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Carta ao Leitor

A irracionalidade do pensamento binário, o abuso de poder do STF e o autoritarismo do Grande Reset

É desolador o nível de irracionalidade a que chegou o debate público. Quem demonstra preocupação com a preservação dos valores cristãos sobre os quais foi alicerçada a civilização ocidental é tachado de fascista. O ativista que denuncia o autoritarismo e a corrupção generalizada do governo de Vladimir Putin é um comunista a serviço do globalismo. O defensor do direito ao porte de armas é apontado como um reacionário belicista. Aquele que se interessa pela pauta ambiental é um progressista anti-iniciativa privada.

Não há limites para a estupidez das mentes binárias. “A falsidade da dicotomia direita x esquerda ou conservadores x progressistas ou congêneres não é só perda de tempo. Ela hoje atrapalha bastante a vida real”, escreve o jornalista Guilherme Fiuza, uma voz corajosa e responsável no debate contemporâneo. “Por isso não é um capricho repudiar a mania geral de enfiar tudo nesses rótulos toscos. Eles estão servindo para alimentar autoritarismos e corrupção intelectual.”

Testemunhamos nos últimos dias novas manifestações do pensamento binário. No episódio da prisão do deputado Daniel Silveira, críticos da atuação do Supremo Tribunal Federal têm sido vistos como adesistas ao discurso tosco do parlamentar. E é claro que não se trata disso. Silveira é um notório encrenqueiro. Em várias ocasiões já deu demonstrações explícitas de truculência. É agressivo no trato com seus pares na Câmara. Tem uma atividade parlamentar nula. No entanto: 1) Não cometeu crime inafiançável; 2) Não há como justificar que houve “flagrante”. Portanto, o STF agiu além de suas competências constitucionais. A conduta vil do deputado deve ser alvo de julgamento dos seus colegas parlamentares. E, obviamente, dos seus eleitores. O STF tem de agir apenas quando acionado e só quanto a dúvidas relacionadas à Constituição. O Supremo, no entanto, deu mais uma demonstração de que está disposto a portar-se como um Poder acima dos demais. O que vimos não foi uma exibição legítima do exercício do sistema de pesos e contrapesos de uma democracia sólida. Foi simplesmente abuso de poder. Esse é o tema da capa desta Edição 48 da Revista Oeste, uma reportagem assinada pelo editor-executivo Silvio Navarro.

As pululações dos conceitos binários também estão na origem de propostas como o Grande Reset, um “novo começo” para o planeta. Ora, se a governança exercida pelos Estados-nações tem evidenciado falhas e fraquezas, que tal uma normatização global para dar jeito no mundo? Eis a pregação do fundador do Fórum de Davos, Klaus Schwab. Ele conta com a adesão de bilionários “abnegados” e de alguns dos mais incensados líderes globais, como nos mostra o economista Rodrigo Constantino.

O autoritarismo que é base do ideário do Grande Reset aparece ainda em movimentos que se esforçam para controlar a pauta do debate público, o tom das discussões, o que pode e o que não pode ser falado — como é o caso do Stop Funding Hate. Brendan O’Neill, editor-chefe da revista britânica Spiked, com a qual Oeste mantém um acordo exclusivo para publicação de conteúdo no Brasil, expõe com clareza quem de fato está propagando o tal “discurso de ódio”.

Enquanto o Ocidente patina no terreno instável dos preceitos binários, a China fica à vontade para aterrorizar o continente asiático. Contando com a falta de firmeza dos Estados Unidos, o regime comunista chinês joga sujo com Taiwan e eleva as tensões na região. O colunista Dagomir Marquezi apresenta um excelente panorama do conflito — o tipo de matéria que você não lerá em nenhum outro veículo da imprensa nacional.

Conte com a Revista Oeste para quebrar a hegemonia do pensamento binário.

Boa leitura.

Os Editores.

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