Volvo C40 Recharge | Foto: Fabio Aro
Volvo C40 Recharge | Foto: Fabio Aro

Os carros elétricos, Poliana e O Pior Aluno da Escola

A Volvo foi a primeira a anunciar que vai criar uma rede de estradas eletrificadas em 13 trechos do país, que abrangem 3.250 quilômetros

Vai perder o bonde quem ainda acha que carro elétrico não é para o Brasil. Os recentes anúncios da sueca Volvo e da chinesa GWM enterram a ideia de que o país só está preparado para os modelos a gasolina ou álcool, porque não tem estrutura para rodar os elétricos. A Volvo foi a primeira a anunciar que vai criar uma rede de estradas eletrificadas em 13 trechos do país, que abrangem 3.250 quilômetros, saindo de São Paulo, com ligação para cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro, Uberlândia, Baixada Santista e litoral norte paulista — a bateria do C40, da Volvo, por exemplo, tem autonomia para percorrer cerca de 440 quilômetros. Cada carregador é capaz de preencher 80% da carga de um carro em 40 minutos. Uma equipe da operação brasileira da montadora saiu a campo no início do ano nas estradas para identificar os melhores locais para posicionar os carregadores, dos mais carentes aos mais movimentados. O objetivo é o motorista viajar a longas distâncias, sem preocupação. Nos últimos dois anos e meio, a empresa colocou mil carregadores no espaço urbano, como shoppings centers, depois que percebeu que não havia infraestrutura alguma no país para quem compra um elétrico. 

C40, novo carro elétrico da Volvo | Foto: Fabio Aro

O mundo pediu 

“O carro elétrico veio para ficar no Brasil. Muito se discute se isso é para nós ou não, mas o mundo decidiu que esse é o caminho”, diz João Oliveira, diretor de operações e inovação da Volvo no Brasil. Nesta semana, Oliveira e outros executivos da empresa estiveram no México para lançar o modelo mais vendido da marca, o C40. Como o mundo pede, a nova versão é 100% elétrica. “Se decidirmos tomar um caminho diferente, sem focar na eletrificação, vamos ficar completamente isolados, produzindo tecnologia que só serve para nós, sem ir para nenhum outro lugar. Nunca vamos nos tornar um exportador, um player global.” 

Abastecimento elétrico 

Na quarta-feira (16), foi a vez de a chinesa Great Wall Motors, a GWM, anunciar que vai implantar cem pontos de recarga para veículos elétricos e híbridos nos principais municípios de São Paulo. A montadora — sétima do mundo no setor automobilístico — vai investir R$ 10 bilhões no Brasil até 2025, a começar pela fábrica em Iracemápolis — antiga unidade da Mercedes-Benz —, que, em 2023, vai fabricar 25 mil carros híbridos e elétricos. Em 2025, a projeção é chegar a 100 mil carros produzidos no país. Diferente da Volvo, que já começou a instalar os carregadores em estradas brasileiras, a GWM não tem ainda o cronograma de início dos postos de carregamento. 

O chip é tudo

A guerra na Ucrânia vai acelerar a implantação e a adesão dos carros elétricos no mundo, mesmo ainda com preços altíssimos (o lançamento da Volvo nesta semana sai por R$ 419 mil). A BMW disse na quarta-feira (16) que vai priorizar veículos elétricos em meio à guerra. Apesar das boas-novas na criação de uma infraestrutura para os elétricos no país, o setor automobilístico enfrenta a escassez de chips, desde o início da pandemia. “O mundo nem se recuperou da pandemia e veio a guerra”, diz Oliveira. “Temos importantes fornecedores de autopeças que ficam na Ucrânia, totalmente impactados pelo conflito.” Um carro, em geral, recebe mais de 15 mil semicondutores. Como Rússia e Ucrânia são grandes produtores de matérias-primas dos chips, como o paládio e o gás neônio, não há expectativa de estabilização desse mercado até o fim de 2022. 

