Ilustração: Shutterstock
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Carta ao Leitor

A posse de Alexandre de Moraes na presidência do TSE e os equívocos cometidos pelos institutos de pesquisa estão entre os destaques desta edição

É preciso reiterar o que disse Tom Jobim: “Definitivamente, o Brasil não é para principiantes”. A partir de 2023, o presidente eleito em outubro não terá apenas dois ministros do Supremo Tribunal Federal a indicar. Como informa a reportagem de capa desta edição, assinada por Cristyan Costa, o chefe do Executivo indicará 31 magistrados, distribuídos por dez tribunais — um número modesto, se levarmos em consideração a existência de 91 Cortes diferentes, que juntas consomem mais de R$ 100 bilhões por ano. Esses números ajudam a entender por que o Judiciário brasileiro é um dos piores do mundo.

Boa parte dessa dinheirama é consumida pela Justiça Eleitoral, uma brasileirice que, em 2020, ano das mais recentes disputas municipais, dispunha de uma verba de R$ 9,2 bilhões. O valor ultrapassava o orçamento anual de cidades como Guarulhos (1,4 milhão de habitantes e orçamento de R$ 4,26 bilhões), Manaus (2,2 milhões e R$ 6,25 bilhões) ou Porto Alegre (1,5 milhão e R$ 8 bilhões) e era superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de 5.459 dos 5.570 municípios brasileiros.

Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, num evento que reuniu, sob o mesmo teto, Jair Bolsonaro e Lula. A cerimônia patética é o tema do artigo de Augusto Nunes, que também contesta a necessidade de um tribunal que existe exclusivamente para lidar com eleições.

Desta vez, o TSE teve uma ideia estranha: convidar as chamadas agências de checagem para conferir a lisura das eleições de outubro. “O conceito de fake news nem existia há cinco anos”, lembra o escritor e analista político Flavio Morgenstern. “Foi inventado porque a imprensa precisava explicar o que havia levado à vitória de Donald Trump. Agora, todos tratam essas ‘notícias falsas’ como se fossem o maior perigo do mundo.”

Essas agências estão quase sempre subordinadas a um órgão da velha imprensa, os mesmos jornais e revistas responsáveis pela contratação dos institutos de pesquisas eleitorais. Nesta edição, Silvio Navarro faz revelações muito interessantes sobre a feitura dos questionários das sondagens registradas no TSE.

Tanto pelas distorções no roteiro de perguntas quanto pela imensidão de erros cometidos em eleições passadas, Oeste não publica nenhuma pesquisa de intenção de voto. A decisão foi tomada já na campanha de 2020. Para nós, o radar mais eficaz ainda é a voz das ruas.

 

Boa leitura.

 

Branca Nunes

Diretora de Redação

Capa Revista Oeste Edição 126 | Foto: Shutterstock
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14 comentários Ver comentários

  1. Realmente, essa REVISTA é mesmo um espetáculo de jornalismo sério, patriótico e altamente ético.\
    Prazer em ser assinante!
    Obrigado a todos da REVISTA OESTE pelo material informado que me entrega a cada edição!

  2. Gostaria apenas de dar uma sugestão de uma coisa simples mas que, a mim, ajudaria muito: sempre que o texto fizer menção a ~um conteúdo, como os negritos de Cristyan Costa, Augusto Nunes e Silvio Navarro, a produção inserir o link das matérias no próprio negrito. Como eu as notícias no computador, quando chego nos links já abro uma aba nova, e depois as leio na sequência. Apenas o negrito, a gente acaba esquecendo ou tem dificuldade de localizar.
    Abraço a todos!

  3. Para: Branca Nunes, Paula Leal e Silvio Navarro
    Peço desculpa aos leitores da Oeste por usar esse espaço para o tema a seguir, mas há semanas tento contato via e.mail com a revista e ninguém me dá retorno.
    Em 28/03/2022 a minha assinatura foi renovada e a cobrança de R$159,90 realizada através de cartão de crédito final 6687.
    Em 08/07/2022 foi feita uma nova cobrança no mesmo cartão no valor de R$112,12, o que não procede.
    Sou assinante desde 2020 e o mínimo que espero é um retorno da minha solicitação.
    Aguardo RETORNO URGENTE OU FAREI O CANCELAMENTO DA ASSINATURA.
    Grata,
    Maria Christina Garms

    1. Maria Christina, boa tarde
      Identificamos a irregularidade e já providenciamos o estorno do valor. Enviamos o comprovante de estorno via e-mail. Agradecemos por sua compreensão e permanecemos à disposição para quaisquer escalrecimentos.
      Att,
      Revista Oeste

  4. Queridos. Dia 17 um jornal da rede RBS deu espaço para um militante escrever num espaço nobre um texto no qual o Bolsonaro é apontado como um ditador que esmaga o povo, nazista, fascista e genocida. Não aparece ninguém para ocupar o mesmo espaço para dizer que Lula é ladrão, corrupto, ditador, traidor, xenófobo, contra as mulheres, contra homossexuais e que já redigiiu um decreto para controlar a religião e a imprensa, algo que está repetindo. Assim, o Guzzo analise bem a situação.

    1. As Leis que condenaram este político estão nas sentenças condenatórias. Com relação à lei ou às leis que o absolveram das condenações, até hoje não tive conhecimento.

  5. Justiça eleitoral ??? Justiça do trabalho ??? Justiça desportiva ??? Tudo cabide de emprego que faz nossa justiça ser, por exemplo, 10 x mais cara que a da Espanha …

  6. ORA, ORA, SENHORES. O QUE IMPEDE QUE O BRASIL ACABE COM A JUSTIÇA ELEITORAL? NADA. BASTA QUE O PARLAMENTO DECIDA. ASSIM COMO TAMBÉM DECIDA ACERCA DOS CRITÉRIOS PARA MINISTROS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. INADMISSÍVEL TER MINISTRO NO STF E NO STJ BEIJANDO A MÃO DO PRESIDENTE QUE O INDICOU PARA O CARGO.

  7. Gonzaga, acho que você não tem acompanhado o noticiário ultimamente, como vivem falando da ditadura militar (que não existiu), agora vivemos a ditadura da toga, está sim em pleno apogeu, só de ver a verba gasta com tribunais para prover um serviço ineficiente, juízes de qualquer instância seja onde for Brasil afora, só chegam no trabalho a partir de 11h e as 14h, já não se encontram mais nas suas cadeiras de trabalho, esses senhores são funcionários públicos e não fazem jus ao salário recebido.

  8. Muito custo para uma pífia qualidade de serviço. Um estado monstro só atrapalha a vida do cidadão. Más é preferível esse custo pela democracia, do que uma ditadura tirana.

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