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Carta ao Leitor

O poder excessivo das Big Techs e o diagnóstico preciso da situação em que o Brasil se encontra

A imprensa tradicional está exultante. As Big Techs silenciaram o demônio laranja e as redações celebram. É irrelevante que até Angela Merkel tenha se mostrado assombrada com as medidas das grandes corporações de tecnologia contra o presidente Donald Trump. Não há espaço no debate para vozes contrárias à narrativa progressista. Não interessa que o Twitter, com seu bloqueio definitivo e irremediável da conta de Trump, tenha agido por presumir um “risco” de “incitação à violência” — como se fosse uma instância superior ao Judiciário, considerando-se habilitado a atuar antes que uma suposta “ilegalidade” possa vir a ocorrer. Não importa que Facebook, Instagram e YouTube cancelem perfis de propagadores do pensamento conservador. É legítimo e até providencial que a rede social Parler seja extinta de buscadores, navegadores e lojas de aplicativos para smartphones. Calar “o inimigo” é o que interessa. Eis a convicção dos grandes jornais e das principais emissoras de televisão.

Convém refletir sob qual lente as práticas das Big Techs não são consideradas censura. A mais clara e mais explícita censura. Não há outra maneira de definir o que testemunhamos nos últimos dias.

Do ponto de vista liberal, é possível argumentar que empreendimentos privados têm todo o direito de vetar quem bem entenderem. Um restaurante pode perfeitamente aceitar apenas cavalheiros trajados de smoking — ou vestidos de Homem-Aranha. Muito bem. Entretanto, as redes sociais têm se beneficiado do posicionamento segundo o qual são meras “plataformas” e não “editores”. Assim, não arcam com os custos jurídicos de eventuais infrações à lei em conteúdos divulgados em seu ambiente. “Não somos imprensa, não editamos, apenas oferecemos plataformas para conteúdos produzidos por indivíduos, empresas e organizações. Portanto, são estes os agentes que devem responder legalmente pelo que publicam.” Em linhas gerais, é essa a argumentação. As recentes ações provam que o discurso é mero oportunismo. A melhor resposta às Big Techs, no momento, parece ser: “Façam o que bem entenderem, mas passem a responder juridicamente por tudo que é divulgado nos ambientes sob seu controle, assim como acontece com qualquer meio de comunicação”.

A analista política Ana Paula Henkel assina um artigo esclarecedor sobre as principais questões em jogo. Como um complemento didático, a editora Paula Leal apresenta 14 perguntas e respostas sobre o controle exercido pelas empresas de tecnologia no universo digital.

O mesmo viés progressista que normaliza as investidas totalitárias dos gigantes de tecnologia está presente nos circuitos globalistas. Causa apreensão a crescente tendência de mais poder para uma elite tecnocrática ante um raio de ação cada vez mais reduzido para Estados-nações e líderes democraticamente eleitos. Escreve Rodrigo Constantino na sua coluna desta semana: “Os globalistas estão mais assanhados com a pandemia e agora com Biden no poder. Vão dobrar a aposta. Mas não podem achar que o outro lado ficará calado ou passivo. Nem mesmo com as redes sociais tentando impor tal silêncio”.

Esta edição 43 da Revista Oeste conta ainda com um artigo especial assinado pelo empresário Salim Mattar. Fundador da Localiza, Mattar comandou de janeiro de 2019 a agosto de 2020 a Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, órgão do Ministério da Economia. Deixou o governo por avaliar que seus enormes esforços em favor das privatizações não estavam produzindo os resultados esperados. “O establishment não tem interesse na redução do tamanho do Estado”, disse Mattar em entrevista recente ao programa Direto ao Ponto, conduzido pelo jornalista Augusto Nunes na Jovem Pan. O empresário hoje se dedica à difusão do pensamento liberal no país. Seu artigo é um importante e claríssimo diagnóstico da situação em que nos encontramos, “O Brasil de hoje é o resultado de 35 anos de governos social-democratas”.

