos demagogos de vida fácil ao redor do mundo. Aí obviamente sobreveio um governo trapalhão, porque demagogia não é solução para nada, e a claque do final feliz ficou aí pelos cantos meio encabulada.

É incrível que esse mesmo Biden ressurja como o estadista fiador do equilíbrio geopolítico contra a tirania

Mas não totalmente, porque o forte dessa gente é justamente a desinibição. Biden comandou uma retirada súbita, atabalhoada e vergonhosa das tropas norte-americanas do Afeganistão, cuja consequência imediata foi a ascensão do Talibã, uma das forças políticas mais violentas e obscuras do mundo. É incrível que esse mesmo Biden ressurja agora nas bocas como o estadista fiador do equilíbrio geopolítico contra a tirania. E o Talibã mandou mensagens de paz e amor para a Ucrânia. Está dando para entender?

Biden segue uma linha de política externa transigente com regimes totalitários como Irã e China (que trabalhou pela sua eleição) em nome de um suposto pragmatismo pacifista — que não resulta em um milímetro de paz na conduta bruta desses “parceiros”. Sua credencial como contraponto ao autoritarismo bélico de Putin é nenhuma. Seu grupo político passou anos acusando Trump de conluio com Rússia e Ucrânia sem conseguir provar nada, sendo o filho do próprio Biden quem tem relações e negócios mal explicados na região. Que mocinho é esse?

É o que aparece hoje nas manchetes do consórcio e na conversa mole do “debate político” como a esperança da paz ao lado de líderes decadentes da Europa, como Macron, ou das Américas, como Trudeau, todos desesperadamente precisados dessa nova demagogia após a farsa totalitária que protagonizaram na pandemia. Após dois anos de cumplicidade com a violência fantasiada de proteção sanitária, apoiando a transformação de cidadãos do mundo inteiro em reféns de ações ditatoriais mentirosas e experimentos anticientíficos graves, os pacifistas de butique trocaram de roupa para posar contra a guerra. É comovente.

Deve ser sintomático que tudo quanto é surfista de pandemia, como João Doria, Sergio Moro e companhia promotora de lockdowns estúpidos e vacinações experimentais compulsórias, reapareça depois de toda sua brutalidade pedindo paz no mundo. A guerra revela coisas terríveis, inclusive que a inocência está em falta na atual conjuntura.

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16 comentários Ver comentários

  1. Perfeito. Tanto o experimento vacinal global, quanto essa guerra, tem o mesmo objetivo de conduzir o mundo a uma nova ordem mundial Eurasiana, comandada pela China.

  2. Mais uma vez cirúrgico como sempre Fiuza. Parabéns. A falta de caráter, hombridade, honestidade, decência dessa corja maldita progressista é incrível.

  3. Enquanto os “mauricinhos do ocidente”vão impondo sanções a Russia e no restante do mundo, as bombas são despejadas no incauto pais ucraniano. O americano instigou e o artista ficou sozinho no meio do fogo cruzado!! Esta invasão só vai terminar alguns dias apos a tomada de Kiev, com o urso dando as cartas. . .

  4. Possível legenda da foto: ‘Há mortes e sofrimento na Ucrânia? Ô dó…’! Basta ver que dias depois das sanções impostas, os russos bombardearam e invadiram mais, com mais mortes e sofrimentos. Parafraseando um ditado local: ‘Calor pouco, meu combustível primeiro’!

  5. sob o mandarinato deste frouxo e covarde Biden o que na verdade a Rússia quer é restaurar o Pacto de Varsóvia pela força … se a Ucrânia cair será mera questão de tempo a Moldávia, Hungria, Eslováquia, Chéquia, Bulgária e por aí vai … de quebra empurra os EUA para a direita após este idiota senil sem estratégia.

  6. Excelente Fiuza. É pena que comentários lúcidos, objetivos e extravagantes como esses, não reverbram nos seus destinatários, de forma direta e objetiva.

  7. Fiúza é preciso em suas palavras; há o direito fundamental de ser informado, o qual é exercido quando jornalistas sérios mostram que não dá mais pra ser desinformado pelo “consórcio” ou ex-imprensa.

  8. Texto perfeito Guilherme! O cara que mandava sentar o cacete no cidadão durante a pandemia agora é o mesmo que se disfarça de paladino da paz e do amor! Acho que até hipocrisia tem limites… Mas não, para eles não existe. Abraços.

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