Fileiras de plantas jovens de milho | Foto: Shutterstock

Agroadvogados, o incêndio da cerveja e Euphoria à brasileira

Sinal amarelo: a Rede Globo vendeu apenas três das sete cotas para a transmissão da Copa do Mundo

Com US$ 10 bilhões alcançados em fevereiro de 2022 só em exportações, o agronegócio brasileiro vive a profissionalização das estruturas corporativas de muitas das empresas ligadas ao setor. Escritórios graúdos de advocacia em São Paulo começaram a expandir o leque de serviços prestados nos rincões brasileiros. De meros prestadores de áreas como tributária, contratual e ambiental passaram a auxiliar diretamente centenas de empresas a estruturar e desenvolver projetos de logística, infraestrutura, armazenagem, captação de novos recursos, fusões e aquisições. “A importância e a exposição do agronegócio para a economia brasileira e mundial já são pontos pacificados — e destaco o mercado internacional, que cada vez mais olha o agronegócio brasileiro como estratégico”, diz Marcel Daltro, diretor de Projetos Estratégicos da Nelson Wilians Advogados e gestor da nova área do agronegócio do escritório.

O agro é profissa

Nos dois últimos anos, Daltro formou uma equipe no Centro-Oeste. Começou com quatro advogados em Tangará da Serra (MT), com 100 mil habitantes. Depois, ampliou para unidades em Rondonópolis (232 mil habitantes) e Campo Verde (44 mil habitantes), ambas também em Mato Grosso. Os projetos em que as unidades do agro estão debruçadas — como atração de investimentos, estruturação de joint-ventures, captação de recursos e desenvolvimento de armazenagem — estão na ordem de R$ 1 bilhão. “O setor passa por um importante momento de implantação de governança corporativa em suas empresas e produções, o que acarreta uma série de consequências relacionadas a investimentos em serviços especializados, mão de obra qualificada e tecnologia”, define Daltro. 

Copa do Mundo 2022, no Catar. Evento começa em novembro | Foto: Shutterstock

Sinal amarelo

Acendeu o sinal amarelo na área comercial da Globo. As cotas de patrocínio para a Copa do Mundo no Catar estão em ritmo lento de vendas. Apenas três marcas — de sete cotas ofertadas pela Globo no mercado — fecharam negócio até agora: o banco Itaú, a operadora Claro e o gigante de bebidas Ambev (dona de dezenas de marcas de cervejas, que escolheu a Brahma para anunciar). Para um dos maiores anunciantes do país, um evento do porte de uma Copa do Mundo em anos anteriores já estaria com 90% das cotas vendidas a sete meses do início.

Guerra de cervejas 

A Ambev, líder de mercado, com 61% do setor de cervejas, passou a quarta-feira (23) apagando um incêndio. Motivo: a Heineken, na segunda posição, com 18% do segmento, entrou com uma petição no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, na qual alega que a Ambev firma contratos de exclusividade com bares em diversas regiões importantes do país e fecha parte do mercado para concorrentes, como o grupo holandês. Oficialmente, a Ambev diz que “suas práticas de mercado são regulares e respeitam a legislação de concorrência”. Informalmente, executivos dizem que essa foi uma tentativa de a concorrente aparecer nos noticiários e denegrir a imagem do gigante das cervejas. 

Cena da série Euphoria | Foto: Divulgação/ HBO

Euphoria à brasileira

O streaming não está para brincadeira no Brasil. Os quatro maiores — Netflix, Amazon, Disney e WarnerMedia — investem em projetos numa velocidade surpreendente. Inflacionam o salário de profissionais do audiovisual, lotam a agenda de estúdios de gravação e buscam formatos dos mais variados para atrair o público brasileiro que gosta de assistir à TV. Mas, se tem um nicho que todos querem, é o infantojuvenil. A Netflix, depois das produções de Larissa Manoela e Maísa, engatou três produções para o público ao mesmo tempo. A Disney, duas. A HBO Max, da Warner, tem outras duas séries no processo de filmagem — e uma pilha de projetos em análise. Para HBO Max, o impulso para essa faixa de público vem de uma produção de fora, com o megasucesso estrangeiro Euphoria, estrelado por Zendaya, que rendeu o Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática. A trama percorre os dramas de Rue, jovem de 17 anos que acaba de sair da clínica de reabilitação, após ter uma overdose. A série, com uma terceira temporada confirmada, se tornou a mais assistida do HBO Max na América Latina. O streaming sonha em ter uma Zendaya à la brasileira e passou a conversar com duas estrelas dessa faixa da concorrente Netflix.

Harmonização facial 

A primeira aposta da HBO Max no formato telessérie — e que tem o claro objetivo de tirar audiência do espectador que gostava de sentar e assistir às novelas da Globo — será do carioca Raphael Montes, autor de livros policiais. A supervisão é do novelista Silvio de Abreu, autor de sucessos como Guerra dos Sexos e ex-chefão da dramaturgia da empresa. A trama vai focar na busca incessante das pessoas por clínicas de estética. A inspiração veio pelas caminhadas de Montes por ruas paulistanas e ao observar o aumento de clínicas de estética que prometem, dentre vários serviços, a harmonização facial. 

Pacote corporativo

Avança a venda de pacotes mais em conta para funcionários de empresas brasileiras. O negócio é bom para os dois lados — populariza serviços de streaming no país e traz valores mais baixos para consumidores. A WarnerMedia fechou recentemente um contrato de R$ 22 milhões com a empresa Primepass, que passará a oferecer o serviço a preços menores. O Grupo Gerdau foi um dos primeiros a fechar. 

Rumo aos R$ 100 bilhões

A sexta-feira (18) foi gloriosa para uma sequência de empresas brasileiras listadas na B3. Nesse dia, investidores estrangeiros colocaram mais de R$ 4 bilhões em menos de sete horas. Foi o segundo maior valor observado em 2022. No acumulado de março, o saldo é positivo em quase R$ 30 bilhões. Em 2022, os investimentos vindos de solos estrangeiros ultrapassam R$ 83,5 bilhões. Quem acompanha minuto a minuto a bolsa brasileira já tem um mantra: rumo aos R$ 100 bilhões.

bruno@revistaoeste.com 

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