Carta ao Leitor

A república bananeira, a insegurança jurídica e as ameaças à liberdade de expressão no Brasil e no mundo

Extinguiu-se a esperança de que o Brasil pudesse deixar de ser classificado como uma república bananeira. Aqui, como em vários países periféricos latino-americanos, as instituições, as leis e os trâmites de processos jurídicos são ajustados a depender do interesse de uns poucos poderosos intocáveis, autoridades que se julgam no dever de conduzir a nação por caminhos “virtuosos”. Na mais recente decisão monocrática do Supremo Tribunal Federal, “mais do que em qualquer outra ocasião recente, o Estado de direito no Brasil assumiu tudo o que precisa para tornar-se uma ficção absoluta”, escreve J. R. Guzzo no artigo que apresenta uma análise precisa dos últimos acontecimentos.

A farra na republiqueta está em curso, com Lula elegível e já em campanha para 2022, a Lava Jato sob suspeita e a mais absoluta insegurança jurídica assombrando cidadãos e investidores. Além disso, criou-se no país a categoria de “ex-corrupto”, como assinala o editor-executivo Silvio Navarro na reportagem de capa. [Na frase atribuída ao ex-ministro Pedro Malan, “no Brasil, até o passado é incerto”.]

O principal personagem do desatino da vez é objeto de um perfil não autorizado assinado por Augusto Nunes. O texto de Augusto, “O papelão do inventor do fachinês”, é o próprio estado da arte do jornalismo. Revela como embromações sintáticas e mutretas linguísticas foram utilizadas para perpetrar uma decisão insultuosa a todo cidadão de bem.

Não deixa de ser curioso, no meio da crise que se instalou, observar as reações da chamada “mídia tradicional”. “O astral está tão bom que já é hora de a imprensa amiga plantar uma notinha dizendo que Lula vai processar o Brasil por danos morais”, diz o escritor Guilherme Fiuza. “Seria mais do que justo. Passar anos sendo alvo da desconfiança de milhões de pessoas? E não tendo feito absolutamente nada além de se locupletar e enriquecer seus familiares, amigos, correligionários e cúmplices com o produto do roubo progressista e democrático?”

Embora os brasileiros tenham sido surpreendidos pela decisão do ministro Edson Fachin, o que se pode esperar de um tribunal que já atacou flagrantemente a liberdade de expressão? Esse direito civilizatório fundamental está sob sérias e frequentes ameaças, como enfatiza Brendan ONeill, editor-chefe da revista britânica Spiked, com a qual a Revista Oeste tem uma parceria exclusiva no Brasil. No artigo “Querem nos silenciar”, O’Neill menciona casos de censura explícita — e legais! — que talvez para nós pareçam exagerados. Contudo, não nos enganemos: a onda já chegou ao Brasil e a tendência é de radicalização. Dada a relevância do tema, a edição traz ainda um texto extraordinário do economista Rodrigo Constantino. Constantino destaca uma questão essencial no debate: “Não há contradição entre desprezar indivíduos por suas visões repugnantes e, ao mesmo tempo, defender seu direito de expressá-las.”

Esta Edição 51 marca a estreia de Alba Expider como colaborador. Humorista, youtuber, integrante do programa Pânico e talentoso observador do cenário político, Alba analisa as condições que Luciano Huck espera encontrar antes de lançar-se numa disputa eleitoral.

Boa leitura.

Os Editores.

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10 comentários Ver comentários

  1. Parabéns à Revista Oeste pelo jornalismo de verdade. Uma ilha de excelência em meio ao oceano de mediocridade da grande imprensa brasileira.

  2. Entendo que se esgotadas todas as tentativas de destruir o governo Bolsonaro antes de 2.022, os resultados das urnas eletrônicas poderão surpreender e criar graves conflitos sociais se não tivermos o VOTO IMPRESSO, única forma de transparência das urnas eletrônicas que assim poderão ser AUDITADAS, e se necessário, por irregularidades encontradas nas amostragens sorteadas, ou por solicitação de qualquer partido em disputas competitivas, RECONTAR todas as urnas impressas para autenticar o resultado.
    Não entendo porque a boa imprensa da revista oeste nada divulgue ou promova esclarecimentos, entrevistas, enfim o que for necessário para os leitores e a sociedade entenderem que VOTO IMPRESSO, não é retrocesso, não é caro e outras baboseiras que os notáveis do STF resolveram denegrir e falsamente declarar INCONSTITUCIONAL Lei aprovada pelo Congresso Nacional em 2015, pelo SINGELO motivo: “Violação do sigilo e liberdade do voto”.
    Dá para entender que nos chamam de idiotas, e que eles são seres superiores que interferem nos outros poderes?. Por que temer o voto impresso que evitará graves conflitos sociais, pois jamais se poderá incitar a população que houve FRAUDES nas urnas, seja pela centro direita ou centro esquerda que penso serão competitivos?

  3. Gostaria que a revista Oeste lançasse um aplicativo para Android para facilitar a leitura e pesquisa de edições anteriores, sem precisar usar o Chrome ou outro navegador

    1. Eu não sei o que fazer com a minha incapacidade de agir contra os desatinos do
      #STFVergonhaNacional
      Essa ditadura desmoralizante das instituições brasileiras simplesmente não tem limite.
      Estou fisicamente mal, ulcerada pela minha impotência ante tamanho retrocesso no Brasil

  4. Melhor revista do Brasil que já li e assinei, e assinei praticamente todas da Manchete à Crusoé passando por Cruzeiro, Veja, Isto é, Época, etc. Estou recomendando a assinatura em todos os grupos que participo!!

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