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Carta ao Leitor

O dinheiro que não é do governo, o vexame político que cerca a vacinação e as artimanhas do Partido Comunista Chinês

É sempre educativo lembrar e repetir a frase de Margaret Thatcher sobre os recursos financeiros administrados pelo Estado: “Não existe essa coisa de dinheiro público. Existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”. A poderosa Dama de Ferro era também uma dona de casa que fazia questão de toda noite servir o jantar ao marido e aos dois filhos. E às vezes usava a argumentação simples de gestora do lar para apresentar conceitos óbvios e absolutamente incontestáveis. Ora, o Estado não produz riqueza. Pelo contrário: apropria-se de parte do que é produzido pelo cidadão pagador de impostos. Logo, de fato, “não existe dinheiro público”.

Ao desconsiderarem a evidência thatcheriana, os governantes brasileiros querem nos fazer crer que são eles os responsáveis por “benefícios” ou “favores”. E o discurso pega, como assinala J. R. Guzzo: “Para plena satisfação dos políticos e do seu entorno, as elites que se atribuem a incumbência de pensar, as classes intelectuais e os meios de comunicação passam batido por essa vigarice permanente. Todos eles debatem, com a maior seriedade do mundo, ‘quem dá’ as coisas ao cidadão — como estão fazendo no presente espetáculo da vacinação, estrelado por Doria e Bolsonaro”. Sobre a vergonhosa disputa ainda em curso, diz Guzzo, ao estilo Thatcher: “A vacina é de quem paga a conta”.

Dado o espetáculo deplorável sem paralelos no mundo no que diz respeito à politização da pandemia, o tema é discutido na matéria de capa desta Edição 44 da Revista Oeste. “A guerra das vacinas só evidencia a inépcia e a falta de preocupação do gestor público com a saúde da população”, escreve a editora Paula Leal.

Na esfera global, convém manter total atenção aos movimentos do regime ditatorial da China. No artigo “Chantagem chinesa?”, o economista Rodrigo Constantino adverte: “Desde que Xi Jinping assumiu o Partido Comunista Chinês, o regime tem intensificado a opressão doméstica e também reforçado com muito mais virulência sua agenda de influência externa, o que envolve intimidação, chantagem ou ameaça, quando não é possível simplesmente comprar apoio”.

Pelo menos nesta semana testemunhamos o resultado da mais recente investida chinesa sobre o Palácio do Planalto: um completo fiasco. Augusto Nunes narra as memoráveis peripécias de uma dupla de jornalistas na noite de Buenos Aires ao avaliar as pressões exercidas por parte do embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming. O texto “Duas mulheres. Ou dois sucos de laranja” é daqueles que só Augusto é capaz de escrever.

Boa leitura.

Os Editores.

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4 comentários

  1. Carta ao leitor é uma maneira simples e cordial de desejar aos assinantes um muito obrigado e excelente leitura.
    Como sempre muito elegante e respeitosa maneira de nos presentear. Muito obrigado aos editores e JORNSLISTAS de verdade.
    Saúde e paz em família.

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