A depender exclusivamente da ação dos políticos, é improvável que haja mudanças significativas. Eis a reflexão de J. R. Guzzo: “Não há ideias nem princípios aí, embora todos finjam que têm as duas coisas. Só há a vontade de mandar. Pode ganhar o lado ‘A’, pode ganhar o lado ‘Z’ — os derrotados continuam com 100% de todos os seus privilégios, e o cidadão que sustenta a ambos continua no seu papel de sempre: trabalha, paga e não reclama. São as duas embalagens da mesma mercadoria, ou as duas alas do mesmo partido — o Partido Antipobres do Brasil, que vai da extrema direita ao extremo PT”.

Como se vê, há muito pelo que lutar. E você está ao nosso lado nesse combate.

Boa leitura.

Os Editores.

 

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7 comments

  1. Sem dúvida, a Revista Oeste é a única publicação decente e honesta no Brasil de hoje. E isenta, pois não antagoniza de forma juvenil e panfletária de um lado só… Parabéns!

  2. Recordo-me haver apelado à provedora de sinal de tv a cabo sobre a inadequação de conteúdos que fazia chegar à minha residência. Tratavam-se de filmes com forte apelo sexual ou violento em canais que não tinham esse perfil de programação. A resposta era que a empresa entregava o conteúdo mas não se responsabilizava por suas características. Vê-se que no presente caso das big techs o entendimento mudou: passaram a examinar os conteúdos e a julgar se é conveniente ou não. Teria sido uma evolução? Se mudaram o posicionamento, passarão a fazer juízo de TODO o conteúdo que trafegam?

  3. BRASIL, UM PAÍS AMORFO…

    Don’t follow the crowd, let the crowd follow you.
    ― Margaret Thatcher ―

    A possibilidade de reduzir o peso da onerosa e enferrujada máquina pública, que os duzentos e tantos milhões de brasileiros suportamos em nossos ombros, teve um considerável peso no processo eleitoral de 2018.
    Para minha decepção, descobri que não é suficiente ser o paladino das boas intenções, para presidir um país.
    Não temos plano de voo e o Governo não consegue viabilizar um discurso minimamente inteligível e passá-lo à nação, de maneira didática e facilmente acessível. A dramática crise sanitária da pandemia é uma pequena amostra dos descaminhos que o povo brasileiro tem percorrido.
    Acrescentem-se a isso a inoperância do Congresso e a esquizofrenia do STF e teremos o caldo de cultura ideal para que tudo permaneça como sempre esteve… continuamos alimentando o pesado e voraz paquiderme que nos custa “o olho da cara”, com taxa de retorno quase nula…
    As sonhadas reformas estruturais, com essa gente inerte e fisiológica, parecem peças de ficção, confirmando nossa opção galinácea pelo atraso e pelo terceiro-mundismo, bem ao estilo de conhecidas republiquetas.
    Enquanto isso, exibimos ao mundo uma vergonhosa taxa de ocupação da mão-de-obra ativa, com humilhantes patamares de pobreza…
    Eis o panorama que vislumbro, à luz da paisagem que nos é oferecida.
    Tudo indica que a Educação é a única trava capaz de liberar a energia necessária, para nos livrar do subdesenvolvimento, do atraso e do complexo de vira-latas…
    O problema é viabilizar isso com a cabeça analógica, anacrônica e fisiológica dos que dão as cartas…

    A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte, tem valor.
    ― Padre Antônio Vieira ―

    Marco Antônio
    Suzano, 14 de janeiro de 2021,07h19…
    Quinta de Verão, férias passando, esperando a salvadora vacina…

  4. Que felicidade, que investimento maravilhoso, obrigado Revista Oeste por me proporcionar essa leitura maravilhosa. De presente essa turma de galácticos.
    Gratíssimo.

  5. Estou lendo a edição desta semana, depois de assinar a revista ontem, e há muito tempo não lia artigos tão bons e isentos, ideologicamente e politicamente. Parabéns a todos e vida longa para a revista.

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