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A chantagem dos ambientalistas

Os alarmistas climáticos usam o medo como uma arma para menosprezar a dignidade do ser humano

Como é o caso em todas as calamidades como a covid-19, a busca por explicações sobre suas causas e sua trajetória futura muitas vezes é comparável à compulsão demasiado humana de procurar algum tipo de significado em uma tragédia. Historicamente, as comunidades voltavam-se para seus deuses para compreender a catástrofe que recaiu sobre elas. Secularistas abraçavam a ciência para ajudá-los a entender as circunstâncias que estavam enfrentando. Outros recorrem à ideologia e à filosofia para obter algum tipo de conforto. A busca por significado do presente ainda conta com os recursos morais e intelectuais do passado. No entanto, existe também uma tentativa de subverter o impulso humanista de encontrar significado na angústia por parte de zelosos cruzados ecologistas que desprezam exatamente as qualidades que nos fazem humanos.

No ocidente, ambientalistas linha dura estão trabalhando arduamente para retratar a covid-19 como uma retaliação por todos os infortúnios que os humanos causaram ao planeta. De acordo com seu manual, o aquecimento e a extinção globais, o surgimento de superbactérias e o consumo de carne de alguma forma estão ligados direta ou indiretamente ao surgimento da pandemia atual. Eles consideram os medos e a ansiedades gerados pela emergência deste momento na saúde pública uma oportunidade de promover a mensagem de que, a menos que aceitemos seu dogma, a humanidade será extinta.

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O manual verde montado às pressas sobre o da pandemia global quer responsabilizar a humanidade pelo surto da covid-19. Sua retórica de culpa muitas vezes é apenas isso: retórica. Um comentário no The Washington Post, intitulado “Coronavirus is an indictment of our way of life” – ou “Coronavírus é uma denúncia ao nosso estilo de vida”, em tradução livre –, não faz nenhum esforço de explicar por que um desastre natural, como o aparecimento de uma pandemia viral, constitui uma manifestação sobre a maneira como vivemos.(1) Em vez disso, apenas insinua que a ambição e o desenvolvimento humanos de alguma forma estão ligados ao surgimento de uma epidemia viral.

Na verdade, não é o vírus que denuncia “nosso estilo de vida”, e sim os ecozelotas que receberam a covid-19 de braços abertos para fazer o acerto de contas.

Alguns ativistas estão tão felizes com a “vingança da natureza” na forma do novo coronavírus que mal conseguem esconder seu entusiasmo em relação a ele.

“Há anos estamos tentando tirar as pessoas do modo normal e colocá-las em modo de emergência”, vibrou Margaret Klein Salamon, que coordena o grupo de defesa The Climate Mobilization. Ela acrescenta, “as possibilidades do ponto de vista político são fundamentalmente diferentes quando muita gente entra em modo de emergência – quando aceitam fundamentalmente que existe perigo, e, se queremos nos manter em segurança, precisamos fazer tudo o que pudermos”.(2)

O objetivo de manter os indivíduos em modo de emergência é um elemento central na estratégia que busca assustar a humanidade para fazê-la tomar o tipo de atitude que pessoas que amam a liberdade se recusariam a aceitar. É por isso que Klein Salomon insiste que “agora o desafio é manter o modo de emergência ativado sobre o clima”.

Essa é uma forma diferente de dizer que perpetuar – aliás, institucionalizar – um clima de medo é o objetivo principal desse movimento.

A partir dessa perspectiva, a covid-19 não é tanto uma catástrofe mortal quanto uma oportunidade maravilhosa para realizar o sonho de uma sociedade que funciona de acordo com o dogma ambientalista da infelicidade misantrópica.

Doença planetária

Os alarmistas climáticos usam o medo como uma arma para sabotar a recusa dos seres humanos em simplesmente verem a si mesmos como apenas mais uma espécie que habita o planeta. Eles realmente detestam o espírito da ambição humana que se recusa a aceitar os ditames da natureza. Esse é um espírito que está aberto a correr riscos para transformar o mundo pelo uso da ciência e da tecnologia. Desde o tempo em que os humanos saíram das cavernas até aventurarem-se a viajar pelo espaço, sempre houve aqueles que que decidiram lidar com seus medos.

