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Carta ao Leitor

A saga da Operação Lava Jato e a árvore envenenada do STF estão entre os destaques desta edição

Em março de 2014, ninguém se deu conta de que nascia naquele dia, num posto de gasolina de Brasília, a operação da Polícia Federal que, nos sete anos e nove meses seguintes, induziria milhões de brasileiros a imaginar que a lei valeria para todos. Quase diariamente, o país amanhecia com a notícia de que mais um político ou empreiteiro foram acordados às 6 horas da manhã com as temidas pancadas na porta de entrada.

Dezenas de empresários devolveram fortunas surrupiadas dos pagadores de impostos para escapar da prisão com acordos de delação premiada. Em novembro de 2015, um funcionário do segundo escalão da Petrobras, Pedro Barusco, entregou espontaneamente quase US$ 90 milhões. O balanço da Lava Jato é um cortejo de números assombroso: R$ 15 bilhões recuperados, 278 condenações e cerca de 1,5 mil mandados de busca e apreensão, fora o resto.

A ascensão e o desmanche da Lava Jato estão detalhados na reportagem escrita em parceria por Augusto Nunes e Silvio Navarro. O ocaso da operação foi acelerado com a libertação de Lula, em 8 de novembro de 2019, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Amparados em malabarismos jurídicos, os ministros decidiram que criminosos só podem ser presos depois de julgado o último recurso encaminhado ao STF. 

A Suprema Corte também protagoniza a reportagem de capa desta edição, escrita por J.R. Guzzo. O texto constata que a grande árvore envenenada do STF foi plantada em março de 2019, quando Dias Toffoli abriu um inquérito para “investigar a existência de notícias falsas”. Corretamente, o então ministro Marco Aurélio Mello preferiu batizar o aleijão jurídico conduzido por Alexandre de Moraes de inquérito do fim do mundo. “Depois desse pecado original, nada do que sair dele é legal, nem tem qualquer valor jurídico”, observa Guzzo. “Não poderia haver inquérito nenhum; a partir dessa insensatez, o STF foi criando a prisão de um deputado federal no desfrute das suas imunidades como homem público eleito pelo povo; o ‘flagrante perpétuo’; as agressões à liberdade de expressão; a criação de presos políticos e de pelo menos um exilado.” As ilegalidades não param por aí.  

“Qualquer pessoa minimamente atenta e com um pingo de imparcialidade já se deu conta, a esta altura, do ativismo político do STF”, acrescenta Rodrigo Constantino, num artigo sobre o mesmo tema. “Alguns ministros nem tentam esconder seu desprezo ou seu ódio pelo atual presidente, e mobilizam uma escancarada perseguição aos seus apoiadores.” 

Em 13 de dezembro de 1968, no editorial com o título de “Instituições em frangalhos”, Julio de Mesquita Filho, diretor do Estadão, denunciou o sumiço de qualquer normalidade democrática num sistema de governo que naquele dia se transformaria em ditadura escancarada. Neste outono de 2022, é a Constituição que está em frangalhos.

 

Boa leitura.

 

Branca Nunes

Diretora de Redação

Alexandre de Moraes | Foto: STF/SCO

 

 

 

 

 

 

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