Carta ao Leitor

O funcionamento do SUS, o 'partido político' do Ministério Público, a doutrinação marxista e a independência do Banco Central

Admiração não deve ser motivo para refrear críticas — ao menos no que diz respeito a questões relacionadas a políticas públicas. É evidente quanto a população brasileira se orgulha do Sistema Único de Saúde e admira os profissionais devotados que tanto se empenham em prestar um bom serviço, especialmente nestes tempos de pandemia. Mas devemos ignorar as falhas do sistema e os tropeços na gestão do dinheiro do pagador de impostos? Certamente, não. O SUS, que se tornou uma espécie de “patrimônio nacional”, precisa funcionar direito. Cidadãos não podem continuar esperando até uma década por uma simples cirurgia de catarata. Pacientes que mudam de Estado durante um tratamento, muitas vezes por razões clínicas, são hoje obrigados a refazer uma série de exames e a recomeçar do zero a terapêutica, dado que os prontuários não são integrados digitalmente. No SUS, há desperdício, interferências políticas e falta espaço para premiar bons médicos. O quadro geral não é alentador. O editor-assistente Cristyan Costa e a editora Paula Leal dedicaram-se nas últimas semanas ao diagnóstico jornalístico do SUS. Eles atestam que não falta dinheiro. Falta gestão. Mas é possível ajustar o sistema com medidas simples, mais tecnologia e novas Parcerias Público-Privadas.

Uma outra instituição admirada pelos brasileiros, o Ministério Público, é quase impermeável a ajustes. Embora tenha prestado serviços relevantes à sociedade, “numa parte do seu tempo o órgão de defesa do bem contra o mal funciona, na vida real do Brasil-2021, como um sindicato trabalhista, obcecado por salários e privilégios”, escreve J. R. Guzzo. “Em outra parte, funciona como partido político e clube de ideias. O que sobra para o interesse público é muito pouco.”

Um dos sintomas da doença que acomete o MP se manifesta no caso relatado pelo escritor Guilherme Fiuza. O Ministério Público do Trabalho recomendou às empresas que demitam por justa causa o funcionário que não quiser tomar vacina contra a covid-19. “Ou seja: o órgão que existe para defender os direitos do trabalhador está agindo para coagir o trabalhador”, diz Fiuza.

A raiz da mentalidade autoritária de boa parte dos cérebros que comandam muitas instituições está na doutrinação marxista, tão impregnada nos meios culturais e na educação, em todos os níveis. O repórter Edilson Salgueiro Júnior, arguto analista do fenômeno, discutiu o tema com o autor do livro Marxismo: na Contramão do Bom Senso, o promotor de Justiça Carlos Eduardo Brechani. Brechani, a propósito, é a clara demonstração de que nem todo integrante do Ministério Público é militante de esquerda.

A militância progressista, aliás, parece animada com as articulações do grupo do STF liderado pelo ministro Gilmar Mendes, como conta Augusto Nunes: “A trupe de Gilmar faz de conta que o ex-presidente foi alvo de um complô de dimensões siderais arquitetado por gente que só pensa em prender gente que presta. O líder da bancada, claro, foi o protagonista do teatrão de quinta categoria.”

Como convém destacar as boas novas, a Edição 47 da Revista Oeste registra a aprovação da autonomia do Banco Central. No artigo “A independência do BC e o dinheiro sólido”, o economista Rodrigo Constantino apresenta didaticamente os motivos pelos quais devemos celebrar a medida — tomada, diga-se, com um atraso de mais de três décadas. Diferentemente do que defendem Guilherme Boulos, Ciro Gomes, petistas em geral & afins, o Banco Central independente reduz as possibilidades de que a inflação venha a se tornar “moeda” nas mãos de governantes aventureiros.

Boa leitura.

Os Editores.

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