Antifrágil

Nem todo mundo se aflige ao falar do conflito causado por Vladimir Putin. “A guerra é uma incógnita sobre os impactos, que podem ser positivos ou negativos”, disse à coluna o empresário Frank Geyer Abubakir, presidente do Conselho de Administração da petroquímica brasileira Unipar. “Quem sabe conseguimos aplicar o antifrágil?” Ele se refere à tese do economista libanês Nassim Nicholas Taleb, exposta no livro AntifrágilCoisas que se Beneficiam com o Caos. A Unipar, pela forte demanda por PVC por parte da construção civil e do aumento dos preços do cloro e da soda cáustica, apresentou nesta semana um lucro cinco vezes acima do ganho reportado no ano anterior. A empresa lucrou R$ 1,98 bilhão em 2021. 

como se tornar o pior aluno da escola
Cartaz do filme Como se Tornar o Pior Aluno da Escola | Foto: Divulgação

Como se tornar o Pior Aluno… 

A ira de Daniela Beyruti contra o filme produzido e escrito por Danilo Gentili, apresentador do SBT desde 2014, não ficou apenas registrada nas redes sociais (‘’Nojo de quem escreveu, nojo de quem produziu, nojo de quem dirigiu, nojo de quem atuou!”, escreveu Beyruti). A filha número 3 de Silvio Santos estendeu a revolta às irmãs. Argumentou que a cena exibida em Como se Tornar o Pior Aluno da Escola era repugnante e, como mãe de três filhos, doeu assistir ao trecho. 

Daniela Beyruti | Foto: Reprodução /Instagram

…e Poliana 

Quando era uma das principais executivas do SBT, Daniela concebeu um dos maiores sucessos recentes da emissora: a produção de novelas infantis no horário nobre. Foi dela a ideia de resgatar e produzir a novelinha mexicana Carrossel, em 2012, sucesso imediato que inaugurou uma faixa de horário rentável e muito bem assistida. A prova é que, dez anos depois, a ideia de Daniela sobrevive, e a emissora prepara o lançamento de Poliana Moça, na próxima semana. As novelinhas do SBT ainda são disponibilizadas no YouTube, o que gera um bom dinheiro do Google para os cofres do canal. Ironia do destino: foi na gestão de Daniela Beyruti à frente do artístico do SBT que Danilo Gentili foi tirado da Band para ser um dos principais nomes da emissora de Silvio Santos. 

Tudo é política?

Para dois influentes diretores do SBT, o trecho cortado e divulgado do filme nada mais é do que política. “É porque o Gentili era bolsonarista, e agora não é mais”, disse um diretor. 

Intocável

Como revelou a coluna durante a semana, a direção do SBT avaliou o caso Danilo Gentili e decidiu que nada acontecerá com ele sobre o episódio, porque o filme foi lançado em 2017. A opinião de Daniela Beyruti é uma visão pessoal da herdeira, e o programa de Gentili traz bons resultados de audiência, atraindo um público jovem para uma emissora que está longe de atingir essa faixa etária. As gravações do The Noite seguiram normalmente na última semana. Mas a decisão da direção vale até segunda ordem. Tudo pode mudar — se Silvio Santos decidir assim. Até quinta-feira (17), nenhuma ordem de Silvio ao assessor Rafael Larena sobre a programação da emissora mencionava Gentili.

Mau gosto 

Baseado em um livro homônimo, o filme Como se Tornar o Pior Aluno da Escola faz barulho desde domingo com uma cena estrelada por Fábio Porchat. Na produção, Porchat vive Cristiano, homem com desvios sexuais. Em uma cena, ele pede a dois garotos que encerrem uma discussão o estimulando com masturbação. Com classificação etária de 14 anos na plataforma de streaming, o trecho foi compartilhado incontáveis vezes nas redes sociais até levantar a hashtag #PedofiliaNaNetflix entre os assuntos mais comentados do Twitter. A Netflix não se manifestou.

Brasil barato

Os investidores estrangeiros já trouxeram R$ 72 bilhões para a bolsa brasileira em menos de três meses — só em março, até o dia 15, foram quase R$ 10 bilhões. O Brasil e outros países da América Latina se beneficiam com o conflito na Ucrânia pelas commodities e pelas rotações de carteiras. Além da opinião geral de muitos gestores pelo mundo: o Brasil está barato. 

bruno@revistaoeste.com 

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2 comentários Ver comentários

  1. Que mundo é esse Sr. João Oliveira “que decidiu o carro elétrico é o caminho a ser trilhado no Brasil”. A grande maioria dos brasileiros têm dificuldades para pagar uma conta de energia da sua casa. Só se for mundo da pirralha Greta Thunberg e seus seguidores . BULL SHIT mr. Oliveira, pra esse mundo!.

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