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Carta ao Leitor

A jornada humana cada vez mais promissora, o ‘jornalismo de resistência’ e o legado da Era Maia

No século 14, o poeta francês Eustache Deschamps escreveu: “Era de lágrimas, de inveja, de tormento. Era de declínio, próxima do fim”. O bretão Jean Meschinot, também poeta, expressou o mesmo sentimento no século seguinte: “Ó vida miserável e demasiado triste! Sofremos guerra, morte e fome. Frio e calor, noite e dia, sugam nossa força. Pulgas, sarnas e vermes fazem guerra contra nós. Por isso, tem misericórdia, Senhor, de nós, pessoas ímpias, cuja vida é muito curta”. A breve jornada humana era uma sucessão de fatalidades, tribulações e infelicidades. O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679) não poderia ter sido mais preciso ao definir a vida como “detestável, brutal e curta”.

A espécie Homo sapiens surgiu na África Oriental há 200 mil anos, mas a vida só começou a melhorar para valer há cerca de 200 anos, a partir da Revolução Industrial. Ou seja: durante 99,9% da sua história, o ser humano foi forçado a enfrentar uma existência nada menos que miserável. O dado alentador é que o avanço da qualidade de vida tem sido cada vez mais acelerado. Por quaisquer parâmetros que venhamos a utilizar, é incontestável a conclusão de que a humanidade tem tornado o mundo um lugar melhor para viver. Hoje é melhor que ontem. E amanhã será melhor que hoje. É o que demonstra a editora Branca Nunes no notável trabalho que ela apresenta nesta Edição 46 da Revista Oeste, a reportagem “Acredite: o mundo está melhorando”. Nestes tempos em que um certo nível de abatimento parece muitas vezes inevitável, Branca presenteia o assinante com um conteúdo de poderes ansiolíticos.

Os ambientalistas extremados, no entanto, não se permitem rever o discurso de que a vida piora no planeta em razão da atividade econômica. Há boas razões para que a preservação da natureza seja defendida — como o fazem os produtores rurais brasileiros —, mas o alarmismo dos radicais do clima em nada contribui para um debate com base em evidências. “A propaganda política que envolve o ecocídio foi assumidamente inspirada para estabelecer uma equivalência direta entre atitudes malignas em relação ao meio ambiente e os horrendos crimes associados ao genocídio”, escreve o professor e sociólogo húngaro-canadense Frank Furedi, nosso colunista. “Essa narrativa do mal entrelaça casualmente diferentes ramificações de um filme de terror para estigmatizar o status moral do Brasil.” O país, com o aval e a estridência da mídia, tem sido apresentado como uma nação criminosa.

Infelizmente, o jornalismo contemporâneo pouco tem contribuído para o entendimento dos fatos como os fatos são. Na melhor análise já produzida sobre a chamada “mídia tradicional”, J. R. Guzzo não dá espaço àqueles que se habituaram a tergiversar. “A imprensa está virando religião. O jornalismo de resistência é uma missão, não um ofício: a verdade é aquilo que se decide nas redações, e nada mais”, diz Guzzo.

Sobre as “verdades” repetidas pela militância presente nas redações acerca de determinados personagens, o escritor Guilherme Fiuza faz uma concisa e extraordinária avaliação do legado de Rodrigo Maia na presidência da Câmara dos Deputados: “A Era Maia provou que um verdadeiro estadista vive de manchetes arranjadas”.

Pretenso candidato a “estadista” nacional, o governador de São Paulo, João Doria, tem dificuldades quando confrontado com dados e “não consegue disfarçar o ódio a divergências”, como aponta Augusto Nunes. O recente confronto entre o governador e a prefeita de Bauru revela o nível de autoritarismo por trás da figura elegante que preza boas maneiras e pontualidade.

Boa leitura.

Os Editores.

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5 comentários

  1. Revista Oeste: investimento com retorno assegurado. Informação de qualidade com análise isenta e responsável dos fatos, doa a quem doer. Parabéns!

  2. “A era Maia provou que um verdadeiro estadista vive de manchetes arranjadas”. Esta o Fiuza tirou do fundo do Baú. Muito boa. É aquele negócio tipo “casamento arranjado”. No início até parece que “vai”, mas não vai.

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