A recusa de não ceder a eles é o primeiro passo para buscar soluções que vão nos permitir assumir mais controle sobre a vida. É exatamente a aspiração de assumir o controle e dominar o poder da natureza e da ciência que os alarmistas do clima desprezam. Eles a desprezam tanto que cunharam o tempo “impacto humano” para sugerir que o que as pessoas fizeram com o planeta é, por definição, completamente destrutivo.

Que uma perspectiva tão misantrópica inspire uma reação ecológica à covid-19 não é surpreendente. Há anos eles argumentam que os humanos agem como parasitas do meio ambiente. Ecologistas radicais afirmam que a humanidade destruiu o planeta por meio da ideologia centrada no ser humano, que trata a natureza apenas como um recurso para as pessoas usufruírem. James Lovelock, o conhecido criador da “hipótese Gaia”, afirma que os humanos “se comportam, de certas formas, como organismos patogênicos, ou como as células de um tumor ou neoplasma”.

Por consequência, crescemos em números, e “a espécie humana é agora tão numerosa que constitui uma séria doença planetária”. Ele conclui que “Gaia está sofrendo de uma primatemaia disseminada, ‘uma praga de pessoas’”. Se de fato as pessoas são uma praga, há muito pouca diferença qualitativa entre uma praga de humanos e uma praga do coronavírus.

A maior parte dos ambientalistas não chega ao ponto de tratar humanos como se fossem uma peste. Mas eles adoram um ponto de vista preocupante que vê o nascimento de novas pessoas não como uma bênção, mas como uma maldição para o meio ambiente. Se de fato o impacto humano no meio ambiente é totalmente destrutivo, quanto menos pessoas, melhor. É por isso que ter filhos, especialmente muitos filhos, é algo tratado por eles como um ecocrime.

De acordo com essa perspectiva, outra vida humana representa apenas tantas emissões de carbono a mais.

É por isso que é preferível, pelo jeito, que essas novas vidas humanas simplesmente não existam. Como a Optimum Population Trust – desde então rebatizada de Population Matters – declarou certa vez, “uma pessoa não existente não tem uma pegada ambiental; a ‘redução’ de emissões é instantânea e total”.

Não há nada de que empreendedores ecologistas gostariam mais do que expandir a atual emergência que o planeta enfrenta para um futuro infinito. Eles acreditam que as comunidades que são tomadas pelo medo têm mais probabilidade de abraçar sua pauta antidesenvolvimentista. Também consideram o “modo de emergência” de ser um estilo de vida mais adequado a uma agenda ambiental alarmista. E sem dúvida esperam que as pessoas que vivem em um estado de medo constante optem por não ter filhos.

(1) Disponível em: <https://www.washingtonpost.com/opinions/2020/03/13/coronavirus-is-an-indictment-our-way-life/>. Acesso em 1º abr. 2020.

(2) Disponível em: <https://www.theguardian.com/world/2020/mar/31/how-will-the-world-emerge-from-the-coronavirus-crisis>. Acesso em 1º de abr. 2020.

(Tradução de Alyne Azuma)

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7 comentários

  1. A Ecologia é uma ciência apaixonante.A genética outra.O artigo é impressionante porque desmascara o “ambientalismo” militante, que joga com o medo e desvirtua a “evolução”darwinista e toda ciência biológica.Quanto ao nascimento de crianças, eles poderiam pelo menos, divagar, que os humanos são apenas hospedeiros dos genes.Esses genes é que vão ditar,em mutações,qual será o “soma” do futuro hospedeiro.

  2. Está na Bíblia: “Eis que faço novas todas as coisas”. Acho que os ambientalistas deveriam deixar esta palavra prosperar em vez de ficar por aí tentando imobilizar a humanidade. Os incomodados que se retirem.

  3. Ótima explicação…colocando no seu devido lugar os vagabundos que torcem pelo caos.
    “”””Alguns ativistas estão tão felizes com a “vingança da natureza” na forma do novo coronavírus que mal conseguem esconder seu entusiasmo em relação a ele.”””” Que parágrafo feliz…. cambada de ordinários !!!

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